Home

Vibro imensa com as vitórias da selecção nacional mas nada que se compare com a felicidade que as vitórias do meu clube me trazem. Isto tem duas explicações simples. Primeiro porque foi a paixão pelo Sporting que despertou em mim o interesse pelo futebol e depois porque não sou um apreciador de injustiças. E quando falo de injustiças relato tudo aquilo que envolve a Federação Portuguesa de Futebol desde que me recordo de acompanhar a selecção nacional. São muitas controvérsias: escolha e eleição de presidentes e treinadores por pessoas ligadas aos poderes instalados, convocatórias por encomenda de atletas de certos empresários, exclusão de outros para facilitar/prejudicar eventuais negócios, etc.

Uma das grandes injustiças que sempre marcou a minha relação com a equipa das quinas foram as divisões clubísticas que se sentiam antes da geração Scolari. Havia quase um sentimento de torcer para o sucesso individual dos jogadores do clube x, do que propriamente para o colectivo português. Esse sentimento patético, até é legítimo para o adepto comum, mas nunca para entidades que se querem isentas e para profissionais da área de imprensa.

Infelizmente, como é habitual no nosso país, não foi isso que vimos nos últimos tempos. Após a partida com Israel, onde Rui Patrício falhou ao permitir o empate israelita, cedo as vozes de burro se fizeram ouvir, disparando em direcção do, até então, imaculado percurso do guardião na equipa nacional. Por ventura esqueceram-se do jogo absurdamente mau que Portugal tinha feito, e das exibições medonhas dos restantes atletas, aliás como foi práctica corrente em quase todos os jogos de qualificação para o Brasil.

wdiagDe lá para cá Patrício voltou a falhar, desta vez no derby eterno. Mas a verdade é que se não fossem os diversos milagres que operou  nessa partida, provavelmente o Sporting não teria sequer chegado ao prolongamento. Em 6/7 oportunidades falhar uma e defender 5/6 parece-me um registo francamente bom. Mas não o suficiente para convencer a generalidade da imprensa nacional que o crucificou em praça pública. A coisa tomou proporções desmedidas quando na última semana, um jornal tido como isento tratou, pura e simplesmente, de ignorar o guardião nacional na capa de antevisão do decisivo jogo em solo sueco.

Uma capa de beleza simbólica que apelava ao orgulho, ao patriotismo nacional e à ambição de vitória de todo um país. A esperança do jornal e de todos os portugueses estava na garra daqueles 11… Ups, 10 homens! Artur Moraes_A Bola_5Set2011Sim, nós íamos jogar a Estocolmo sem guarda-redes. Uma falta de respeito e bom senso que roça o ridículo. Ou se faz uma capa de apoio com todos, ou apenas se destacam alguns. Agora invocar toda a equipa e ignorar Patrício diz muito das injustiças que referi anteriormente. Este esquecimento temporário do número 1 português, até surpreende, vindo de um jornal que já foi visto com frequência a fazer campanhas de apoio a um guarda-redes estrangeiro na sua selecção nacional. O que já não surpreende é o péssimo serviço público, na área do desporto que por vezes é prestado, pela RTP- Rádio Televisão Portuguesa, ou Portuense – confesso que já não sei, às vezes até penso que estou a assistir ao Porto Canal.

Desta vez o Huguinho, decidiu entrevistar ao estilo FAMA SHOW – sempre em buscar de conhecer as intimidades e os sentimentos do entrevistado – os jogadores da selecção nacional, mas preferiu, qual inspector da PJ, interrogar Rui Patrício. Se era para recordar os erros dos atletas nacionais, porque não perguntou a Bruno Alves, o motivo pelo qual deixou Ibrahimovic saltar sem oposição no 1º golo sueco? Ou então a Miguel Veloso porque cometeu aquela falta ridícula que deu origem ao bis do avançado do PSG? Se o objectivo era mesmo uma entrevista cor-de-rosa porque não questionou Patrício sobre o seu sentimento ao fazer aquela soberba defesa, antes de CR7 abrir o placar?

Juro que gostava muito de entender. Assistam o vídeo, tirem as vossas conclusões e se alguém conseguir perceber, por favor faça o favor de me explicar. 

É comovente cantarmos aos quatro ventos o apoio a Portugal e pedirmos aos lusitanos que se deixem de clubismos e prevaleça a união em torno da selecção. Mas quando quem devia dar o exemplo, prefere tratar uns como filhos e outros como enteados, está tudo dito. Não peço que a paixão que têm por alguns seja transportada para outros, mas há duas coisas que são muito bonitas: respeito e igualdade de tratamento. Se assim não for continuaremos a jogar com 10 cisnes e um patinho feio.

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO ENTRE EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’ E ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

SONY DSCBruno Gomes

Anúncios

2 thoughts on “Patinho Feio

  1. Pingback: A culpa é do Patrício! | Palavras ao Poste

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s