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Hoje folheamos um jornal desportivo e só vemos futebol, futebol…meu deus até o futebol da distrital do Algarve tem direito a um espaço para ele. Sem querer tirar nenhum mérito ao Lusitano VRSA (à data da crónica, com seis vitórias em tantos jogos), o que é feito da paixão que os portugueses tinham pelas modalidades ditas amadoras? Apagou-se? Creio que ainda não, mas caminha lentamente para tal desfecho.

A modalidade que trago hoje para discussão é o andebol. Como antigo desportista federado desta modalidade olímpica (no Belenenses e depois no 1º Dezembro de Queijas) não poderia deixar de abordar (bem ou mal) o panorama atual do andebol em Portugal.

Sou do tempo em que Portugal criava jogadores de um enorme potencial: Ricardo Andorinho (jogou no Sporting e no Portland San Antonio), Carlos Resende (antigo jogador e atualmente treinador do ABC de Braga) e muitos mais (basta pensar no Carlos Galambas, Miguel Fernandes, entre outros). De um momento para o outro, tudo mudou, lembram-se? Algumas mentes iluminadas, acharam que o andebol devia ser uma modalidade profissional e sejamos honestos, a coisa não correu lá muito bem.

Não estou a atribuir culpas a ninguém, tenho a certeza que tentaram fazer o melhor possível pela modalidade, mas por vezes as melhores intenções saem mal.

O que é indesmentível é que o andebol nacional ressentiu-se de tal aventura, o nº de clube diminuiu (ainda me lembro de ver tantas equipas na distrital de Lisboa, como por exemplo o Alverca ou o Estefânia) e inerentemente o número de praticantes também.

Porém, não deixa de ser curioso que tal suceda, uma vez que é das poucas modalidades (senão mesmo a única) em que os três grandes lutam afincadamente pela conquista do título nacional (peço desculpa aos amantes do hóquei em patins, mas o Sporting ainda não luta pela conquista do título nacional).

Ora bolas, mas isto então parece ter todos os ingredientes para dar bem… modalidade olímpica, com tradição no nosso país, os três grandes na principal divisão a disputarem taco-a-taco o título. Pedro, qual é então o problema? Bom, o problema é que o andebol lusitano resume-se aos três grandes, o resto é paisagem.

Basta ver os últimos campeonatos nacionais para constatar as «autênticas tareias» que os três grandes vão infligindo regularmente às restantes equipas (por momentos, até parece que estou a ver o Portugal vs. Áustria no Campeonato da Europa em hóquei em patins).

Querem provas? Este ano (por exemplo) o Porto atropelou o Fafe por 50-25 (10.11.2013), o Benfica também não ficou atrás e venceu o Avanca por 27- 10 (28.09.2013) …ah já me tinha esquecido, um jogo de andebol tem 60 minutos, mas sem direito a tempo de compensação (ainda bem para o Fafe e Avanca).

Para os leitores que não costumam acompanhar o andebol, esta diferença de golos não é normal entre equipas que disputam a mesma divisão. Ainda me lembro, que nos fins da década de 90, apenas o Boa-Hora (para quem não sabe, trata-se de um histórico lisboeta que disputa atualmente a 2ª divisão nacional) ou o Sporting da Horta (equipa dos Açores a disputar a 1ª divisão) eram alvo de tais resultados, mas tal não era a regra, mas sim a excepção.

Contudo, não estaria a ser correto se não viesse a afirmar que o ABC de Braga e o Águas Santas de vez em quando não dificultam as coisas ao Porto, Sporting e Benfica, mas ainda estão a anos-luz de conseguir ter a mesma consistência desportiva que esses três clubes têm durante a época.

E sem uma verdadeira competição interna o andebol não evolui, estagna. Sem referências (que o Carlos Carneiro me desculpe, mas não está aos calcanhares de um Andorinho ou Resende), não se consegue atrair jovens para a modalidade. Se não se consegue atrair jovens para a modalidade, então o andebol morre.

Mas atenção, nem tudo é mau! Finalmente (ao fim de vários anos) temos uma equipa na Liga dos Campeões (que não leva as tareias que muitos estariam à espera), que clube é esse? Pois, esse clube meus senhores e minhas senhoras é o Porto (que já venceu na fase de grupos os franceses do Dunquerque e dinamarqueses do Kolding).

Era esta a projeção que necessitávamos, mas acima de tudo era esta a competição que os nossos jogadores (que disputam praticamente todos o campeonato nacional) precisavam para conseguir evoluir e voltar a colocar a nossa seleção nos grandes palcos internacionais.

Se o panorama é negro? É…mas o futuro parece risonho.

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Pedro Moura Pais

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One thought on “O panorama actual do andebol em Portugal

  1. de facto o andebol em Portugal quase que se resume aos 3 grandes, podendo-se juntar o Abc à lista… Não… não vejo o Carlos Carneiro como tão bom como um Resende, mas vejo um Pedro Portela ao nível de um Andorinho, um Gilberto Duarte a um nível igual ou superior ao de Carlos Resende, entre outros jogadores que vingam nos mais importantes campeonatos europeus (como o Tiago Rocha ou o Wilson Davyes).
    O problema com o Andebol nacional é a falta de organização da federação, como tem vindo a ser nos últimos 20 anos.
    Como praticante da modalidade, espero que isto se corrija, senão nem daqui a 20 anos voltamos a estar presentes numa grande competição de selecções.

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