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Nas últimas semanas muita tinta fez correr a intenção da Câmara Municipal de Lisboa em construir, com participação de dinheiros públicos, uma estátua em homenagem a Cosme Damião, fundador do Benfica. Obviamente, sou contra. Numa época de crises e cortes, gastar um euro que seja numa obra clubística é aumentar o leque de políticas habituais e descabidas em Portugal. Pouco me interessa se a estátua é para o Barbas, o Diabo de Gaia, o Taxista Máximo, a senhora do Leão ou para o Manuel do Laço, simplesmente não faz sentido.

O FC Porto reagiu em comunicado e eu não podia concordar mais: “Em causa não está tratar-se deste ou daquele clube, em causa não está uma qualquer associação entre uma câmara, ou outra entidade pública, num projecto que crie emprego, crie valor, mas sim o luxo de se continuar a gastar tão mal o dinheiro de todos nós.” Os azuis e brancos estiveram muito bem neste comunicado só se esqueceram que andam há anos a pagar apenas 500 euros de renda no Centro de Estágio do Olival, num empreendimento que custou aos contribuintes de Gaia e de todo Portugal, uns trocos na ordem dos 16 milhões de euros. Mas isso são águas passadas e fico feliz em perceber que agora se preocupam com os bolsos nacionais e estão dispostos a comprar o empreendimento, ressarcindo os portugueses do dinheiro que nos têm sonegado.

O presidente Luís Filipe Vieira é especialista em obras. Já fez um estádio, um centro de estágios, um museu e se os benfiquistas realmente quisessem uma estátua, ele tratava do assunto em dois tempos. O amigo António Costa e a sua trupe precipitaram-se, desnecessariamente, mais uma vez. Até simpatizo com o trabalho que o líder da Câmara de Lisboa tem feito na capital, só não lhe dei o meu voto porque não gosto de presidentes a prazo. Se em vez do velho e bom “estou aqui para servir a cidade/país” tivesse escutado um “estou aqui para crescer na vida política, enriquecer, saltar em dois anos para o lugar de primeiro-ministro ou presidente da república e se possível desenvolver a região” talvez tivesse alterado a minha orientação de voto.

Como não alterei e porque esta história tem causado tanta polémica, faço uma sugestão a António Costa: uma estátua para o Zezinho. O Zezinho não é Cosme Damião, mas também é benfiquista. Já sacou tanto aos contribuintes que de certeza que estes não se importariam em comparticipar com mais uns euros nesta merecida homenagem. Por uma questão de justiça e de concordância com a lata do homenageado este monumento deve ser todo ele feito em latão –  é a minha única exigência.

Rei da Covilhã, o Zezinho esteve anos a fio a guiar os destinos do país com os resultados que se sabem. Foi ele um dos, senão mesmo o principal, responsável pela situação precária em que todos vivemos. Depois de andar meses e meses a varrer as contas todas para debaixo do tapete, à espera de algum milagre, Portugal descobriu que o menino já não sabia onde havia de buscar dinheiro para pagar tantas facturas. O pequeno filósofo teve de chamar os amigos da Troika e mesmo depois da sua chegada lá foi alegando que sozinho resolvia a coisa. Como? Ninguém sabe. Nas urnas os portugueses de memória fresca lá o despacharam para umas férias douradas a comer croissants em França. Zezinho finalmente foi estudar e voltou de França com um canudo e amnésia. Esqueceu-se de quem é, o que fez e aquilo que representou ao longo dos últimos anos na vida de cada um de nós.

LIVRO55SOCRATES55O poder está tremido e o nosso menino está ávido dele novamente. O regresso à Pátria deu-se em grande com o apoio do insuspeito mensaleiro Lulinha “Eu não sei de nada” da Silva, aquele pai de família que viu o seu jovem filho, durante o seu mandato, passar de empregado do jardim zoológico a fazendeiro milionário. Contingências da vida.

Outra figura que sofreu imenso enquanto comia e bebia do melhor em hotéis de luxo na capital francesa, foi o Soares das pensões. Como não podia deixar de ser, ele ainda acredita que Sócrates é fixe e tem sido um dos principais entusiastas deste regresso. Um regresso que é vergonhosamente patrocinado pela RTP, com declarações e entrevistas constantes do desmemoriado Zezinho. Dizem que ele não é pago, mesmo que não o seja está a servir-se de um canal de utilidade pública para auto propagandear-se em horário nobre e isso não tem preço.

Esta figura está em todo lado, são entrevistas, reportagens, imagens em “Alta Definição” tudo para mostrar um homem diferente daquele que andou a troçar com as nossas caras durante seis anos. Esse era outro. Este é um homem mudado, experiente, mais culto, vivido, na verdade um grande injustiçado que merece uma segunda oportunidade de mostrar todo o seu valor humano e político.

É esta história da carochinha que o menino Zezinho se vai preparando para nos contar. Ele é perito nisto: contar, recontar, recriar, voltar a contar e iludir, assim pura, e consecutivamente, qual mágico que baralha e volta a dar. A ambição e o cheiro a poleiro, ecoam em todos os passos deste galo francês. Convêm que a nossa curta memória política não nos atraiçoe novamente. Com a mão-de-obra assegurada pelos contribuintes, algum ferro velho disponibiliza o latão e aí só falta escolher o local para a estátua. Aceito sugestões mas deixo já a minha: em frente à Assembleia da República, para que ninguém se esqueça do pesado legado do Zezinho e da tortura em democracia que foram os últimos anos e podem vir a ser os próximos. Au revoir.

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SONY DSCBruno Gomes

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