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Ponto 1: simpatizo e admiro o cidadão Paulo Bento (PB). Gosto da sua frontalidade e transparência. Passa-me a imagem de alguém sincero e genuíno que defende com unhas e dentes as suas convicções e aqueles em quem acredita. Possui os valores que preconizo para um bom homem. Contudo não creio que isso chegue para fazer dele um grande treinador.

Sempre fui um defensor daqueles treinadores que confiam nas suas tácticas e em determinados atletas e vão com eles e elas até ao fim do mundo. Mas há limites… E o seleccionador nacional, tem extrapolado vários.

No Sporting, PB herdou de José Peseiro um 4-4-2 losângulo, a ausência de centrais e um trinco poderosos fisicamente – coisa que em Alvalade nunca encontrou. Deu confiança a um bando de miúdos – Moutinho, Nani, Veloso, Patrício, e lá foi matando a fome do leão com algumas taças. Os primeiros dois anos até viram um futebol entusiasmante e de qualidade. Os últimos dois, um Veloso lento, perdido numa ilha, a despachar bolas para as linhas onde laterais banais (Abel, Grimi, Pedro Silva, Ronny- tantos…) tratavam de as despachar para área à espera de São Liedson. Lá atrás a falta de estatura e comunicação da defesa, despertava um Deus nos acuda em cada bola parada. Valiam-nos a garra, a entrega e o perfil resultadista lutador: sem muita arte, técnica ou entrosamento.

Faltou a Paulo Bento reciclar-se. Deixar de lado a caturrice, investir em novas tácticas, apostar em outros jogadores. Também lhe faltaram dirigentes com visão de mercado para afastar reformados e trazer do bom e barato para Alvalade. O futebol aos solavancos dos leões ditou o fim de uma era.

O senhor tranquilidade esteve poucos meses fora do activo e rapidamente assumiu a selecção nacional. Depois do desastre que foi o reinado de Queiroz (e sim Rui Santos isto não dizes tu!), Bento juntou as tropas deu-lhes moral e mesmo recorrendo ao eterno play-off, levou Portugal ao Europeu. O 4-3-3 do conjunto nacional foi mantido pelo homem do losângulo. De forma astuta e reconhecendo as suas limitações, Portugal baixou as linhas e explorou o que de melhor tem: os extremos. Na Polónia e na Ucrânia, o sucesso foi evidente e só os malditos penáltis travaram a alma lusitana.

Contudo de lá para cá foi o descalabro total. Num grupo híper mega acessível Portugal perdeu pontos com equipas medonhas com Israel e Irlanda do Norte e colocou-se a jeito de no play-off receber uma amarga Suécia ou a fava vinda de França.

Este percurso horriblis ficará marcado pela insistência desmedida de PB na mesma táctica, nos mesmo jogadores e pela sua incapacidade de apresentar soluções e mudar o rumo dos acontecimentos.

Portugal SoccerEm quase todos os jogos, Portugal jogou demasiado mal, sofreu desnecessariamente e retratou um Sporting adormecido. Aquele de há uns anos, comandado por um pachorrento Veloso com o auxílio do 8 Moutinho, que perante a aselhice do 10, tinha de apagar fogos a mais e perdia-se no campo – tudo isto enquanto nas alas alguém bombeava desesperadamente bolas para área em busca de um santo milagreiro.

Eu gosto de crer nas convicções de Paulo Bento, mas custa-me acreditar que estas convocatórias não tenham palpites suspeitos. Só pode ser isso ou a sua teimosia desmesurada. Tenho dificuldade em admitir que exista alguém assim tão casmurro. Chegar à selecção deveria ser um prémio pelo bom momento. Suplentes ou jogadores não utilizados não deveriam sequer ser convocados.

Percebo que haja um núcleo duro de confiança do treinador e um grupo de excepções – onde craques como Ronaldo ou Nani têm de estar, mas daí em diante é preciso dar oportunidades a quem merece.

Na baliza, Patrício é indiscutível. Eduardo quando era reserva no Benfica, era chamado, agora que é titular em Braga fica de fora.

O eixo da defesa é uma anedota: Bruno Alves e Pepe são indiscutíveis. Neto é a alternativa de presente e futuro mais credível. Bento inclusive já lhe concedeu a titularidade em momentos decisivos da qualificação. Mas de um momento para o outro, passa a suplente do banalíssimo Ricardo Costa. Um jogador onde se destaca a assessoria de imprensa que não lhe permite cair no esquecimento. Tiago Ilori nos tempos de Sporting poderia muito bem ser chamado como 4º central, para se ambientar ao grupo e ganhar minutos em amigáveis. Reconheço que as opções não abundam mas a chamada de Sereno, que joga no penúltimo classificado da Turquia, em detrimento de José Fonte, que gere a defesa menos batida da Premier League, tem muito que se lhe diga.

Nos últimos amigáveis a opção para a lateral direita não fez sentido. Não está em causa a qualidade de André Almeida – que até acho que é manifestamente pouca, nem muito menos a capacidade de Cédric – está em forma, mas tem limitações evidentes. Precisando de vencer contra equipas medíocres que não passam do meio-campo e sabendo, que os seus extremos são vulgares, Bento abdicou de um lateral ofensivo que cruza bem, é titular no seu clube e está em forma, por outro que é um suplente certinho, não compromete, mas não passa do meio campo? Porquê? Almeida é mais forte no jogo aéreo – Pudera, tem mais 20cm que Cédric. Deixo só aqui uma pergunta, o nosso objectivo era mesmo ganhar? É que com estas explicações não parece.

No meio campo, William Carvalho, agora na Gestifute, brevemente terá a oportunidade que tem feito por merecer. Manuel Fernandes vai continuar inexplicavelmente a ser ignorado e Adrien – talvez o médio em melhor forma em Portugal, vai ter de esperar por uma chance do suplente Ruben Amorim ou do inenarrável Ruben Micael.

André Martins e Josué são as alternativas a Micael na posição 10. Se Martins tem feito por merecer esta convocatória, estranho a presença de Josué. O que fez no Dragão o rebelde portista que ainda não tivesse feito na Mata Real para estar na selecção? – Fora cuspir no adversário e marcar golos em penaltis duvidosos.

Só não percebe quem não quer. O caso Licá é em tudo idêntico a este.

Danny-Zenit-420x400Uma chamada de atenção para Danny. É a seguir a Ronaldo, o português em maior destaque no futebol internacional. Está a fazer uma época estupenda e poderia muito bem ser o abre-latas de Paulo Bento para a posição 10. Contudo tem sido preterido por Josué e Micael no miolo e por Varela e Nani nas alas. Danny percebeu há muito que não é opção e tem sofrido vários constrangimentos sempre que é necessário envergar a camisa das quinas. Uma pena, poderia ser muito útil.
Coisa que por muito que tente, Hugo Almeida nunca será. Pelo menos à nossa selecção. Talvez aos adversários, como mais um central, tal é a sua inabilidade e falta de pontaria com o esférico. Nelson Oliveira, sempre lembrado enquanto suplente do Deportivo, agora titular no Rennes, tem sido sempre última opção.

Outra questão perturbadora são as constantes ausências/ regalias que os jogadores do Real Madrid gozam no grupo: raramente jogam mais do 45 minutos em amigáveis e em jogos oficiais, só ficam até ao final se a partida não estiver resolvida. Após o empate com Israel, o capitão Ronaldo disse que faltou maturidade à equipa – isto depois de ter atirado a bola para o espaço para levar um cartão e voltar a Madrid mais cedo. Na última partida tivemos mesmo um caso simpático: Bento retirou Bruma de um importante confronto dos sub-21. O jogador estava no banco e era evidente que teria minutos de jogo. Portugal vencia por 3-0 contra 10 e o seleccionador opta por trocar Coentrão por Antunes. Inconcebível.

António Oliveira diz que são os fundos e os empresários que lá metem os jogadores e treinadores. Eu não duvido, ele próprio foi lá colocado dessa forma. Agora que está ressabiado com o irmão, diz que só veio a descobrir isto mais tarde. Rui Santos, aquele mesmo que na era Queiroz achava tudo lindo e justo, também acredita nesta tese e diz que não tem nada contra Paulo Bento. Não sem antes dar a entender que Pedro Barbosa está na TVI para defender Bento e Rui Jorge apenas está a orientar os sub-21 porque é amigo do seleccionador. Esta a precisar de Memofante, já que Barbosa está há imenso tempo na TVI – até antes de Bento chegar à selecção e Rui Jorge chegou aos sub-21 após um trabalho meritório no Belenenses. Na federação no tempo do amigo Queiroz, muitos foram os treinadores banais que lá passaram com o cunho da amizade como Oceano por exemplo. Os velhos do Restelo da FPF continuam lá, sem habilidades nenhumas a conduzir Ferraris como a selecção de sub-19 que esteve no Europeu da categoria ou os talentosos sub-20 eliminados este verão ano do Mundial.

Paulo Bento está a falhar. Nem amigáveis utiliza para rodar a equipa e experimentar outros sistemas tácticos. Mesmo assim acredito que cheguemos ao Mundial e seguindo a linha exibicional do Euro 2012, com sorte, consigamos ir longe. Depois é preciso reformar os quadros porque Bento não erra sozinho. O presidente da FPF critica Benfica e Porto por não apostarem na formação, mas a federação privilegia-os convocando os seus suplentes, em detrimento de jogadores titulares e em forma de outros clubes. Portugal precisa de um choque federativo que varra todas as equipas nacionais e intensifique a aposta na formação. Um trabalho geral em que imprensa, FPF e clubes têm de se unificar, abandonar as guerrilhas e colocar de parte os comentários de ocasião.

Paulo aproveita, deixa-te de teimosias e convocados de encomenda e pelo menos coloca-nos no Mundial!

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SONY DSCBruno Gomes

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One thought on “Hora de Mudança

  1. O lateral que não passa do meio campo fez duas assistências para golo cantado para dois falhanços incriveis, um de Coentrão e outro de Hugo Almeida… Certamente foram cruzamntos feitos atrás da linha de meio campo…

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