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Portugal vs Israel, Estádio Alvalade XXI, 11 de Outubro de 2013, 1-0 no marcador, 85 minutos de jogo: Rui Patrício comete um erro grosseiro, entrega a bola ao avançado israelita que empata a partida. A igualdade a um golo manteve-se inalterada até ao apito final, a Selecção Nacional perdeu a oportunidade de continuar a sonhar com o apuramento directo para o Mundial 2014 e uma vez mais foi remetida para a incerteza do play-off. Mas para bem dos nossos pecados, o que vale é que o bode expiatório de tamanha desgraça já está encontrado e tem um nome fácil de adivinhar: Rui Patrício.

Paulo Bento apressou-se a dizer que “fomos penalizados por um erro” numa altura em que a equipa tinha o jogo “controlado”. Depois desse azar que deu origem ao golo israelita – acrescenta o seleccionador nacional – a equipa das quinas viu-se obrigada a adoptar “um estilo de jogo mais directo” a que não está habituada. Mas se não é este, então qual é o estilo de jogo que a formação portuguesa prefere praticar?

Eu não estou na cabeça de Paulo Bento, mas sei dar a resposta verdadeira. Portugal gosta de exibir um futebol enfadonho, mastigado, morto, triste e desinteressante. Os jogadores passeiam a sua falta de vontade pelo relvado, sem motivação por vestirem aquela camisola, fazem rolar a bola de forma inconsequente, numa competição interna não para chegar ao golo mas para ver quem se cansa menos. Seja a Irlanda do Norte, o Azerbaijão, o Luxemburgo, Israel ou qualquer outra grande potência do futebol mundial, a história é sempre a mesma: a superioridade das individualidades lusitanas é evidente, vamos ter calma e continuar assim que o golo vai acabar por aparecer. E depois acontecem humilhações como as que pudemos presenciar nesta fase de apuramento.

Perante tamanha passividade e falta de atitude é natural que erros pontuais possam suceder, mas há uns mais mediáticos que outros. Um Hugo Almeida com excesso de peso ou um Nani que passou o jogo inteiro a efectuar cruzamentos para terras de ninguém quase passam despercebidos, mas um guarda-redes que oferece o golo ao adversário já é imperdoável. O que ficará para a história deste encontro será apenas o falhanço de Rui Patrício, mas poderia não ser desta forma se a prestação dos seus colegas de campo tivesse sido diferente ao longo dos primeiros 85 minutos. Se Portugal já se encontrasse a vencer por uma margem mínima de dois golos, como seria exigível frente a uma formação com as consideráveis limitações das de Israel, o falhanço do guardião do Sporting seria rapidamente remetido para segundo plano e no derradeiro relato do jogo poderia constar a descrição de uma turma de guerreiros incansáveis que durante hora e meia lutaram por uma goleada que, apesar de alcançável, esteve longe de acontecer na vida real.

Rui Patrício não pode ser desresponsabilizado por tamanha infantilidade, mas a maior parcela de culpa da vergonhosa campanha da Selecção Nacional nesta fase de apuramento para o Mundial do Brasil tem outro nome: Paulo Bento. O técnico português promove o culto da impunidade no seio da equipa das quinas, convocando sempre os mesmos jogadores mesmo que estes demonstrem sempre a mesma atitude medíocre e deixando a ver os jogos pela televisão outros que talvez merecessem uma oportunidade. Para além disto, as presenças na convocatória de jogadores como Sereno, Custódio e agora Rolando em detrimento de outros valores como José Fonte e Adrien Silva são a demonstração de que Paulo Bento ou está mal informado, ou mal aconselhado, ou é influenciado por complexos motivos exteriores à prestação dos atletas dentro de campo.

Qual Bentificação dos Pecadores, esta postura do seleccionador nacional promove a autonomização do estatuto de vedeta naqueles que já estão habituados a estas andanças, transformando-se num obstáculo à consumação do processo de auto-motivação que deveria existir naturalmente nos jogadores que representam Portugal. Trata-se aqui de uma mentalidade que tem que ser alterada, uma atitude vencedora que tem que ser posta em prática dentro das quatro linhas independentemente do adversário. E não esqueçamos que antes do play-off ainda vem aí o Luxemburgo.

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One thought on “A Bentificação dos Pecadores

  1. Excelente artigo Diogo Taborda!

    Conseguiste ir a todas as feridas desta selecção nacional e num texto em tom de crítica construtiva. Parabéns! Assim dá gosto de ler.

    PS: Escreveste e bem dos casos de José Fonte e Adrien Silva, mas também poderias ter falado do Manuel Fernandes. Não entendo como este nunca é convocado e é um dos melhores jogadores na Turquia… 😉

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