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Babucha e Manel (chamemos-lhe assim, de forma a proteger as reais identidades) protagonizam a estória da semana. Que passo a resumir, para os mais alheios da actualidade, em modo de grosso português.

Babucha é uma conhecida apresentadora de televisão. Forma física invejável e intelecto superior ao da maioria da sua camada profissional. Manel é um ex-ministro, professor universitário e que partilha com Sócrates o hábito de fugir para Paris, quando as coisas se complicam. Não fosse um intelectual e seria o 8º anão da Branca de Neve. E, sim, a altura do senhor conta para a estória.

Babucha e Manel decidiram, há uns anos, unir, de forma improvável, dois mundos. O da superficialidade televisiva e das capas de revistas cor-de-rosa, com o mundo da filosofia e da política, em livros de capas desinteressantes. Da união, nasceram dois filhos, cuja identidade não revelarei, avançando apenas que o segundo nome de ambos é Maria, embora sejam de sexos distintos.

Tudo parecia correr de feição nesta união, quando a bomba rebentou e Babucha decidiu acusar o seu Manel de lhe dar uns açoites, provando que os homens não se medem aos palmos, mas nas bofetadas que conseguem dar numa mulher com o dobro do seu tamanho. A opinião pública, já chocada com o lavar de roupa suja do ex-perfeito casal, e ainda não recomposta de chorar as nódoas negras da vítima, descobriu imediatamente que, para além de vítima, Babucha era também bêbada.

f_img_a585fdf3a8e9f30d42bbc139462455fbManel depressa se defendeu das acusações de violência, baseadas em filosofias extremistas, encontrando o álibi perfeito para as mazelas da sua gigante esposa. «A Bárbara alcoolizada chocava com paredes, caiu na minha quinta, numa sebe de cinco metros e cortou-se toda e partiu o telemóvel», contou Manel ao JN. Se a desculpa da queda para justiçar os efeitos de um bom chapadão já vem dos tempos dos meus avós, o facto de ser a mulher que leva que está bêbada, roubando o vinho ao homem que bate, é sim uma novidade dos tempos modernos.

Mas é sobretudo a confirmação da opinião que eu detinha em relação ao ex-casalinho. Sempre imaginei a Babucha a levar o Manel, pela mão, para todo o lado. A pegá-lo ao colo, quando ele estava mais em baixo. A dar-lhe uma reprimenda, quando este ia tarde para cama, porque se distraia a elaborar os seus Ensaios e Artigos. A ter uma atitude meiga quando ele não queria beber a caneca de leite. Se bem que, a acreditar nas afirmações do Manel, leite era algo que não abonava na casa chique do casal. «Ela acha que aquilo é que é vida, que a casa devia ser garrafas de uma ponta à outra, cheia de gente a entrar e a sair, e a porta aberta», contou o Manel em tom de birra. A porta aberta é que o tirava do sério.

E fechada estava a porta, quando Manel chegou um dia casa. Babucha barricou-se no conforto do lar e impediu que o alegado agressor lhe estragasse o momento da pinga. Ainda assim, e a fazer-me provar, mais uma vez, quem mandava naquela relação, Babucha «terá levado parte dos bens do ex-ministro para a Quinta de Viseu e guardado outra parte no carro», segundo apurou o Jornal I. Ora, isto a mim parece-me de mulher com os ditos no sítio. Depois de ter caído de uma sebe de 5 metros, e de ter feito queixa do seu Manel na PSP, ainda se preocupou em distribuir os pertences do seu pequeno pela Quinta e pelo carro. Não faças birras, oh Manel, que ainda encontrarás os livros de Nietszche que achas que ela te gamou.

Quanto à queixa de violência doméstica, feita pela Babucha, também acho que pode ter sido exagerada. É que ela acusa o Manel de a ter ameaçado com uma faca de cozinha. Mas, quem é que acredita que ele sabe onde se guardam as facas? Soubesse ele que estão na mesma gaveta que o saca-rolhas e poderia ser considerado culpado.

Manuel+Maria+Carrilho+e+Bárbara+Guimarães+com+os+filhos,+Carlota+e+DinisQuem culpa também o pobre Manel, sem casa e com o carro transformado em arrecadação, é o segurança que a Babucha contratou, para a proteger em casa e despejar as garrafas vazias. O senhor, que só estava a fazer o seu trabalho, garante ter sido agredido por Manel, que queria voltar a impor a sua presença em casa, segundo o método de Descartes: «Penso, logo existo». Resultado: Polícia e INEM chamados, àquela que é a casa mais vigiada do país, e onde Teresa Guilherme deveria fazer um Directo aos Domingos.

E no meio desta grande confusão, eu acho que, como a Babucha e o Manel, a culpa também vai morrer solteira. Pois, por um lado, o mal de Babucha foi fazer misturas desnecessárias, «com o álcool e o resto com silicones, botoxs, estrias e os muitos comprimidos que ela toma por dia», segundo afirmou o Manel ao JN. E é claro que misturar álcool com estrias é explosivo, convenhamos. Mas, por seu turno, Manel não é de todo inocente. Segundo o Palavras ao Poste teve oportunidade de apurar, em fonte próxima do casal, Babucha queixava-se frequentemente que o problema era ele não ter o Factor X.

Nota: Este é um artigo essencialmente irónico, sobre a «notícia» que encheu jornais e revistas nos últimos dias. E serve, no fundo, para criticar dois aspectos, que acho serem reflexo do estado dos media em Portugal. Primeiro, para criticar o próprio impacto do fait-divers na imprensa nacional. Porque, se se pensou que esta seria uma estória patrocinada por revistas femininas, depressa se conclui que a sua dimensão ia para além disso e se estendia à generalidade dos jornais, como se de um assunto de Estado se tratasse. Segundo, porque este escândalo transformado em notícia cai mal, numa semana em que o número de vítimas mortais, na sequência de casos de violência doméstica, subiu para trinta e dois. Significa que trinta e duas mulheres morreram em 2013, em Portugal, sem a mínima projecção. Porque os media não se preocupam em alertar para assuntos sérios. Estão, pois, ocupados, a descobrir quem bateu em quem, na casa da Babucha e do Manel. 

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maraMara Guerra

* Autora do «Visão Curta» e colaboradora do «Palavras ao Poste»

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2 thoughts on “O triste caso de Babucha e Manel

  1. 60% das vítimas de violência doméstica são mulheres, 40% são homens, esqueceu-se de expressar o seu pesar politicamente correcto em relação ao segundo grupo. Ou isso, ou faz parte da imprensa que só fala do mesmo fenómeno sempre pelo mesmo ângulo.

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