Home

O Sporting começou a temporada com um plantel sem grandes contratações, recheado de reforços suspeitos e jovens inexperientes. Em termos orçamentais a diferença para Porto e Benfica, que inclusive roubaram diversos reforços à equipa de Alvalade, é absolutamente colossal. Apesar da valia dos adversários e da dificuldade da tabela classificativa  – já defrontaram FC Porto, Benfica, Braga, Marítimo e Guimarães – os leões acabaram a 12ª jornada, isolados na liderança da Liga Zon Sagres.

Um posto ocupado com justiça, já que sem ser brilhante, o Sporting é coeso, tranquilo e equilibrado. Sem ter nenhum  Incrível ou algum Maestro, os leões valem-se do colectivo. E sendo o futebol, um desporto de equipa, na generalidade dos jogos, isso tem feito a diferença. A defesa não é um muro, mas é segura. Tem laterais que apoiam e um trinco com estampa e qualidade de construção. No ataque não há James, Di Maria e craques desses que têm brilhado em Portugal. Há extremos combativos e um ponta de lança com mel na bota que tem adoçado o paladar sportinguista.

O plantel leonino é demasiado inferior ao de Benfica e Porto, mas o onze enquanto equipa tem sido superior. A equipa de Paulo Fonseca vive entre o 8 e o 80, e o rival da segunda circular, embalado pela desorganização colectiva e a inspiração individual. O trabalho de motivação e exigência de Bruno de Carvalho tem sido essencial, mas a organização e a coerência de Jardim, têm feito a diferença. Há anos que venho batendo na mesma tecla: em Portugal são as equipas pequenas que inviabilizam os títulos. Nos clássicos, mesmo com uma equipa em melhor forma, normalmente as coisas equilibram-se. Nesse tipo de jogos os craques fazem a diferença. E foi por isso, por exemplo, que Markovic travou o Sporting, na 3ª jornada desta Liga.

Este ano, a diferença no Sporting tem sido a seriedade e organização com que encara os adversários. Em cada antevisão da jornada, vê-se um Jardim respeitador e cauteloso. Basófia e excesso de confiança não vigoram no mundo do madeirense. Essa postura serena e cautelosa, passa uma tranquilidade enorme que permite aos leõezinhos jogar sem pressão e com a confiança necessária para abordar os adversários. A pressão para quem actua num grande, existe sempre. Seja da imprensa, dos adeptos ou de qualquer outro sector. Nos jornais, agora que se ganha são todos os maiores, quando se perde, os piores do mundo. Cabeças jovens e imaturas como muitas daquelas que habitam em Alcochete, não precisam dessa pressão adicional e ao não assumir a candidatura ao título, Jardim, protege-as solenemente.

Essa coisa de em todas as ocasiões se pedir ao Sporting e ao seu treinador que assumam uma candidatura torna-se cansativo. Eu no seu lugar, pediria desculpa e juraria não mais responder a esse tipo de questão. Qual é a necessidade de se ir para os jornais dizer “Somos candidatos a ganhar o campeonato!” ? Daí a uma semana perde-se um jogo, a imprensa caí em cima, adeptos vão na onda e isso resvala para os jogadores que vão actuar mais intranquilos. A direcção do Sporting e acima de tudo, o treinador, têm sabido manter os pés bem assentes no chão e estão particularmente bem a afastar-se destas artimanhas de jornais. Há uns que nem quando o Sporting lidera lhe dão o primeiro lugar, imaginem se assumisse uma candidatura e não vencesse – era carnaval, ninguém levava a mal.

No futebol o que interessa é trabalhar dentro do campo, falar menos e lutar mais. As candidaturas fazem-se no campo e não nas salas de imprensa, repletas de alarido e gente a mais a falar. O que não faltam são bons exemplos por aí, desde o inenarrável Carlos Barbosa, numa pré-época anunciar que o Sporting já era tão forte que os seus adversários eram o Real Madrid, Ajax e Barcelona ou o Benfica de Jesus e Vieira que está sempre a preparar-se para ser campeão europeu, quando patina para passar as fases de grupo.

O Sporting tem um plantel curto, mas ao contrário dos rivais, não está na Europa nem na Taça de Portugal. Se continuar a ter noção das suas limitações e disputar cada jogo com a destreza de uma final, pode realmente lutar pelo título. O deslumbramento pode ser fatal e Jardim sabe disso, neste momento é importante que o treinador mantenha a coerência discursiva. Se as coisas continuarem a correr bem, aquilo que se pergunta é: Até quando deve o Sporting negar a candidatura ao título? Ou quando deve assumir publicamente esse objectivo?

Os títulos ganham-se marcando golos e somando pontos. Todos os querem ganhar, mas só alguns assumem. O que ganham com isso? Não sei, mas não tenho dúvidas que caso o venha a fazer, o Sporting vai ficar mais a perder do que a ganhar. Para bem do líder, que a coerência continue a ser o aroma do  Jardim.

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO ENTRE EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’ E ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

SONY DSCBruno Gomes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s