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A 12ª jornada da Liga Zon Sagres teve início com um inesperado empate a duas bolas entre Benfica e Arouca. A exibição da formação da Luz foi descrente e insossa, mas foi apenas sobre um jogador que a fúria dos adeptos encarnados se debruçou. Com um cabelo de fazer inveja a qualquer profissional da moda, o eleito espalhou a sua classe durante 45 minutos até ser substituído ao intervalo, altura em que foi aplaudido não por ter jogado bem mas sim por finalmente se ir embora. Falamos de Bruno Cortez, mal-amado no seu clube, adorado pelos adeptos adversários.

Bruno Cortez chegou ao Benfica este verão por empréstimo do São Paulo. O defesa-esquerdo brasileiro contratado para substituir o adaptado Melgarejo que tanto havia comprometido na recta final da temporada anterior apresentou-se por terras lusas com a fama de “Craque do Brasileirão”, envolto num enorme alarido mediático que tentava fazer acreditar que este seria o novo Fábio Coentrão. Aos olhos dos especialistas, Bruno Cortez seria dotado de uma capacidade técnica e das características indicadas para dar profundidade ao ataque benfiquista. Mas no plano inverso algumas vozes diziam também que Cortez não seria tão bom a defender como a atacar, e posto isto a pergunta que já se impunha nessa altura era apenas uma: se o objectivo era encontrar um lateral esquerdo mais ofensivo que defensivo, porque não deixar lá ficar Melgarejo?

A questão ficou a pairar no ar e a fama de vedeta ostentada em torno da figura de Bruno Cortez rapidamente se desvaneceu com as primeiras exibições do jogador. Cortez era de facto um lateral com uma tendência acentuada para subir no terreno, mas as suas fraquezas a defender eram demasiado evidentes, com frequentes saídas “à queima” que rapidamente o faziam ser ultrapassado até pelo mais inábil extremo. As suas performances menos conseguidas relegaram-no para o banco e Jesus acabou por lhe incutir o estatuto de dispensável, colocando-o apenas a jogar nos encontros de dificuldade teoricamente mais reduzida.

Frente ao então penúltimo classificado Arouca, a estratégia delineada pelo “Mestre da Táctica” colocou Bruno Cortez novamente no 11 encarnado e o resultado não podia ser pior. Instável e nervoso desde o apito inicial, Cortez errou inúmeros passes curtos, fez algumas faltas e foi ultrapassado pelo não muito veloz Pintassilgo com consequente facilidade ao longo dos primeiros 45 minutos. Ao intervalo Jesus conseguiu vislumbrar o que todos os 28 mil espectadores presentes no Estádio da Luz já tinham percebido e deixou-o no balneário, mas mesmo sem Cortez o Benfica não conseguiu chegar à vitória e o resultado menos conseguido fez com que o defesa-esquerdo se tornasse em definitivo o alvo prioritário das críticas de todos os benfiquistas.

E se é verdade que muitas vezes o povo também se engana, este não parece ser o caso. Bruno Cortez não tem o talento, ou no mínimo as características, para conseguir vingar num campeonato como o português. O Benfica comprou gato por lebre em mais um caso explicito de um jogador que no Brasil era, e provavelmente voltará a ser, um craque mas que num futebol europeu muito mais competitivo não consegue impor o seu futebol. Na reabertura do mercado de Inverno ou mais tardar no verão de 2014 Cortez será devolvido ao São Paulo, mas até esse dia chegar continuará a jogar esporadicamente e a ser o mal-amado da família benfiquista, para prazer e satisfação de todos os seus adversários.

Diogo Tabordadiogo-taborda-desenho-e1360007654750

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