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Poucos momentos na vida, conseguem traduzir na perfeição tudo aquilo que rodeia uma actividade ou uma franja da sociedade. No último sábado, o Sporting – Nacional foi um resumo brilhante do universo do futebol lusitano. Se alguma vez quisesse explicar a um estrangeiro como funciona o nosso futebol, não encontraria forma melhor do que mandá-lo observar este jogo e toda a sua envolvência.

No primeiro tempo, um Sporting organizado mas sem criatividade tentava furar um autocarro bem estacionado e intransponível. Desde o primeiro minuto de jogo, o guarda-redes visitante demorava eternidades nas reposições de bola e contava com a conivência dos colegas e a benevolência total do árbitro. Típico do futebol nacional. Os lances ríspidos, agressivos e violentos, foram vários, de parte a parte, e quase todos ignorados. Dois deles deixaram jogadores do Sporting KO. Primeiro Jefferson sofreu uma entrada, sem bola, no mínimo para amarelo cor de laranja. O jogador esteve imenso tempo estendido no relvado, mas o árbitro não achou necessário parar o jogo. Mais tarde sofreria outra entrada dura e terminaria a partida em clara inferioridade física o que novamente não serviu de desculpa para que entrasse a assistência médica. O mesmo não ocorreu quando a equipa que estava satisfeita com o empate, começou a ser devastada com cãibras nos últimos minutos – e isto é tão tristemente típico do nosso futebol. O segundo elemento a sofrer com a violência da partida, foi o franzino André Martins, que não resistiu a uma entrada severa e abandonou a partida ao intervalo.

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Manuel Mota em acção

As bandeirinhas dos auxiliares foram como de costume levantadas com uma percentagem de erro absurda, prejudicando ainda mais a deficiente prestação de Manuel Mota. Vejam uma qualquer liga europeia de top e comparem os bandeirinhas estrangeiros e os nacionais, é incrível a percentagem de erro dos nossos. O primeiro tempo acabou sem que as equipas conseguissem praticar futebol, já que a agressividade e violência foi tanta, que quando o árbitro finalmente sancionou uma falta foi ovacionado por todo o estádio que mais parecia comemorar uma bomba de CR7. No início da segunda etapa duas alterações. Manuel Mota trouxe o apito para o jogo e trocou o critério do vale tudo pelo não vale nada – mais clássico do futebol nacional onde até as flatulências são falta. Já Jardim, privado de Martins lançou Slimani e passou a jogar apenas com dois homens no miolo. A equipa não reagiu bem e perdeu o meio campo. O Nacional tacticamente perfeito na abordagem defensiva explorou timidamente o ataque e facilmente chegou à baliza de Patrício. Se tivesse despido o facto de pequeno que vai a casa do grande jogar para o pontinho, talvez tivesse ganho. Faltou arrojo, ambição e vontade de vencer. É por estas coisas que o nosso campeonato só tem três grandes e será eternamente pouco competitivo.

Os leões mesmo sem qualidade e com uma desorganização gritante acabaram por chegar ao golo através de Slimani. O argelino foi celebrar com os adeptos, já depois do árbitro ter apontado para a meia- lua. Depois de tudo isso, Manuel Mota – que estava superiormente colocado – decidiu anular o golo. A demora foi gigante, deve ter sido avisado pelo auxiliar. Se foi o auxiliar que sancionou a falta, esqueceu-se de levantar a bandeira. Talvez tenha sido o quarto árbitro ou o outro bandeira – se Manuel Machado a 70 metros viu a falta, eles também devem ter visto. Manuel Mota e o seu auxiliar estavam bem colocados e não acharam faltoso o evidente empurrão de Montero a Marçal – não foi intenso o suficiente para o nacionalista cair mas é a única, ainda que remota, possibilidade de falta. Miguel Rodrigues está de costas para Slimani que lhe faz uma festa no ombro, mas o defesa, desafiando as leis da física, cai para trás. A explicação do nacionalista é bem elucidativa: “Senti o toque, cai, é falta.” – Até podia ser uma brisa de vento ou uma formiga na meia que se o defesa sentisse algo e desabasse no chão, era falta indiscutível. Em Portugal é comum em lances ofensivos, os defesas em contacto com os avançados, caírem ao mínimo toque para que o árbitro os brinde com a falta – normalmente a jogada não costuma é terminar em golo.

Aqui constatamos muita coisa: os árbitros portugueses são realmente muito maus, essencialmente porque têm péssimos auxiliares e uma ausência gritante de critérios – deixam faltas para vermelho na gaveta e apitam quedas provocadas pela corrente de ar – em Alvalade por acaso faz frio. A nomeação de Manuel Mota é outra coisa sem nexo. Um árbitro sem currículo e que esta temporada apenas apitou 3 partidas da Liga é precisamente o escolhido para um dos jogos mais importantes da jornada que antecede a ronda mais escaldante do campeonato?

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António Tavares Teles no programa Zona Mista da RTP

O nojo que o presidente do Sporting sentiu ontem por pertencer ao mundo do futebol, não caiu bem ao “jornalista” António Tavares Teles. O comentador do programa Zona Mista indignou-se com a linguagem e o comportamento de Bruno de Carvalho: “Este senhor é uma desilusão.” Engraçado este comportamento de alguém sem carácter e idoneidade profissional. A famosa coluna do “Pato” que escrevia no jornal “OJOGO” tresandava a fruta. Depois de ter escrito uma notícia mentirosa sobre Deco, encomendada por Pinto da Costa como forma de pressão para amenizar o castigo do médio, era expectável que este “jornalista” deixasse de escrever. O número um do código deontológico é claro: «obriga a relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade». Felizmente vivemos em Portugal e profissionais desta qualidade não só não escapam às punições como ainda gozam do privilégio de receber somas avultadas para verbalizarem aquilo que pensam (ou que lhes mandam dizer?) num canal público. Quem paga isto? Eu, você e todos nós leitor!  

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Capas do jornal “A BOLA” da jornada passada

islam slimani

Capa do mesmo jornal após o jogo de sábado

No dia seguinte ao jogo as capas dos dois principais jornais desportivos do país não reflectiam aquilo que se passou em campo. O diário “A BOLA”, especialista em primeiras páginas reveladoras, fala em golo “não validado” – provavelmente esqueceram-se que o árbitro anulou o lance no final dos festejos. Se o que ocorreu em Alvalade tivesse acontecido a uns 300 metros de distância talvez a capa fosse completamente diferente.  Em termos de credibilidade o seu oponente “Record” não lhe fica atrás. Além de minimizar o que se passou em campo, voltou à manhosice classificatória de ignorar os regulamentos da Liga. Eu também não concordo com eles, mas se existem e são lei, devem ser cumpridos, a não ser que a Liga seja organizada pela Cofina ou que quem pague os prémios no final do ano seja o Record?

Nos próximos tempos, dificilmente veremos um jogo que realce tão bem as características do futebol nacional: nomeações estapafúrdias; árbitros sem critério e auxiliares sem qualidade; anti-jogo primário e falta de ambição de equipas com qualidade; desonestidade dos beneficiados; atletas prejudicados, vítimas de castigos; presidentes indignados mas que não vão alterar nada; jornalistas de encomenda; adeptos que apoiam as suas equipas mesmo sabendo de antemão para onde vai a Taça; jornais clubísticos e mentirosos. Para a festa ficar completa só falta o líder da APAF vir a público elogiar a grande exibição da equipa de arbitragem. Esperem mais uns dias e teremos mais uma pérola no sapatinho. Feliz Natal!

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SONY DSCBruno Gomes

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6 thoughts on “O retrato perfeito do futebol em Portugal

  1. BdC tinha razão: “isto é um país do faz de conta” e enquanto uns forem filhos e outros enteados isto nunca vai andar para a frente. Todos nós sabemos que o maior ódio do pintinho é o Sporting, mas a vida um dia encarrega-se de fazer justiça a um homem que anda aqui há tempo demais.

    SL

  2. Desmantelem, por favor, o “LOBBY GAY” instalado na arbitragem nacional.
    Investiguem, por favor, porque o Sr. Victor Pereira tem sido reconduzido ao cargo que ocupa.

  3. Investiguem, por favor:
    DUARTE GOMES, uma semana antes de apitar o jogo da Taça Benfica-SPORTING, na sua Ficha estava como DESEMPREGADO.
    Quando foi nomeado para apitador deste jogo passou a: “PROFISSIONAL DE ARBITRAGEM” – “ÁRBITRO PROFISSIONAL”.
    Mistério???

    Victor Pereira… terá, em seu poder, a chave do “LOBBY GAY”???
    Investiguem, por favor!!!

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