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Em vésperas do tão aguardado clássico entre Benfica e Porto, a atualidade desportiva nacional foi marcada por um caricato episódio decorrido no sorteio da Taça de Portugal que acabou por ditar um possível duelo entre os dois grandes nas meias-finais da competição. Tudo aconteceu quando a menina retirou a bola cujo papel dizia “Benfica” e leu “Penafiel”, gaffe que ganhou maior importância pelo facto de minutos mais tarde o adversário “sorteado” para os encarnados ser mesmo aquela equipa nortenha. A própria tentou justificar o erro pela semelhança entre as palavras, mas tamanho disparate só pode ser provocado por um de dois motivos: incompetência de uma jovem que não sabe ler ou viciação do sorteio. Assim vai a festa de uma Taça que é, de facto, uma festa.

Quem atente para as imagens do sorteio perceberá que a rapariga responsável pela leitura das equipas mal olha para os papéis que vai extraindo das bolas. Ao invés de ler o nome do clube que em cada um deles vem inscrito, fica a sensação que a jovem sabia de antemão qual a formação correspondente ao número anteriormente revelado, sendo que provavelmente apenas terá apenas “lido” para a bola 8 o nome da equipa previsto para a bola 7.

Navegamos aqui um pouco pelo mar das suposições, mas as evidências que se podem extrair das imagens assim o permitem. Muito embora a aparente falta de capacidade por parte da jovem para cumprir com rigor a missão que lhe era destinada, todo este episódio permite pelo menos desconfiar que este sorteio da Taça de Portugal estava definido ainda antes de começar. Com bolas quentes, frias ou rugosas, tudo pareceu estruturado tornar possível a realização de uma meia-final entre Porto e Benfica, naquela que será a única etapa da competição disputada a duas mãos.

E é exatamente no facto de as meias-finais serem jogadas a duas mãos que poderá residir o cerne de toda esta manipulação. Se uma partida entre Porto e Benfica já dá muito que comer a patrocinadores, televisões e afins, todo o suspense que envolve um duelo duplo entre estas duas equipas consubstancia-se como um verdadeiro fartote para todas estas entidades. É certo e sabido que estas empresas, mediáticas ou não, têm um papel ativo aos mais diversos níveis no desenrolar do futebol nacional, e este é apenas mais um exemplo disso mesmo. São eles que injetam dinheiro nesta industria e que tornam possível a realização de todo este espetáculo, querendo ver o seu investimento ser recompensado a qualquer custo. Por isso temos jogos às nove da noite de domingos e segundas-feiras e por esse mesmo motivo assistimos a este tipo de falcatruas em “sorteios” em que o fator aleatório não existe. É esta a festa da Taça, uma festa que também é a de todo o nosso futebol.

diogo-taborda-desenho-e1360007654750Diogo Taborda

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