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Não diria nada de novo se escrevesse aqui que o jogo de amanhã pode decidir o resto da temporada de Benfica e Sporting. Nada de novo até poderia não ser, mas algo exagerado seria certamente. Faz parte das antevisões destes jogos dizer coisas do género, como que ganha sempre a equipa em pior forma, que não há favoritos, ou que a classificação no campeonato pouco ou nada interfere no resultado final. Apontam-se os microfones para os Carlos Xavieres, Tonis e Octávios Machados desta vida e recolhem-se as mesmas opiniões de sempre.

No final, é no relvado que tudo acontece, é durante aqueles 90 minutos que a história é escrita, por muito que os prognósticos, análises e clubites disfarçadas de observações tentem inventar e divagar. E depois, quando a bola deixa de rolar,  a lenga-lenga volta ao ponto de partida. As queixas de uns, a festa de outros, e a precipitação de certezas e conclusões que desenham o destino fatal de uma equipa e a caminhada triunfal de outra.

Defender aqui, por isso, que uma derrota do Benfica aproximaria a saída de Jesus e um fracasso do Sporting complicaria o percurso de Jardim e a perda do objectivo mais realista da temporada, seria mais do mesmo. Não o farei.

Olhando para os presumíveis onzes que se enfrentarão amanhã à noite no Estádio da Luz, vejo dois conjuntos de jogadores completamente diferentes, com arcabouços e armas drasticamente distantes. Expectativas diferentes, objectivos diferentes, pressões diferentes…e carteiras diferentes.

Se nos tentarmos alhear desse pormenor, o que é sempre um risco e uma tentação nestas alturas, quer para uns, quer para outros, vemos duas boas equipas, com identidade. Conseguimos perceber exactamente o que cada uma, com os seus argumentos, procurará fazer naquele relvado.

Se fecharmos os olhos, sabemos exactamente como o Benfica irá jogar, assim como o Sporting. E independentemente das apostas sobre uma ou outra equipa, não temos dúvidas, para o bem e para  o mal, sobre como cada uma delas se irá comportar em campo. Os encarnados apoiados pelo factor casa, sempre balanceados para o ataque, tentando abrir o marcador o mais cedo possível; os verde e brancos tentando controlar o posicionamento do adversário, apostando tudo numa forte pressão e recuperação da posse de bola para chegar à área adversária.

O que significa, desde logo, que falamos de duas equipas com personalidade. No Benfica, o desgaste de Jorge Jesus, perante a massa associativa e os seus jogadores, faz com que os encarnados não consigam revelar hoje, e com tudo o que ficou para trás na Era Jesus, a sua personalidade durante 90 minutos, em séries de mais que três, quatro jogos consecutivos. Mas ela está lá, existe e é a prova viva da competência do técnico da Amadora, mesmo que ele se vá embora depois de amanhã. E isso já não é nada mau para um clube em constantes convulsões nos últimos anos, e nomeadamente antes da sua chegada.

No Sporting a identidade é hoje mais visível e forte por força dos resultados dramáticos da última temporada, e de uma mudança total no paradigma de gestão no clube leonino. Leonardo Jardim chegou há pouco tempo a Alvalade e conseguiu pôr a equipa a jogar à bola. Ter dotado a formação de Alvalade de uma identidade de jogo é praticamente uma Taça para o clube leonino, que neste ano zero pode ajudar a colmatar as outras que não forem conquistadas. É que por muito que o Sporting seja hoje uma equipa equilibrada, a diferença dos nomes (e das pernas) dos 18 ou 19 jogadores chamados para amanhã é suficientemente grande para que um simples gesto ou uma simples variação na velocidade de raciocínio num qualquer lance da partida decida o encontro num piscar de olhos.

Os jogadores mais fortes, mais técnicos e mais inteligentes custam mais dinheiro. Mas todos eles precisam de ser guiados e bem orientados. Se o Benfica antes tinha o dinheiro e faltava-lhe a orientação, com Jesus finalmente fez-se Luz na Catedral e a música começou a tocar. Mas agora, com o maestro desacreditado e desautorizado, resta à orquestra conseguir apanhar o balanço e fazer sobressair as individualidades no timing certo.

Ao mesmo tempo, Leonardo Jardim espreme o talento dos jogadores que tinha em casa e em quem confiou, seguindo a política do clube de Alvalade. Descobre, em Alcochete, a inteligência, a cultura, e também a técnica, de matéria-prima ainda em bruto, apesar de desenvolvida, ainda com muito por trabalhar. Matéria que não custa dinheiro, mas que tanto pode ajudar a ganhá-lo (e a perdê-lo). E o Sporting sabe muito bem como é tão fácil perdê-lo. Os riscos dessa aposta são postos à prova em jogos como o de amanhã, que decidem coisas. Mas no final, valha a verdade, a factura a pagar, dadas estas diferenças, será sempre muito mais alta para uns do que para outros.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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