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Que o futebol é imprevisível já todos sabemos. Porém, no meio dessa imprevisibilidade, há no Benfica uma linha regular, uma gotinha de azeite que teima em aparecer no meio das gotículas de água: todas as temporadas, os encarnados enfrentam um número exagerado de jogos decisivos, os chamados match points. Esta época não tem sido diferente e, chegados à primeira semana de Novembro, mais dois jogos de mata-mata, como Scolari gostava de lhes chamar: a deslocação a Atenas, decisiva nas aspirações para a Liga dos Campeões; a recepção ao Sporting, decisiva na continuidade na Taça de Portugal.

Porém, estes nem são os primeiros jogos decisivos na temporada encarnada. Começaram logo à terceira jornada, com a deslocação a Alvalade. Depois de perdidos três pontos na Madeira, o Benfica não podia dar-se ao luxo de voltar a ser derrotado e ficar já ali a seis pontos de Sporting e, sobretudo, do FC Porto, clube que nos habituou a perder tão poucos pontos. Desse jogo, o Benfica saiu vivo mas atordoado. Saiu a cinco pontos do FC Porto mas ganhou alguma bagagem psicológica, empatando na casa do eterno rival, mesmo que jogando muito pouco.

Agora, algum tempo depois e numa posição ligeiramente mais confortável no Campeonato, seguem-se Olympiakos e novamente o Sporting, desta vez em casa e para uma nova competição. Não é habitual ver equipas chegarem à segunda semana de Novembro já com três jogos realizados de “vida ou morte”. No Benfica é. É-o este ano, porque começou mal e não pode perder os comboios das competições onde está inserido. Foi nos anos em que começou bem, porque nunca conseguiu descolar do adversário directo (leia-se FC Porto), mesmo que esse jogue mal e precise de um empurrãozito em momentos cruciais da época. Na temporada passada o Benfica teve match points desde Fevereiro, entre Liga Europa, Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga. Uma série incrível de jogos onde não podia perder ou empatar. Lembro-me perfeitamente de, lá para Março, ver descansado um Benfica-Paços de Ferreira a contar para a segunda-mão da Taça de Portugal depois da vitória encarnada na Capital do Móvel por 2-0. Soube bem. Entre Fevereiro e Maio, em dezenas de jogos, pairava sempre a ideia que um deslize seria fatal. E, quando menos se esperava, esse surgiu em casa contra o Estoril.

Em Atenas, no jogo de hoje, perder significa dizer adeus à Liga dos Campeões (mesmo que alguns se agarrem ao «matematicamente» para tentar provar o contrário). Empatar a zero é também um péssimo resultado porque dá aos gregos vantagem no confronto directo. Se for esse o resultado, resta ao Benfica ganhar em Bruxelas e esperar que o PSG alcance a qualificação (talvez já hoje) e o primeiro lugar no grupo o mais rapidamente possível e que venha à Luz, na última jornada, com uma equipa recheada de segundas opções (que são, também elas, muito boas). Só a vitória diante do Anderlecht não chegará porque os gregos não terão dificuldades em bater o mesmo adversária em casa.

Não estão, por isso, fáceis as contas do Benfica. É preciso ir ao inferno de Atenas marcar golos. E é aí que entra Jorge Jesus e o seu papel fulcral para este jogo: a escolha da táctica e dos intérpretes. Achei curioso ver que os jornais desportivos Record e Bola surgem hoje com antecipações diferentes do onze benfiquista. Escreve o Record que os encarnados entrarão em Atenas com Cardozo e Lima no onze inicial, na já habitual táctica suicida de Jorge Jesus, que despovoa o meio-campo e perde o controlo do jogo. A Bola, por seu lado, antecipa (ou deseja?) um onze diferente, um 4-3-3 com Enzo Pérez e Rúben Amorim juntos no miolo e Cardozo sozinho na frente. Espero que se concretize o onze d’A Bola. O Benfica tem que ir a Atenas ganhar mas para que o consiga fazer tem que apresentar uma equipa equilibrada. Tem que ir a Atenas marcar golos mas não é com mais avançados que a equipa fica mais perto da baliza adversária. E basta recordar o jogo entre as duas equipas na Luz para perceber que, se não fosse o dilúvio, o jogo teria sido de sentido único. A chuva e o campo alagado, admita-se, beneficiou o Benfica que viu na primeira parte o seu “meio-campo” com Matic e Enzo Pérez completamente atropelado por um miolo grego que chegava a ter quatro jogadores em zonas centrais (Samaris, Fuster, Salino e Domínguez). E, por outro lado, atendendo à ausência de Rodrigo nos convocados, parece difícil acreditar que Jesus entre com Cardozo e Lima e sem avançados no banco para o que der e vier. Pessoalmente, tremo só de pensar no onze que acho que o Benfica vai apresentar: entra Rúben Amorim, Enzo Pérez joga na direita e Markovic no apoio a Cardozo. Uma morte anunciada…

Depois do jogo em Atenas as águias não terão tempo para descansar. As baterias voltam-se logo para o jogo contra o Sporting. O sucesso nesse desafio passará, também, pelo que vier da Grécia. Entrar pressionado por um mau resultado contra o Olympiakos poderá ser meio caminho andado para o fracasso. Chegar com a moral em alta depois de um bom resultado pode ser o clique que falta a nível motivacional. O certo é que aqui já não se aplica o «matematicamente». Só a vitória interessa no caminho para o Jamor. E é por isso também um match point para o Sporting.

São dois jogos absolutamente decisivos em cinco dias. A época do Benfica passa por aqui. Estamos em Novembro mas já andamos com o coração nas mãos. É a sina encarnada. No final, tudo valerá a pena se os canecos seguirem para a Luz.

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joni_desenhoJoni Francisco

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