Home

A boa época da equipa de Alvalade e o excelente trabalho de Leonardo Jardim não disfarçam evidentes lacunas dos leões: não há um jogador no miolo, nas alas e no banco que desequilibre e que em jogos mais duros e equilibrados consiga colorir a balança de verde. Para ganhar a equipas de meio de tabela, a organização colectiva e o trabalho de conjunto normalmente servem. Nestes embates mais rijos falta o tal abre-latas principalmente se tivermos em conta que nestes encontros não basta ser melhor que o adversário, é preciso ser quase perfeito. Esta condição é fundamental para resistir aos sopros externos habituais do nosso futebolês.

Na 5ª feira, quando soube que Pedro Proença seria o árbitro do importante Estoril-Sporting confessei a amigos: “O Sporting não ganha”. Não sou mágico, mas depois dos leões terem visto três pontos surrupiados de Mota frente ao Nacional – numa jornada crucial – era expectável que na jornada mais importante da primeira volta, o escolhido fosse alguém com o dom de agradar a quem ordena. E assim foi. Num embate entre duas equipas que privilegiam a posse, o toque de bola e as transições rápidas, o que se assistiu foi um pára-arranca desenhado por um dos heróis do costume.

Lopez-and-Icardi1

Wanda Nara, o ex marido Maxi López e Mauro Icardi numas férias em “família”

O “melhor árbitro do mundo” é uma espécie de Icardi do apito: o avançado argentino do Inter chegou de mansinho a Itália para alinhar na Sampdoria e foi acolhido pelo compatriota Maxi Lopez. Rapidamente se tornou num amigo da família e em pouco tempo já passava férias com Maxi, a esposa e os filhos. Seis meses depois já vive com a mulher do compatriota e com os seus dois rebentos. Icardi recebeu o esférico sorridente, agradeceu simpaticamente e dominou com frieza. Em poucos segundos pensou o jogo e desferiu o golpe fatal. Proença joga assim, sorridente – com a sua nova dentição – simpáticoantes do jogo distribui carinhos que vão desde Patrício a Paulinho – e quando a sua missão começa quer dar espetáculo, mostrar quem ordena. Não é um Evandro ou muito menos um Aimar, mas o apito permite-lhe gerir o jogo como mais lhe convém – a ele e àqueles que o fazem subir na carreira.

Em poucos segundos o amigo simpático e compreensivo, decidi apitar por tudo e por nada: ou porque o seu espírito é invadido por uma professora primária que tem de explicar todos os detalhes do jogo aos meninos; ou porque há indivíduos lesionados em campo que têm de ser atendidos durante largos minutos exclusivamente dentro das quatro linhas; ou ainda porque não gosta que os livres sejam marcados 5 cm à frente ou atrás do local preciso; ou então simplesmente porque venera embargar o jogo e atravessar a passo o campo para entregar garrafas de água perdidas ao 4º árbitro. Os amigos do início exigem explicações no fim, mas como se sabe o corno é sempre o último a saber e ai de quem conteste! No fim fecha-se os olhos a umas faltas aqui, interrompe-se constantemente a partida acolá e tudo somado temos 95 minutos de jogo, menos de 3 minutos de bola a rolar seguida sem interrupção, uma pitada de decisões estapafúrdias, duas equipas quase impedidas de jogar e um sistema satisfeito que saberá reconhecer com pontos mais um belo serviço.

Zidane tinha a roleta, Rivelino o elástico e Proença tem a Proencilla – que herdou do grande Thomas Gravesen. Aquele lance absurdo e de promoção ao anti-jogo que mina o espectáculo em benefício de quem está de fora. Uma obra muito apreciada em certas regiões de Portugal e que extermina qualquer perspectiva de evolução da Liga Nacional. É por isso que jornalistas e observadores estrangeiros quase adormecem a ver os nossos jogos e ficam de boca aberta – como estavam muitos na Amoreira – com a “gestão” de jogo dos nossos apiteiros. Em termos de tempo útil de jogo, não apostava em mais do que 30 minutos…

É por essas e por outras que as equipas com menos força nunca conseguem decidir nada. Como um dia disse, e bem, Jesus: “Eles não deixam. Só na PlayStation!” Este campeonato é o reflexo disso. Um Benfica sem deslumbrar mas repleto de bons jogadores, já patinou mas lidera, seguido de perto por um Sporting solidário que não fossem algumas “gestões” e estaria mais próximo do rival. O FC Porto mais fraco dos últimos anos com exibições deprimentes e atletas a roçar o banal, está a apenas 3 pontos da liderança – em que posição não estariam os rivais se jogassem assim?

Daí se conclui que para vencer em Portugal nos momentos chave, vestido de outro tom que não o azul, ou se têm elementos muito acima da média que quebrem os sopros – como tem este plantel encarnado – ou então ser superior ao adversário não chega, é preciso ser soberbo. Se assim não for, há o risco de surgir alguma Proencilla que penda a favor do campeão crónico. O clássico da Luz espelha isso: o Benfica esmagou o adversário, foi claramente superior e justamente alcançou a vitória. Se por ventura beneficiasse de uma supremacia ligeira e o FC Porto se exibisse de forma razoável, amanhã muitos se lembrariam que Jackson falhou um golo cantado num fora de jogo de km e que Mangala deu uma aula de andebol nas barbas de Soares Dias, que viu e não quis marcar. Detalhes que fazem regularmente a diferença mas que são SEMPRE importantes de salientar.

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO ENTRE EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’ E ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

SONY DSCBruno Gomes

Advertisements

One thought on “Não basta ser superior: é preciso ser soberbo

  1. A meu ver ao Sporting falta alguém ao meio-campo que dê maior qualidade e mais jogo para os extremos do Sporting.

    André Martins é muito poucochinho e o Adrien ainda é de luas. O único que ainda vai agarrando aquele meio-campo é o “homem sombra” (como gosto de chamar-lhe), o William Carvalho.

    Porque não tentam ir buscar o Hugo Viana, tal como o Porto foi buscar o Quaresma às arábias? Ou então, porque não recuperar o Elias? O ideal seria ter estes dois… acho que com concorrência, seria muito positivo para os putos do Sporting.

    Ah! E o Vítor? Porque é que não se aposta mais nesse jogador que na época passada carregou a equipa de Paulo Fonseca às costas?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s