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Em Portugal desde há muitos anos para cá que existem três grandes: Sporting, Benfica e Porto.

Ciclicamente na nossa história alguns emblemas não resistem à tentação de colar-se a este trio com o objectivo de ser o, inexistente, 4º grande.

O primeiro candidato foi o Belenenses que, a bem da verdade, antes da existência do campeonato nacional, nos moldes actuais, era uma potência de Lisboa e considerado um dos grandes do país. Os rapazes do Restelo quebraram a hegemonia dos grandes vencendo o campeonato nacional de 1946 e até meados da década de 60 foram quase sempre o clube que melhor se bateu pelo 4º lugar da primeira liga. O Clube de Futebol “Os Belenenses” possuía uma massa adepta numerosa e fervorosa. Hoje em dia a realidade é discrepante, a maioria dos associados são de um geração mais velha e em número reduzido. No palmarés azul além do título de 1946 constam ainda três Taças de Portugal.

Na década de 60/70 emergiu mais um candidato ao posto de grande: Vitória de Setúbal. Neste período a equipa de Setúbal conquistou duas Taças de Portugal, esteve por 4 vezes nos quartos-de-final da extinta Taça das Cidades com Feiras e chegou mesmo a disputar o título nacional, em confronto directo com Sporting e Benfica. As décadas que se seguiram foram madrastas com os fiéis adeptos sadinos que só recuperaram a alegria graças à conquista da 3ª Taça de Portugal do Vitória, em 2005, e com a conquista da Taça da Liga em 2008 – no ano de estreia da competição.

No final dos anos 70 emergiu o Boavistão de José Maria Pedroto. O “Zé do Boné” levou uma equipa de bairro a vencer a Supertaça Cândido de Oliveira e a sagrar-se tricampeã da Taça de Portugal. A gestão do clube já estava a cargo da família Loureiro que na década de 90 traria mais duas Taças de Portugal e duas Supertaças para o museu do Bessa. Sustentadamente, o clube ia fazendo brilharetes europeus e intrometendo-se na luta pelo título nacional, que viria a conquistar de forma inequívoca na época 2000/01. Os boavisteiros dentro deste leque de opções foram talvez o emblema que mais regularmente esteve na ribalta nacional fora do eixo Sporting/Benfica/Porto. Os axadrezados ainda marcaram presença nas meias-finais da Taça UEFA de 2003 mas desde então foi o descalabro total de um clube com forte poder associativo, na cidade do Porto.

Um caso curioso é o do Vitória Sport Clube, popularmente conhecido como Vitória de Guimarães. Os vimaranenses apesar de normalmente lutarem pelos lugares cimeiros da tabela, apenas têm dois títulos: a Taça de Portugal de 2012/13 e a Supertaça Cândido de Oliveira de 1988. O palmarés vitoriano é frágil mas a sua falange de apoio é abundante e fiel. O Vitória de Guimarães é um dos raros clubes portugueses que não se debate com a falta de público. O D. Afonso Henriques seja para jogos da primeira ou segunda liga, Taça de Portugal ou confrontos europeus está por norma muito bem composto. Em termos de força associativa é claramente o 4º grande.

Actualmente o Sporting de Braga faz questão de se auto-intitular grande. O recente vice-campeonato nacional e da Liga Europa, a juntar ao troféu da temporada passada da Taça de Liga e a dois terceiros lugares nos últimos anos são os argumentos bracarenses. O Sporting de Braga, como o nome indica, foi fundado por sportinguistas, curiosamente numa cidade de maioria benfiquista e apesar da era positiva com António Salvador, o maior feito do clube ainda é a conquista da Taça de Portugal de 1966.

image_largeEm termos de massa associativa os bracarenses têm sobretudo um apoio jovem que pode no futuro vir a ser vital na expansão do clube, caso este realmente venha a ter sucesso. A adesão ao estádio AXA não é famosa e mesmo em jogos decisivos muitos são os bilhetes oferecidos para que o “Arsenal do Minho” possa ter casa cheia, o que na maioria dos casos, mesmo com entrada livre, não acontece. O crescimento do clube no reinado de Salvador é incontestável. A parceria com Jorge Mendes tem permitido gerar receitas extraordinárias e fazer o clube crescer progressivamente. Contudo o Braga está longe de ser o 4º grande e muito menos o 3º como muitas figuras ligadas ao clube, gostam de afirmar pelos últimos dois anos em que os bracarenses ficaram à frente do Sporting na classificação final.

Para ser grande são necessários títulos, uma história vencedora e uma massa associativa fiel e fervorosa. O Sporting de Braga não tem nada disso. O palmarés é muito fraco, a história apenas interessante e na sua cidade a grande maioria dos amantes do futebol preferem o Benfica. Este desejo de se impor à força está invariavelmente presente nas palavras dos representantes bracarenses e nas irreverentes cabeças dos seus adeptos mais radicais que antes do recente confronto com o Sporting, voltaram a vandalizar o Núcleo Sportinguista de Braga. Algo que se está a tornar recorrente também na Casa do Benfica em Braga, antes das recepções aos encarnados.

Esta obsessão pela grandeza está a tentar criar rivalidades que não existem e dificilmente poderão existir numa cidade pequena que não se entrega na maioria ao clube de origem. Outro episódio negativo e incompreensível ocorreu em relação ao preço dos bilhetes para o Braga-Sporting da última ronda. Um duelo importantíssimo pelo segundo lugar e consequente aproximação ao FC Porto. O facto do clube da casa estar à frente dos leões e da equipa de Jardim contar com uma previsível onda verde – devido ao bom momento dos leões, eram os ingredientes necessários para o AXA finalmente ter casa cheia e para o Braga amealhar vários euros de bilheteira. Mas infelizmente para o clube e para o espectáculo não foi isso que aconteceu.

fotografia

O Braga colocou os bilhetes para sócios arsenalistas entre os 5 e os 15 euros e mesmo assim não conseguiu encher a sua bancada. Para os não sócios os bilhetes chegaram à exorbitância de 75 euros! Um preço vergonhoso que afastou muitos sportinguistas e arsenalistas do futebol e deixou um possível estádio cheio, a meio gás. Para termos uma noção deste valor absurdo, vale a pena recordar que por exemplo o bilhete mais caro do último  derby, Sporting-Benfica, custava 55 euros.

Esta incompreensível tomada de posição do Braga visava apenas afastar os adeptos leoninos do estádio para criar uma superioridade bracarense que mesmo com bilhetes baratos e alguns gratuitos não se fez sentir. Estes golpes de teatro são recorrentes nos clubes portugueses que têm força de bastidores e querem ganhar de qualquer maneira. Mas isto continua a não fazer de um clube regional, um clube grande, apesar da imprensa nacional discordar deste ponto de vista e patrocinar este ridículo auto-intitulanço sem nexo. Mesmo que Sporting, Benfica e Porto fiquem anos a fio sem títulos, já têm museus recheados e um suporte associativo que faz deles verdadeiros colossos do futebol nacional. Para entrar neste selecto grupo, o Braga necessitará de menos conversa e muitos anos de inúmeras conquistas, afinal foi assim que os três chegaram até aqui.

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SONY DSCBruno Gomes

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10 thoughts on “O Pseudo Grande

  1. Mais nada.

    Apenas um reparo: dizer que o Boavista conquistou o título de 2000/2001 de forma inequívoca…ainda me lembro dos arraiais de porrada distribuídos com a complacência dos árbitros…

    E uma pergunta: é mesmo verdade que o Braga foi fundado por Sportinguistas? É que aquelas cores…

    • Obrigado pela opinião e participação no debate. Na verdade a história do Braga é sigilosa e pouca esclarecedora. No próprio site do clube à pouca informação sobre a sua origem. Reza a lenda que o clube foi fundado por Sportinguistas e que equipava de verde e branco ao estilo Stromp. Uma viagem do ex treinador Joseph Szabo a Londres, para ver o grande Arsenal nos anos 20/30 fascinou-o e sugeriu que o clube passasse a equipar com as cores e o estilo dos gunners. Há também quem diga que antes disso, o Braga equipou à Benfica devido ao elevado número de benfiquistas da cidade de dos arcebispos, mas isso já é mais mito ainda.

  2. Só não percebo como não aparece a Académica neste comparativo. Afinal em termos de palmarés, anos de 1ª Liga, massa adepta (espalhada pelo mundo), ano de fundação, ecletismo, mística, etc… está bem mais próxima de ser o 4º clube de Portugal.

    • Muito obrigado pelo comentário e participação no debate. Reconheço os méritos da Académica e percebo os seus argumentos, mas analisando a liga nacional desde a sua existência e o historial das equipas a Académica acaba por ser inferior às que aqui cito. Com excepção, em termos de palmarés, ao Braga que por ser objecto de análise tinha de cá estar.

  3. Excelente artigo escrito por um jovem.
    Contudo, tenho que concordar com o Leones. O Boavista jogou muitos anos com 14 atletas em campo…os anos dourados da famiglia Loureiro…que culminou com o inevitável título que 99% da população não se recorda e o restante 1% usa como exemplo quando se fala em corrupção desportiva.
    Penso que, em termos de regularidade, talvez o Guimarães seja o que está melhor colocado pois tem muitas mais presenças na 1a Liga que os restantes. Por outro lado, faltam-lhe alguns títulos em relação ao Belenenses e ao Setúbal mas desde que existe campeonato nacional, apenas em 3 ou 4 anos estiveram na 2a, ao passo que estes estiveram muitos mais. O Braga é quem tem menos títulos e menos adeptos deste lote, por isso, ser 4° grande é anedótico.

    • Muito obrigado pela leitura e comentário. Relativamente ao caso Boavista, concordo com o seu ponto de vista mas isso seria conversa para outro artigo. Espero que continue connosco aqui ou no facebook. Cumprimentos

    • Não Pedro, trata-se apenas de constatar factos que são evidentes e, mesmo assim, dificeis de entender para alguns. Obrigado pela leitura e participação. Cumprimentos

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