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Nunca nutri simpatia pela pessoa Eusébio. Contudo tenho de me curvar ao excepcional jogador e hoje todos devemos reconhecer que com o seu desaparecimento o país e o futebol nacional ficaram mais pobres. O menino do bairro da Mafalala, começou a dar os primeiros pontapés na bola no Sporting de Lourenço Marques. Rumou a Portugal para representar os leões mas acabou por brilhar no Benfica, numa contratação que mudou para sempre a história dos encarnados e do futebol em Portugal. Foram anos e anos de glória de águia ao peito e acima de tudo o cultivar de um mito. Vivíamos tempos de um país fechado junto de si mesmo e onde a globalização e o mundo virtual eram apenas utopias. O Pantera Negra quebrou todas as barreiras e os seus feitos tornaram Portugal conhecido em todo o mundo. Aquele menino que brilhava descalço em Moçambique, em pouco tempo ganhou uma estatuto de referência global e tornou-se no maior embaixador do país que o acolheu. Entre todo o tipo de adeptos Eusébio é e sempre será uma lenda, uma figura querida que com a sua simplicidade e humildade dentro de campo – muito maior do que fora dele – conquistou o respeito e a eternidade no universo do futebol.

Os hábitos menos saudáveis que foi cultivando nos últimos anos, os constantes problemas de saúde e o físico debilitado desde os tempos de jogador não resistiram ao passar dos anos e deixaram a nação órfã do seu King. Curiosamente, numa altura em que o país se prepara para consagrar definitivamente o príncipe Ronaldo.

Se em Moçambique, seu país natal, Eusébio deixou muito a desejar, já que não teve um papel activo no apoio e desenvolvimento do futebol local, em Portugal – país que adoptou de alma e coração – o Pantera Negra foi um embaixador de luxo do desporto rei. Seja no seu Benfica ou na selecção nacional, sempre se sentiu a sua forte presença e emotividade no apoio aos que envergavam estas camisolas. Quem não se recorda daquele toalha branca, fixa no braço com que Eusébio sofria ao ver a equipa das quinas? Inesquecíveis aqueles gritos de incentivo para Ricardo no Portugal-Inglaterra do Euro 2004.

Chega a ser enternecedor ver admiradores de todas as frentes e colegas de uma vida como Simões, Toni ou Coluna expressarem-se sobre o amigo. O primeiro, como Eusébio gostava de dizer, era o seu “irmão branco”,  já o Monstro Sagrado, que o acolheu em Lisboa, um pai que nas próprias palavras perdeu “um filho”. No dia do adeus, o King foi capa de diários consagrados como o “L’Equipe”, o “Globo” ou o “AS”; mereceu homenagens de Manchester United e Real Madrid; foi recordado por lendas do passado como Maradona, Gullit, Beckham, Platini ou Peter Schmeichel; e reverenciado por craques da actualidade como Ronaldinho Gaúcho, Kompany e Cristiano Ronaldo

Talvez o maior elogio que a estrela do Mundial de 66 poderia ter recebido veio, mais uma vez, do seu ídolo, Alfredo Dí Stefano: “Eusébio foi o melhor jogador de todos os tempos”! – Afirmou o antigo génio do Real Madrid.

Infelizmente, na mesma proporção que se ouvem vozes amigas e que privaram com o King, se escutam figuras da sociedade que comentam tudo e mais alguma coisa, sem sentido algum, aproveitando-se apenas da exposição mediática do momento. Para quê esse tipo de declarações Sr. Soares?

Enfim, ignoremos tal gente e lembremos a importante mensagem de José Mourinho: “Eusébio é imortal”. Eusébio não foi um génio com as palavras e com o pensamento deixava a desejar. É inegável que nasceu para se expressar com a bola nos pés e é dessa forma que o povo português e os adeptos benfiquistas eternamente o recordarão. A devoção e adoração ímpar que sempre demonstrou pelo seu clube foram recíprocas e tratadas com o máximo respeito. Na hora do adeus normalmente multiplicam-se as homenagens e as honras que estupidamente não se deram em vida. Aliás abordei isso recentemente: https://palavrasaoposte.wordpress.com/2013/12/30/o-estupido-culto-dos-mortos/

Neste caso a justiça foi feita e o Benfica  – especialmente no período de Luís Filipe Vieira –  sempre deu uma lição nas vénias a Eusébio. O Pantera Negra foi celebrado toda a vida pelo seu clube, que mais do que uma merecida estátua, anualmente e com uma vitalidade incrível celebrava os feitos do seu ídolo maior. Um exemplo. Ainda há um ano em entrevista à TVI, o King fez questão de afirmar: “Eu sou Benfica e vou morrer Benfica”. E assim foi. Descansa em paz campeão.

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SONY DSCBruno Gomes

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