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No último fim-de-semana, teve lugar uma das piores arbitragens da temporada no campeonato português. O Sporting enfrentava um adversário fechado na sua zona defensiva, confortável naquela zona do terreno e sem a mínima intenção de progredir para além desses 50 metros, até que ao minuto 65 Islam Slimani marcou um golo legal e colocou os leões em vantagem. Um golo que seria anulado após o cabeceamento do argelino por uma suposta falta que as imagens televisivas mostram, objectivamente, que não existe. Sim, as imagens mostram objectivamente que essa falta não existe; mostram apenas e tão só uma boa jogada de futebol.

Após o jogo, os festejos de imprensa e rivais ao empate caseiro da equipa de Leonardo Jardim acabaram por tirar discernimento na análise e discussão a um lance e a um jogo que pôs mais uma vez sobre a mesa os vícios e costumes do futebol português, que dependendo de como corre o fim-de-semana tanto preocupam como passam ao lado de certos clubes e jornalistas aqui do burgo.

Desta vez, certamente fruto da época natalícia, não houve lugar a histerias e preocupações com o estado da arbitragem em Portugal ou com a lealdade e transparência do nosso futebol. Estes adeptos que outrora levantaram a voz contra Proenças, Xistras e outros que tais, vestiram o fato de Pai Natal e distribuíram paz e amor pelas aldeias.

Entretidos com os mais recentes brinquedos, Oblak e Carlos Eduardo, estes meninos e meninas entraram na galhofada com os tais periodistas e esqueceram o mundo lá fora. Brincaram, brincaram, brincaram, horas e horas a fio, até se cansarem.

Quando se fartaram, começaram a ficar rabugentos e irritados, e possivelmente já com sono, viraram-se para Bruno de Carvalho, o tal de quem os meninos não gostam. Curiosamente, aquando da arbitragem malandreca de Duarte Gomes na jogo da Taça na Luz, a reacção dos pequeninos foi idêntica: penaltys e mais penaltys por marcar, um jogo marcado pela polémica, mas o grande choque e nota de destaque  foi o “populismo” do Presidente do Sporting.

Começa a ser, aliás, uma daquelas infabilidades com as quais podemos contar a cem por cento: sempre que o Sporting sai de um jogo com queixas da arbitragem, lá aparece um entendido qualquer no canal de televisão de um jornal sensacionalista e num conhecido programa de rádio com uma bola de futebol metida no nome, a dizer que «o Bruno de Carvalho é populista» – não falha, carago!. A sensibilidade destas pessoas apenas é  afectada pelo discurso do líder leonino, e não por roubos e arbitragens manhosas com influência nas contas do campeonato.

No dia a seguir ao lance “caricato” de Islam Slimani, um golo inicialmente validado e só depois anulado por Manuel Mota, a paródia da imprensa desportiva portuguesa serviu de primeiro exemplo ao que aqui acabamos de escrever. Nada melindrada pelo desastre que foi a arbitragem do juíz de Braga, uma destas publicações até ousou brincar com a igualdade pontual gerada pela travessura de Manuel Mota. «Três Reis Magos», que é como quem diz, «oh oh  oh».

À farra seguiu-se então a fase do sono, com beicinhos, olhos de carneiro mal morto, birras e alergias às palavras de Bruno de Carvalho após a partida de Alvalade. Chamaram-se os experts, os cromos do bitaite e os apafs para se calar o lobo mau leonino. Tanto choraram e tanta birra fizeram por causa do Presidente do Sporting que quem acabou por sair de fininho da asneirada que fez no sábado foi o menino Manuel Mota. É bem verdade que todos sabemos como as crianças são manipuladoras, especialmente a desta estirpe de que aqui falamos…

Porém, o bicho-papão que parece assustá-los só naquelas noites em que há casos de arbitragem por Alvalade, acaba por ter a mesma fama e proveito do que os seus camaradas, os mesmos que assim que a bola não entra vêm para  as televisões e jornais falar em túneis ou em apitos dourados e que ao longo dos vários anos que acumulam de presidência foram embarcando em ondas intermináveis de populismo e rebuçados para as suas bases de apoio.´

Mas esses bichos-papões, talvez por não terem a voz tão rouca ou não se vestirem de verde, já não assustam os meninos que escrevem nestes jornais, alguns deles até directores e colunistas de sobes e desces de opiniões que vão variando consoante a irritabilidade face à tabela classificativa da Liga Zon Sagres.

Acabado o Natal e o circo destes últimos cinco dias, chega de brincadeira. O populismo na classe dirigente do futebol português, de que Bruno de Carvalho se serve, não é de hoje e está já completamente enraizado nos nossos clubes clubes e nos nossos presidentes, um problema que é aliás transversal a todos os sectores da nossa sociedade. Que se procure discuti-lo em momentos em que a análise assim seja pertinente, é uma coisa; que se procure tapar o sol com a peneira e disso se aproveitar para inferiorizar determinado clube ou dirigente, aí é que já não.

Depois de um jogo em que a equipa que ocupa a primeira posição na tabela é objectivamente prejudicada em casa por uma equipa de arbitragem, num lance verdadeiramente inacreditável, vir falar em populismos e outras tretas é tomar os outros (todos nós, no fundo) por parvos. E isto é coisa para acontecer só em Portugal. Nos nossos estádios, vazios, com as nossas equipas, fracas, mas sobretudo na nossa imprensa desportiva especializada, também ela cheia de vícios, compadrios e influências perigosas. Chega de birras e de palhaçada, vamos lá ser um bocadinho sérios, por favor. Dá para ser?

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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One thought on “Brincadeiras de Natal

  1. “Curiosamente, aquando da arbitragem malandreca de Duarte Gomes na jogo da Taça na Luz,”

    Meu Deus do Céu! Depois de esmiuçados todos os lances ainda achar que o Sporting foi roubado na Luz para a Taça, retrata bem aquilo que é o Sporting, …

    Focam-se sempre apenas nos lances em que foram prejudicados e “fecham os olhos” aqueles em que são beneficiados.

    Para vocês, um jogo em que tenha havido 3 penaltys por marcar contra vocês e 1 por marcar a vosso favor, é um jogo em que foram tremendamente prejudicados, pq vocês fecham os olhos aos 3 penaltys e focam-se apenas no lance em que foram prejudicados…

    Agora é “O Slimani não fez falta”, “Vejam se o Slimani fez falta, “Tudo contra nós”…
    Não foi o Slimani que fez a falta, foi o Montero e foi bem clara. Sei bem que o Arbitro não marcou a falta do Montero e marcou a pseudo-falta do Slimani, mas que culpa tenho eu do arbitro ser incompetente.
    Mas agora digam-me foi feita ou não foi feita justiça?
    Se houve falta do Montero segundos antes é justo que não tenha sido validado…

    Mas eu nem sei porque perco o meu tempo a explicar estas coisas básicas. Vocês ouvem e ficam na mesma.Este ano em Alvalade no Derby não vi essa indignação, nem no golo em fora-de-jogo do Montero no Algarve, como aquele penalty fora-de-area, que nem sequer tinha sido falta.

    E agora vais dizer-me:..”Ah mas logo a seguir houve um penalty por marcar portanto as coisas ficam empatadas”… Puro engano…
    Se não tivesse havido aquele penalty o jogo iria ser totalmente diferente, o Belenenses iria continuar a defender mais, ao invés de começar a arriscar no ataque deixando a sua defesa à mercê do contra-ataque. E falo o mesmo do jogo contra o Olhanense. Se não tivesse havido aquele 1º golo do Montero o Olhanense iria continuar a defender e o jogo iria tornar-se muito complicado para o Sporting…

    PS: Por falar em golos anulados ridiculamente, vamos rever o golo anulado ao Braga em Alvalade no ano passado, pelo Proença?

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