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Sou (quase) psicóloga. Fiz o meu curso de 3 anos, seguido do mestrado, hoje em dia obrigatório, por muito que nos tentem fazer pensar que é opcional. Bom, no meu caso não me fazem pensar nada, para ser psicóloga tenho de estudar durante 5 anos e ainda fazer um estágio de mais um ano. Conclusão: 6 anos de curso.

Sempre fiz tudo certo, nunca chumbei, fiz o meu estágio na altura certa, e até me dei bem, já que fui convidada a trabalhar… qual trabalhar? A estagiar mais um ano no mesmo sítio. “Mas desta vez é remunerado!”. É remunerado, é melhor, é verdade, mas também é verdade que a remuneração é sensivelmente metade da de um técnico, e também é verdade que eu faço exactamente o mesmo trabalho que um técnico, mas afinal, sou apenas estagiária….

Estou há mais de um ano na mesma instituição, já cresci enquanto pessoa e profissional, já conheço os cantos à casa, já conheço a equipa e as equipas que nos apoiam, mas na verdade, bom, a verdade é que não faço parte da equipa, sou uma estagiária… Trabalho com(o) a equipa, mas daqui a uns meses eu vou-me embora e a equipa fica… Mas não há problema, novos estagiários virão…

Por enquanto estou bem, é verdade, mas também é verdade que estudei 18 anos (a maioria da minha vida), porque me disseram que só assim teria um futuro, mas o meu futuro resume-se a um ano de contrato, a receber metade que o resto da equipa, a ser estagiária…

Como eu, muitos fizeram o percurso certo, para agora ter o contrato errado… Afinal, como funciona o mercado de trabalho hoje em dia? Afinal, será o meu futuro um futuro de estágio?

Cada vez mais as empresas/instituições aproveitam os benefícios de ter estagiários, que eu percebo, mas perdem meses por ano nesta saída e entrada de estagiários, perdem tempo de adaptação, perdem tempo de despedida, perdem tempo… E quem perde mais?

Quem “trabalha” na área social, como eu, sabe que quem perde são as pessoas, as famílias acompanhadas, que mudam de estagiário em estagiário, que veem o seu processo passar de mãos em mãos, sem nada puderem fazer. Mas não há problema, o Estado apoia, o Estado paga os estagiários. Afinal, o Estado investiu na Educação, convém que os alunos fiquem em Portugal. Mas será que quero ser estagiária toda a minha vida?

A verdade é que quase toda a gente da minha idade sofre do mal de ser estagiário ou de trabalhar num outro ramo qualquer, para o qual o 9º ano chegava… Ora, ninguém estuda para nada, e ninguém quer ser estagiário a vida toda… O que é que nos resta?

Hoje em dia, até ao próximo verão, estou bem na vida… recebo pouco, mas também vivo com a minha mãe, estou a “trabalhar”, asseguro as minhas despesas… mas, e quando acabar o meu contrato de estágio? Que contrato se seguirá?

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marianaMariana Sabino

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