Home

O Campeonato parece estar mais ao rubro que nunca. Reforço o ‘parece’. Porque dá apenas ares disso, na verdade está longe de entusiasmar. Um único ponto separa o primeiro do terceiro classificado, jogadas que estão as primeiras 10 jornadas da Liga – um terço da competição. Mas os jogos do fim de semana que envolveram os três grandes serviram apenas para comprovar duas certezas: que esta Liga está nivelada entre os crónicos candidatos, mas por baixo; que nenhum dos três se pode rir do adversário no que a exibições diz respeito.

O empate do FC Porto foi a surpresa da jornada. Mas, quem viu a partida, não pode ter ficado chocado com o desfecho final. Este Porto não é – nem conseguiu ser até este momento – aquilo que nos habituou nos últimos anos. Não é sequer um Porto ao nível (que já não era alto) que nos habituou nos tempos de Vítor Pereira. Porque se o técnico da mosca no queixo foi ferozmente criticado pela fraca espectacularidade das suas equipas, um mérito não lhe podemos tirar: as suas defesas eram blocos quase intransponíveis. Ora, Paulo Fonseca chegou envolto numa espécie de nevoeiro branco sebastianista, mas foi pior a emenda que o soneto. O FC Porto versão 2013/14 continua a não ser espectacular no ataque e agora nem defender sabe (na prática, faz lembrar um pouco o Benfica quando dispensou Quim para ir buscar Roberto). Era impensável ver, nos tempos de Vítor Pereira, um rol tão extenso de erros defensivos e um leque tão alargado de jogos nos quais os Dragões deixaram que o adversário chegasse ao empate depois de estarem em vantagem. Habituei-me a ver os jogos do Porto somente até ao primeiro golo azul-e-branco. Depois, mudava de canal. Estava feito. Hoje não é assim.

Paulo Fonseca pode queixar-se da falta de matéria prima para o sector mais avançado. Vítor Pereira tinha o mesmo problema. Mas os intérpretes que tem no meio campo defensivo e na defesa obrigam a que o seu Porto faça mais e melhor. Porque, ultrapassada a 10ª jornada, o ataque do Dragão é bem menos produtivo que na temporada passada (20 golos marcados face aos 26 do mesmo período da temporada passada) mas a menor acutilância ofensiva não tem significado uma menor exposição na defesa. Os 24 pontos deste ano estão muito próximos dos 26 da temporada passada mas a tremedeira que vemos na linha defensiva do FC Porto não deixa ninguém indiferente.

No Benfica, a recepção ao Sporting de Braga trouxe um regresso a um certo estado vegetativo. Ou melhor, a um estado de coma. Um coma induzido pelo seu treinador. Jorge Jesus ignorou a substancial melhoria de performance associada ao 4-3-3 utilizado em Atenas e na recepção ao Sporting, voltando à táctica suicida que tantas vezes já aqui foi criticada por mim e pelo meu amigo Bruno Falcão Cardoso. Sem Rúben Amorim, lesionado, Jesus não vê no plantel soluções para uma estratégia com três elementos no miolo. Um atestado de incompetência passado, por exemplo, a André Gomes. Uma demonstração de falta de confiança naquilo que Nicolás Gaitán ou Bernardo Silva (têm visto o menino jogar?) podem fazer à frente de Matic e Enzo Pérez. Nem a lesão de Cardozo fez Jesus voltar atrás na decisão suicida. A solução escolhida foi a mais simples: Lima passou a fazer de Cardozo e Djuricic desempenhou o papel de Lima. Dois avançados, um ligeiramente atrás do outro. O resto da história já todos sabemos. O Braga foi mais equipa, rematou mais, rematou com mais perigo e só não ganhou na Luz por manifesta falta de sorte e porque está numa fase em que tudo lhe corre mal. Valeu ao Benfica Matic, numa segunda parte assombrosa, que num meio campo a dois com Enzo Pérez teve que desdobrar-se em múltiplas acções. O golo, onde juntou recuperação de bola, progressão e finalização, é disso o melhor exemplo.

Comparando a performance com a da temporada passada, são apenas três pontos a menos. Mas é demasiado redutor ficar por aqui. O nível exibicional é escandalosamente inferior, os 17 golos marcados ficam muito aquém dos 25 da temporada passada e também os golos sofridos (7) são hoje mais que os consentidos em período homólogo da época anterior (6).

Quem melhor começou esta temporada, a nível de exibições, foi o Sporting. Contudo, os Leões têm perdido algum gás nos últimos jogos, nomeadamente na deslocação ao Dragão, na recepção ao Marítimo e agora na deslocação a Guimarães. A primeira metade de jogo do Sporting na cidade berço foi pouco mais que miserável. Ao intervalo, era a equipa da casa quem já merecia estar na frente. O segundo tempo foi melhor mas mesmo assim a milhas do que já vimos da equipa de Leonardo Jardim. No final, valeu o faro de Slimani e um erro incrível de Abdoulaye. E ficou também, já agora e como nota positiva, o registo de nenhum golo sofrido, algo que tem sido pouco frequente para os lados de Alvalade.

Seria um exercício inútil comparar a prestação do Sporting desta temporada com a da versão 2012/13. Que se compare com a dos melhores. O Sporting é o melhor ataque da prova, e a terceira melhor defesa. Bons números, mas muito inflacionados pelas meritórias primeiras jornadas, sobretudo no que a golos marcados diz respeito.

Cumprido que está o primeiro terço do Campeonato, é o acumular de pontos que vai satisfazendo os adeptos dos três grandes. Em Alvalade, a margem de manobra de Jardim é manifestamente maior que a dos seus rivais, como não poderia deixar de ser. Jardim continua, de forma inteligente, a manter a fasquia baixa, mesmo que volta e meia o seu presidente a tente puxar para cima. Jesus e Fonseca não o podem fazer. O primeiro porque tem à sua disposição os mesmos intervenientes (e mais alguns) que permitiram alcançar níveis altíssimos na temporada passada. O segundo porque foi contratado precisamente porque a fasquia com Vítor Pereira não tinha ficado alta o suficiente.

Há muito campeonato pela frente, boa margem para que os níveis exibicionais subam (ou voltem a subir, no caso do Sporting). Em último caso, podemos sempre ter uma Liga à imagem da de 2004-2005, quando no final não ganhou o melhor mas sim o menos mau (ou o que menos pontos perdeu, como quiserem). Hoje, os grandes perdem menos pontos. O clube médio e pequeno do principal escalão está mais fraco. O Campeonato está (ainda) mais desnivelado. Mas fazer muitos pontos não tem significado jogar bem. Antes pelo contrário. Espectáculos fracos, fraquinhos. E enquanto escrevia estas linhas assistia ao Olhanense-Académica, num Estádio do Algarve completamente deserto. Pudera…

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO ENTRE EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’ E ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

joni_desenhoJoni Francisco

 

Anúncios

2 thoughts on “Um terço de Campeonato fraco, fraquinho

  1. Interessante análise ao 1º terço do campeonato.

    Em http://influenciaarbitral.blogspot.pt/ podem ver a influência que as decisões arbitrais tiveram no rendimento desportivo desses clubes. Nesse blog determina-se quantos jogos foram disputados com decisões arbitrais favoráveis ou desfavoráveis, quantos pontos que foram acrescentados diretamente por um último golo de penalti ou após expulsão.

    Se pretenderem conhecer de uma forma objetiva a influência arbitral no nosso campeonato nas últimas 5 épocas, consultem:
    http://influenciaarbitral.blogspot.pt/search/label/Dados%20acumulados%20entre%202008-2013%20%28150%20jogos%29

    Espero que gostem dos dados estatísticos que traduzem o nosso campeonato.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s