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burroO burro mirandês está em vias de extinção, assim como a sobrevivência de todos os habitantes humanos desta “zona rural” europeia que é Portugal. Quem o insinua é Raphael Minder, jornalista do New York Times que não hesita em afirmar que no nosso país burros e humanos dependem de subsídios da União Europeia. Raphael veio mais tarde dizer que o artigo de sua autoria não tinha subjacente uma “comparação propositada” entre animais e homens, mas a questão que se impõe é apenas uma: E o burro sou eu?

Houve tempos em que no meio escolar era prática comum os professores castigarem os alunos menos conhecedores das matérias leccionadas colocando-os à janela com umas orelhas de burro na cabeça. O acto tinha o propósito único de humilhar a criança tornando pública a sua suposta ignorância perante toda a comunidade. Dizem que o tempo todos os males cura e felizmente este hábito perdeu-se, mas hoje em dia não é necessário ostentarmos umas orelhas de burro para que a nossa incapacidade seja reconhecida nos quatro quantos do mundo. E quando falamos em “incapacidade”, podemos considerar tal palavra como um sinónimo de incompetência, de má gestão ou, se quisermos ser mais populares, de burrice. É nestes termos que Portugal e os seus habitantes vão sendo reconhecidos lá fora por esta altura, uma ideia com alguma razão de ser. O ditado diz que “o mais cego é aquele que não quer ver”, mas para o nosso caso é mais adequado afirmar que o mais burro é aquele que não quer admitir a sua burrice.

Temos uma História gloriosa, longa e rica, invejada por qualquer outra nação. Descobrimos meio mundo, espalhamos a nossa cultura pelos quatro cantos da Terra e hoje vemo-nos resignados à nossa insignificância sem nada fazermos para sair deste buraco. Continuamos a baixar a cabeça e a pisar a nossa própria honra com pedidos de resgate que não passam de esmolas dadas por predadores às suas presas, e como se não bastasse no final da história ainda agradecemos e pedimos mais. Queremos sempre mais, mais do mesmo, mais daquilo que é negativo e nos prejudica e quando alguém diz as verdades colocando o dedo na ferida ficamos ofendidos e indignados, obcecados com a prioridade de não admitirmos os nossos próprios erros. Se isto não é burrice, então o que será?

Tal como diz Raphael Minder, talvez não sejamos tão diferentes dos nossos “congéneres” burros quanto pensamos. Não estamos condenados à extinção, mas enquanto a atitude governativa de quem dirige os destinos do país não for alterada continuaremos a alimentar o nosso próprio “declínio” e a hipotecar o nosso futuro. Como consequência teremos que nos sujeitar à crítica alheia, às afrontas públicas até mesmo de países que há menos de meio século não passavam de colónias portuguesas, e à chacota natural e repetitiva dos poderosos. Mas não nos queiramos iludir, a culpa de tudo isto suceder é apenas nossa. Sim, os burros somos todos nós.

diogo-taborda-desenho-e1360007654750Diogo Taborda

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