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Já ouvimos por diversas vezes Jorge Jesus elogiar a capacidade técnico-táctica dos treinadores portugueses: “os melhores do mundo” , segundo JJ. Uma atitude de louvar já que sendo Jesus da Amadora, é capaz de reconhecer os méritos de treinadores estrangeiros. Uma chapada de luva branca naquelas que acusam o Mestre da Táctica de não ser humilde.

Partilho obviamente dos ideais do treinador benfiquista e contra factos não há argumentos: Fernando Santos é mais importante que Sócrates para os gregos, Mourinho parece que tem feito umas cenas e Manuel José será sempre o eterno rei do Egipto. Carlos Queiroz não entra na lista já que o seu voto em Messi na Bola de Ouro está prestes a retirar-lhe a cidadania portuguesa.

Mas não são só os treinadores medianos que conseguem emigrar. Lá fora já tivemos colossos como o Professor Neca na Índia, emblemáticos como Rogério Gonçalves a mostrar serviço num Ferroviário de Nampula, um experiente José Rachão a armadilhar equipas na Líbia e um catedrático como Vítor Pontes a dar de beber anos de literatura futebolística aos meninos do Chibuto. Os nossos treinadores têm feito tanto sucesso no estrangeiro que alguns até já ocupam cargos directivos como Carlos Carvalhal nos Emirados Árabes Unidos e Luís Campos (sim, esse mesmo) que agora é conselheiro desportivo do Mónaco. De salientar que temos a certeza absoluta que o Jorge Mendes não tem rigorosamente nada a ver com isto. Agora a sério, não tem mesmo.

A chave do nosso sucesso lá fora baseia-se no grande preparo que todos os nossos prodigiosos treinadores levam para os locais de trabalho. Desde o conhecimento de outras línguas, culturas, hábitos e costumes,  tudo é meticulosamente estudado antes de embarcar para uma aventura além fronteiras. Tendo em conta todos estes predicados, e já que estamos em época de grandes prémios cinematográficos, decidi carinhosamente homenagear os nossos emigrantes dos bancos que mais nos têm orgulhado lá fora.

As nomeações e o critério de escolha de cada premiado são feitas com o mesmo critério da Liga de Clubes e dos árbitros portugueses: tudo à toa.

Estão totalmente à vontade para votar e dar o vosso contributo para a eleição dos primeiros prémios do Emigrante de Banco by Palavras ao Poste.

E os nomeados são…

Uma obra que mostra a forma meticulosa e precisa como os treinadores nacionais preparam os seus jogos, até para espanto dos povos locais. Podia ser um filme mudo, já que a mímica é um dos pontos fortes de Toni. Contudo, tem som e é em espanhol, o que torna o nosso serão ainda mais espectacular. De certa forma esquecido pela crítica, mas amado por todos os que têm possibilidade de o visionar.

O bronze e as patilhas à galã de novela mexicana escondem um forcado másculo. Um puro sangue lusitano que ouve as perguntas com a cachola de lado, pronto para aplicar o velho golpe à “Cais do Sodré”. Apesar do castelhano perfeito,a macheza com que controla os acontecimentos e termina o seu discurso não nos deixa mentir: é português. Muito suspense num thriller à flor da pele.

Esta peça documental merecia um óscar de carreira, tal a genialidade do personagem principal. A peça cinematográfica que Woody Allen sempre sonhou fazer está aqui. Um idoso alegre, sensível, rodeado de jovens imbuídos pelo espírito de uma missão, jazz de fundo e diálogos que nem as legendas conseguem decifrar. A clássica comédia dramática onde a vergonha alheia e as metáforas profundas nos enternecem o coração. Uma co-produção britânico-portuguesa onde as duas línguas se fundem numa só. Aqui ficam dois aperitivos, mas o prato completo está à distância de dois clicks.

Eterno blockbuster do futebol português. A essência do treinador português está aqui: ponderação, calma, elevação, educação e uma incrível linguagem gestual. Um filme intenso onde a emocionante defesa intransigente de uma amizade e a busca incessante por justiça provam que há valores que nunca se sobrepõem ao dinheiro e aos poderes instalados. Obra prima do cinema nacional.

Chegou recentemente às nossas salas e já é um verdadeiro sucesso. Um filme de acção com uma interpretação honesta e dedicada. Vítor Pereira dá absolutamente tudo de si. Está tão realista na personagem principal que nos transmite paixão: as suas palavras parecem vindas do coração. Estudou agressivamente para este papel – com certeza que sabe que para deixar a Arábia Saudita necessita de visto – e nem as autoridades o parecem deter. Uma actuação memorável a relembrar os idos 90 onde Harrison Ford, em quase todos os  filmes, lutava para encontrar a família. A busca do homem do norte é mais profunda: ele  quer encontrar a verdade.

Qual Meryl Streep do cinema, Toni mais uma vez volta a brilhar. Este bombástico filme romântico de cariz iraniano é a receita ideal para um bonito fim de semana a dois. A forma como o lusitano se expressa num inglês (im)perfeito e que denota laivos de um retrocesso mental, para delírio de uma multidão que não o entende mas não deixa de o amar, é a cereja no topo do bolo de uma carreira digna de todos os louvores. Inegável o apelo à emoção e ao humanismo quando humildemente o actor assume não ser capaz de fazer magia. Tocante.

Perante tanta generosidade intelectual, torna-se demasiado difícil escolher um vencedor. A própria selecção dos nomeados foi deveras complicada. De fora ficaram:

diamantino_miranda_costa_sol_800_533Fora da Lei, com Diamantino em grande destaque. Um filme onde o protagonista acusa os adversários de se venderem por sopa, num país onde o marisco anda ao preço da chuva e o temperatura média acima dos 30 graus. Nestas condições sopa pode não ser a melhor opção. O argumento é fraco e prejudica um grande actor que através do seu olhar nos consegue mostrar o norte e o sul de toda esta trama;

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O Velocidade Medrosa, rodado em Atenas, com Jesualdo Ferreira numa luta desenfreada pela sobrevivência;

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O quente Dedo na Ferida, com Mourinho, qual Taveira, a introduzir – literalmente,  o dedo no olho de um oponente.

Todos sucessos que infelizmente ficaram de fora da lista mas estarão para sempre nos nossos corações. Não deixem de ler, ver e votar. É muito importante que se prestigie o que de melhor se faz em Portugal! Acreditem ou não: “I speak the truth“.

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SONY DSCBruno Gomes

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