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O ano de 2013 está prestes a acabar e com ele vem a tradicional atribuição da Bola de Ouro. Os três eleitos à decisiva disputa do mais cobiçado troféu individual do mundo do futebol já estão escolhidos e se Messi parece ser este ano carta fora do baralho pelos inúmeros problemas físicos que o têm atormentado, a luta entre Ronaldo e Ribery é classificada pelos especialistas como equilibrada. De um modo simplista, temos o talento individual de Ronaldo em oposição ao trabalho para a equipa protagonizado por Ribery. Mas como o futebol também é matemática, vamos então aos números.

A Bola de Ouro atribuída pela FIFA em parceria com a revista France Football consagra o melhor futebolista de cada ano civil. De 01 de Janeiro a 13 de Dezembro de 2013, o subitamente idolatrado Franck Ribéry apontou um total de 21 golos, divididos pelos 5 marcados na Champions, os 4 apontados na fase de qualificação para o Mundial 2014 e os restantes consumados em competições internas do Bayern de Munique. Em igual período temporal, Cristiano Ronaldo marcou por 64 ocasiões, tendo sido o melhor marcador da edição 2012/2013 da Liga dos Campeões e conquistado já em 2013 o record de maior marcador de sempre numa fase de grupos da mesma competição. A estes números podemos ainda acrescentar o facto de Franck Ribéry ter sido substituído ou entrado em jogo na condição de suplente utilizado em 23 dos 49 jogos que efectuou em 2013 (quase metade das partidas), um score muito distante das escassas 9 partidas em que Ronaldo não cumpriu a totalidade dos 90 minutos neste ano.

Confrontados com a monstruosidade dos números de Ronaldo, os mais cépticos invocam o argumento dos títulos conquistados por Ribéry alegando que o internacional francês “merece” o título de melhor do mundo. Neste contexto é fulcral ter em consideração como premissa fundamental que a Bola de Ouro é um troféu de cariz individual que premeia o melhor jogador de cada ano, não a melhor equipa nem sequer o melhor jogador da equipa que mais ganhou. Se assim fosse o troféu teria que ser discutido sempre entre jogadores da mesma equipa, uma ideia que parece absurda até na mente dos mais fanáticos. A questão que aqui se impõe não é quem merece ou não ganhar o troféu, muitos o mereceram e nunca o chegaram a ganhar, mas simplesmente quem foi o melhor em 2013. E quando se vislumbram tamanhas diferenças nos números de dois jogadores que atuam na mesma posição em duas grandes equipas a resposta só pode ser uma.

Quando olhamos para o Bayern de Munique temos dificuldade em aferir se o melhor jogador é de facto Ribéry ou se é antes o goleador Mario Mandžukić, o genial Arjen Robben ou até mesmo o gigante Manuel Neuer: todos eles se destacam dentro de uma formação que joga como um todo e que não prima por ter em si o melhor jogador do mundo. O mesmo não acontece no Real Madrid, uma equipa que apesar das suas individualidades fortíssimas tem sempre em Cristiano Ronaldo a sua grande figura. Parece claro que o futebol em certa medida é matemática, mas não o será na atribuição da Bola de Ouro por existirem figuras como Blatter e Platinni pelo caminho, espelhos da corrupção e do tráfico de influências que comandam os destinos do desporto rei. É apenas por decisão destas duas figuras que a Bola de Ouro irá parar às mãos de Franck Ribéry, um jogador que estará presente no Campeonato Mundial graças a um fora-de-jogo escandaloso que apurou a sua seleção no play-off disputado contra a Ucrânia. Ribéry será o melhor do mundo, levará o troféu para casa e na época seguinte irá eclipsar-se do painel dos melhores do planeta, talvez por nunca o ter sido na prática. E Ronaldo estará cá para ver.

Diogo Taborda

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2 thoughts on “Futebol não é matemática

  1. Não concordo assim tanto com o autor, apesar de reiterar a ideia que, este ano, a discussão se resume entre Ribery e Ronaldo. Entre os dois o português é claramente melhor que o francês e fez uma temporada, imensamente superior ao gaulês em termos individuais. Ribery está neste lote de 3, porque foi considerado o rosto da grande época do Bayern.
    É bom lembrar, por esta altura, que o vencedor está decidido, apenas ainda não foi divulgado publicamente. Mas, ao contrário do que atesta o autor, tudo tem sido feito para Ronaldo vencer a Bola de Ouro este ano e até os intervenientes – possivelmente conhecedores, já, do resultado final – admitem a vitória (justíssima, diga-se) de CR7. Do caso que representou as declarações de Blatter ao alargamento e pedido de revisão dos votos.

    PS: É verdade que França teve um golo fora-de-jogo, mas falta referir que viu ser anulado também um golo por fora-de-jogo não existente com o resultado em 0-0. Não há nenhuma cabala contra Portugal ou CR7.

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