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Carlos Martins está de regresso. Desaparecido em combate desde o dia 6 de maio de 2013, altura em que foi expulso no empate frente ao Estoril que se constituiu como a primeira etapa do fracasso do Benfica no Campeonato, o médio encarnado vai ser emprestado pelo clube da Luz ao Al Wahda de Peseiro e tem assim a possibilidade de voltar a competir. A cedência por seis meses sem opção de compra permite ao Benfica poupar cerca de 900 mil euros em salários, mas só resolve temporariamente o problema: caso não apareça uma oferta de compra que seja aceite por todas as partes, no verão Martins estará de volta a Lisboa para cumprir os restantes dois anos de contrato que aí lhe faltarão.

 O Benfica tem em Carlos Martins uma pedra no sapato que teima em não sair. Um problema que ascende à proporção de 1,8 milhões de euros por época em salários e que, contas feitas, poderá ainda custar ao clube da Luz cerca de 3,6 milhões pelas duas temporadas que o médio tem por cumprir no emblema lisboeta. Martins já assumiu que não vai aceitar rescindir o seu contrato (percebe-se bem a razão) e até já terá recusado uma alegada proposta milionária de um clube chinês. Tal postura do internacional português poderá despertar a ira dos adeptos benfiquistas, mas a culpa desta situação não pode ser atribuída a um profissional que tem o direito de querer cumprir um contrato de trabalho assinado por mútuo acordo entre si e a respetiva entidade patronal.

Se quisermos ser precisos, o erro remonta ao dia 3 de agosto de 2012. Regressado do empréstimo ao Granada e motivado (ou apertado) por estar em final de contrato, Carlos Martins voltou ao Benfica para efetuar uma pré-época de bom nível em que até chegou a apontar alguns golos. Os dirigentes encarnados ficaram impressionados com o fogo-de-vista e decidiram alargar a ligação contratual do médio português ao clube por mais quatro anos com um salário que poucos se poderiam gabar de auferir naquele plantel. Carlos Martins tinha nessa altura 30 anos de idade, mas nem esse “pequeno” impediu Luís Filipe Vieira de selar o acordo mesmo com um jogador com reconhecidos e frequentes problemas de lesões.

Dados os primórdios desta novela tornar-se-ia fácil antever o seu desfecho. Com o passar dos anos as limitações físicas de Carlos Martins acentuaram-se como seria de prever e retiraram-lhe a capacidade de jogar com regularidade ao mais alto nível. Como também seria de esperar, o Benfica viu-se na obrigação prescindir dos seus serviços pelos elevados custos que eles acarretam mas Carlos Martins, agora prestes a completar 32 anos de idade e já na reta final da sua carreira, não acedeu às intenções encarnadas e agarrou-se com unhas e dentes ao dinheiro que lhe é devido. Agora vai rumar às arábias e no verão logo se verá, mas a história fica desde já a servir de lição para dirigentes de clubes grandes de Portugal que entram em loucuras simplesmente por motivos populistas e depois acabam por comprometer a saúde financeira dos seus clubes, em decisões erradas sem retorno que acabam por satisfazer apenas os interesses de terceiros que só prejudicam o jogo e os adeptos que tanto vibram que a espetacularidade que o desporto desperta dentro das quatro linhas.

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