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Este fim-de-semana disputou-se mais um clássico do futebol espanhol. O placar sorriu, como tem sido habitual desde os tempos de Guardiola, à equipa catalã: Barcelona 2 – 1 Real Madrid.

O Barça manteve a identidade e sem deslumbrar conseguiu uma vitória justa frente à equipa de Madrid. No entanto, o que mais uma vez sobressai na imprensa espanhola e na portuguesa (não fosse o Real Madrid o 4º grande do futebol nacional – https://palavrasaoposte.wordpress.com/2013/03/25/o-4o-grande-de-portugal/) é um penálti que ficou por marcar e que daria o empate à equipa de Madrid.

1380614435_353444_1382852927_album_grandeO lance na liga inglesa – sempre referência quando se analisam questões de arbitragem – seria ignorado, como na verdade foi, e não causaria a celeuma que está a provocar. Não considero que tenha sido falta, mas percebo os indignados: o árbitro sancionou faltas muito menos “visíveis” que aquela e já que as marcou deveria também ter condenado Mascherano pelo encosto em CR7. Durante a partida, outro penálti claro, desta vez de Pepe sobre Fàbregas, foi ignorado pelo árbitro – sem que ninguém se lembrasse que poderia dar o 2-0 aos blaugrana e travar de vez o Real Madrid. Outro lance de difícil análise ocorreu na área do Barça, quando Adriano, caído no chão, viu a bola embater-lhe no braço. Undiano Mallenco, mandou jogar – uma decisão complicada mas que se percebe, já que a jogada é de bola na mão e não de mão na bola. Serve isto para dizer que tanto Barça como Real têm razões de queixas da arbitragem apesar dos merengues quererem eternamente – através de jogadores, treinadores, site e até dirigentes – passar a imagem do pobre injustiçado que sempre é derrotado pelo rival, graças ao apito amigo.

Este choradinho constante quase  oculta factores que estão à vista de todos: o Real Madrid sempre que defronta o Barcelona, inventa tacticamente, é inferiorizado em campo e raras são as vezes em que termina as partidas como vencedor incontestável. Os madrilenos são a par do Barça os dois grandes tubarões do futebol mundial e pelo peso que cada um tem acabam por ser igualmente favorecidos nas questões de arbitragem. Basta analisar as últimas duas partidas dos merengues frente a Elche e Juventus.

0405_record_4139mCom os jogadores que tem e com aquilo que gasta anualmente em reforços, o mínimo que se exige ao clube mais titulado do mundo, é que dispute os jogos frente ao seu rival de igual para igual e practicando um futebol positivo e de ataque.

Não tem sido essa a opção dos treinadores merengues, que preferem jogar como equipa pequena e com um estilo de contra golpe. Foi assim com Mourinho, que com um plantel com nomes como Kaká, Ozil, Higuían, Benzema, Dí Maria, Ronaldo ou Modric, nunca conseguiu ter o sucesso que se exige ao Real Madrid. Mesmo que invoque a liga dos 100 pontos e milhões de golos, não deixa de ser pouco para a dupla Real/Mou. O tempo veio provar que essa temporada tão valorizada por Mourinho, foi uma época isolada e que a hegemonia blaugrana ainda se mantem. Na última época mesmo com o treinador, na maioria do tempo, ausente, os catalães venceram a liga sem o mínimo de concorrência.

Special One tentou de tudo nos duelos Barça/Real: desde Pepe no meio campo, até Coentrão a lateral direito.

0025_marca_1843cEste ano Ancelotti manteve a mesma toada e preferiu descaraterizar a equipa do jogar de igual para igual com o Barcelona. Mais uma decisão estranha a juntar aquelas que tem tido o italiano: incompreensivelmente vendeu Ozil. O alemão foi substituído por Isco, que passou de indiscutível a suplente não utilizado – até o jovem Jesé já o passou na hierarquia; Sem necessidade alguma o Real contratou Gareth Bale, que até agora continua sem render e sem ter um lugar definido no onze – no clássico foi um desastre como falso 9; Para reforçar o miolo a aposta recaiu em dois homens: Casemiro – revelação da pré-época que agora não joga, e Illaramendi que custou quase 40 milhões de euros, sem que ainda tivesse mostrado futebol para isso – Se fosse português e se chama-se Coentrão, o que não diria a imprensa de Madrid!Para culminar todas estas opções duvidosas, o auge deu-se com a colocação de Sergio Ramos a trinco no Camp Nou.

Ronaldo cmO treinador italiano amedrontou-se totalmente e viu o Real mais uma vez vergado ao domínio, consentido, dos catalães. No final do jogo, nada disso interessava. A falta de uma estratégia clara do clube e de um estilo de jogo definidos, a péssima abordagem ao jogo e a ineficácia merengues, já tinham explicação. Ancelotti chiou, Marcelo idem, mas o símbolo da revolta foi o capitão Sergio Ramos:

“A equipa voltou a dar a cara, mas há coisas contra as quais não se pode lutar. Houve um penálti claro. Acho que os madridistas podem sentir-se orgulhosos. Só posso parabenizar os meus colegas porque há muito tempo que não se via o Barcelona em apuros.” – Realmente há coisas contra as quais não se pode lutar, como por exemplo a tua agressividade desmedida, sem nexo e a tua cara de pau para criticar quem te protege – Se o árbitro tivesse sido rigoroso, terias sido expulso naquele minuto 13 em que por duas vezes e sem qualquer necessidade ergueste o cotovelo para derrubar um colega de profissão. Um capitão do Real Madrid dizer que tem de parabenizar a equipa porque colocou o Barça em apuros é no mínimo caricato. Ramos deveria saber que historicamente o Real Madrid não se contenta em colocar os rivais em apuros.

0255_abola_4137cEm suma: Neymar esteve em grande, abafou o brilho de Messi e Ronaldo – ficou evidente a Ronaldodependência dos merengues – Valdés esteve intransponível, Khedira foi dos que mais empurrou o Real para a frente, Gareth Bale esteve desaparecido e Alexis brilhou ao matar o jogo. Aquilo que importa dizer: o Real Madrid com aquilo que gasta e com os jogadores que tem, pode e deve jogar olhos nos olhos com o Barça. Contudo, aos olhos da generalidade da imprensa e dos adeptos e atletas do Real perdeu porque o árbitro não marcou um penalti. A imprensa portuguesa, devia ter vergonha da forma como aborda estas questões. Em Portugal desde 1982 que se assistem às maiores atrocidades no atropelo da verdade desportiva, mas quem as devia denunciar, só sabe elogiar as “estrouturas”. Os cobardes só saem da toca para defender cegamente os amigos que trabalham lá fora. Aí conseguem ver no estrangeiro tudo aquilo que por cá ignoram. Uma mentira dita muitas vezes, quase se torna verdade.

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SONY DSCBruno Gomes

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8 thoughts on “Real Negação

  1. Belo artigo para o ensaio sobre a cegueira. Só li as primeiras linhas, quando dizes que não foi penalti que todos admitiram existir, ignorei o resto do lixo para não perder o meu tempo.

    • É uma pena que não tenhas lido o resto do texto, talvez assim conseguisses argumentar de forma pertinente e educada. De qualquer forma, obrigado pelo teu comentário. Esperamos ver te por cá mais vezes.

    • Para a crítica da cegueira, fica aqui que ja o resto, e acho que coincide com as espectativas, e quem esta cego nao sou eu, pois parece que alguem se esqueceu das estatisticas, ou porque só quis opinar, ou porque considera a opiniao pessoal tao correcta e realista que nem precisa de olhar aos dados de jogo. Ficam aqui 2 pontos, há mais mas deixo me estar por aqui.

      1-alguma argumentação? ok, eu argumento com factos.

      Isto sim é uma Real Negação: http://prntscr.com/20p2wg (podes confirmar em http://www.uefa.com)
      Real com “apenas” +50% de remates à baliza, e 45% da posse de bola, ou seja nao ficavam a aborrecer o publico com o tiki taka que tanta posse deu e não se traduziu em mais oportunidades. (ainda me lembro do entediante jogo na luz com o barcelona a chegar aos 75% de posse de bola na segunda parte)

      2- “”Aquilo que importa dizer: o Real Madrid com aquilo que gasta e com os jogadores que tem, pode e deve jogar olhos nos olhos com o Barça. “”

      R:Segundo as estatisticas nao só olhou nos olhos como teve mais oportunidades (+ 50%), e ignorando toda a polemica, pode se dizer que o Real falhou foi na finalizaçao.O neymar marcou com uma bola que desviou o suficiente para enganar o Diego lopez (e isso que eu saiba é considerado sorte) e o benzema atirou ao poste (e isto é um evento chamado de azar). É um detalhe, que em qualquer outro jogo as coisas poderiam ser diferentes. Um empate ou até vitoria do Real nao teriam sido injustas fizermos uma análise séria às estatisticas.

      Barcelona esteve longe do que já fez noutros tempos. E nao só com o Real.

  2. Gomes. concordo praticamente com tudo, menos quando dizes que o lance com o Ronaldo não é penalti. Ser empurrado pelas costas, é penalti em qualquer liga do Mundo, na premier league também.

    • Obrigado pelo comentário Tiago. Eu pessoalmente não marcaria, mas acho que é uma questão de critério: ele ao não marcar aquele penalti, errou porque marcou várias outras faltas do mesmo estilo. Abraço

  3. Menos Bruno menos…hehe..eu ao contrario do outro Bruno, li tudo o artigo , e apesar de não concordar com tudo, devo reconhecer que o golo do Alexis é de outro planeta….Já é tempo de aprendermos a ganar e a perder sem mais….

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