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De André para André, assim te escrevo AVB.

Pela segunda vez, mandaram-te embora de Londres, sem honra nem glória. Ao segundo projecto no futebol inglês, tramaram-te. E outra vez à grande. Conhecendo a tua auto-confiança, tenho a certeza de que não estarás a chorar pelos cantos, como tantos imaginam. A mesma certeza que tu tens de que um futuro lotado de sucessos ainda está para vir, tantos quantos os do teu passado, tão curto mas já tão rico.

Assim que a notícia saltou para as bancas dos quiosques internacionais, logo os teus inimigos de estimação se regozijaram e festejaram mais um insucesso na tua carreira. Sabemos  – tu sabes – quem eles são. São os mesmos que torceram o nariz quando numa capa de um diário desportivo se anunciou que estavas a caminho do Sporting, depois do brilhante trabalho ao serviço da Académica, uma equipa de coxos e pernas de pau. São os mesmos que depois baixaram a cabeça de vergonha quando ganhaste tudo e surpreendeste a Europa, ainda os mesmos que te fizeram vítima de bullying e te chamaram de cenourinha de cada vez que os humilhavas e goleavas, no relvado e nas conferências de imprensa, sempre saindo por cima, sempre de forma elegante.

No mesmo grupo, os indefectíveis e fanáticos apoiantes de José Mourinho, recalcados por tudo o que conquistaste no Dragão, pela chegada ao Chelsea, depois ao Tottenham, e no fundo receosos que as tuas conquistas suplantassem o ego do Special One, de quem tu sempre te afastaste, mas de quem eles sempre fizeram questão de te aproximar.

Na realidade, nós também sabemos por que eles te desvalorizam, porque à tua campanha inigualável (não há outro termo para a classificar) eles respondem repetida e previsivelmente com o “no Porto toda a gente ganha”. As feridas ainda lá estão, e quanto mais continuarem a cair, mais tempo elas vão demorar a cicatrizar, maior será o ardor. Uma equipa que perde 2-0 em casa para a Taça de Portugal, e depois vira a eliminatória para 3-1 no estádio rival; que te goleia e humilha por uns claros 5-0; e que conquista o campeonato no teu próprio Estádio, a cinco jornadas do final, não pode ser tua amiga. Muito menos o seu treinador que garantiu todos estes êxitos a jogar um bom futebol e a chamuscar os problemas dos seus rivais a cada pergunta dos jornalistas, sem ser desleal e deselegante para com os seus colegas, sem desrespeitar a massa adepta dos concorrentes, como outros fazem.

Depois, quando foste para o Chelsea, eles cruzaram os dedos a cada jogo para que a tua queda se desse o mais rápido possível. Eu não os cruzei, mas sabia que o vudu iria funcionar, já que não tinhas jogadores para ganhar a Liga Inglesa. Tu também sabias, claro, afinal és tudo menos estúpido. As falsas promessas do Abramovich tramaram-te, mas a verdade é que já devias estar avisado para isso. Aquele plantel velho e cheio de jogadores cansados e desmotivados não dava para competir de três em três dias. Mas para de quinze em quinze chegava. Infelizmente para ti, foi tarde demais. Não houve reforços em Janeiro e tu foste embora.

No Tottenham, acreditei realmente que as coisas iriam correr bem para ti, mas esta coisa de conviver com Presidentes endinheirados e bipolares não é nada fácil. Começou logo mal, com as perdas de Modric e Van der Vaart, contra a tua vontade. Deixaram-te trazer o Dembélé, o Vertonghen, o Dempsey e depois o Holtby e logo te fizeram crer de que tinhas um plantel galáctico. Obviamente que não tinhas, mas a permanência do Gareth Bale acabou por ajudar a disfarçar as debilidades da tua equipa. E depois o adiantamento do galês no terreno, delineado por ti, acabou por resultar na sua explosão no futebol inglês.

Quando tinhas tudo para formar uma grande equipa e catapultá-la para o pódio da Premier League, as incongruências do teu novo Presidente, Daniel Levy, vieram ao de cima. A ilusão de ganhar o campeonato diluiu-se a partir do momento em que o melhor jogador da equipa, que te tinha sido garantido que iria ficar, foi vendido. Pior tudo ficou quando os 100 milhões  e o resto do orçamento para a época que pensavas utilizar na contratação de jogadores de qualidade e que pegassem de estaca na equipa, foram distribuídos ao Deus dará por promessas  e atletas que não eram prioritários para o teu onze. Não acredito que o Soldado fosse a tua prioridade para o ataque nem que tenhas concordado em dar 30 milhões por ele (apesar da imprensa dizer que sim); não creio também que os restantes jogadores contratados – tirando o Paulinho, que era uma necessidade para a equipa, tenham sido sugeridos por ti. Não acredito que tenhas dado o aval aos 35 milhões dados pelo Lamela (a época na Roma não justifica esse valor e havia jogadores no mercado preparados para a Liga Inglesa por valores iguais ou até mais baixos do que essa exorbitância).

Eu sei que quiseste o Damião, e ele não to deu; eu sei que quiseste o João Moutinho, e ele não to deu; eu sei que pediste o Willian, agora no Chelsea, e ele não to deu; eu sei que exigiste o Hulk, e ele não to deu; eu lembro-me de em último caso pedires o David Villa, e ele se fazer de surdo uma vez mais. Pediste todos estes jogadores e em vez disso recebeste Lamela, Eriksen e Soldado, os tais “80 milhões gastos” (Mourinho então repetia isto todas as semanas), a tal “super equipa” que dizem que o Tottenham tem mas que não existe. O que têm os primeiros que ver com estes últimos?

Capoue, Paulinho, Towsend, Eriksen, Lamela e Soldado são mais de meia equipa nova e apenas 2 destes jogadores mostraram estar preparados para um desafio como este. Com a venda de Bale, o teu Tottenham ficou obviamente mais fraco, sem um super-jogador no seu onze como o galês, mas teve pelo menos a oportunidade de reformular o seu plantel e formar uma constelação com os milhões disponíveis. Em vez disso apostou em tiros no escuro e o resultado é o que se vê. Com Özil, Wilshere, Hazard, Mata, Gerrard, Suárez, Van Persie e Rooney a brilharem intensamente, o que se pode exigir aos Spurs, que lutem pelo quarto lugar?

Não abdicaste da tua independência e daquilo em que acreditas e fizeste muito bem, André. Agora que foste embora, o que lá ficou cedeu às ingerências do Senhor Levy e pôs o Adebayor a jogar ao lado do Defoe, o tal sistema com dois pontas-de-lança que te vinha exigindo ao longo da época. A jogar à inglesa, perderam, e foram eliminados da Taça frente ao “poderoso” West Ham.

No final de tudo isto, sais livre e de consciência tranquila, até porque aqueles cuja opinião verdadeiramente interessava, os jogadores, têm vindo a terreiro todos os dias defender-te. O teu Capitão diz que o balneário gostava de ti, o Brad Friedel – que até era suplente contigo, a mesma coisa. Já no Chelsea fora assim, com John Terry e outros sempre a defender-te e a apoiar a tua liderança.

Sais da Premier League a cinco pontos do quarto lugar, com um percurso imaculado na Liga Europa e, no passado Domingo, ainda na Liga Inglesa. Eles dizem que foste goleado pelo City e pelo Liverpool, e o Arsenal quantos levou em 2011 do Manchester United? Eu respondo-lhes, amigo André:  8-2. E esse mesmo United, nesse mesmo ano de 2011, quantos levou em casa do Manchester City? Eu respondo-lhes também: 6-1. E outra vez o Arsenal, há uns cinco dias atrás, quantos encaixou no Etihad frente aos citizens? 6-3, assim sem ninguém dar por isso. Alguém foi corrido a pontapé como tu?

Sais pela porta pequena mas voltarás a entrar pela grande, em Inglaterra ou noutro qualquer campeonato. «Tu vais voltar a vencer André, podes crer».

Um abraço,

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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2 thoughts on “De André para André

  1. E eu que pensava que isto era um blogue benfiquista.
    O AVB é um ganhador e com certeza vai mostrar isso fora de portas, porque cá dentro foi como tirar cueiros a miúdos.
    Precisa é de tempo. Muito.

  2. Claro que no fcp mérito de AVB no Chelsea e agora a culpa é dos outros 🙂 que têm qualidades acredito que sim mas não é Mourinho quem quer…
    A partir de agora para ter sucesso desportivo precisa de perceber melhor o ambiente á sua volta e provavelmente dar um passo atras equipas com menos ambições onde possa mostrar as suas qualidades e depois sim com mais experiência pensar voltar ao topo

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