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Paira por esta altura, em Alvalade, uma onda de indignação e contestação para com um diário desportivo e para com o seu Director, empossado há meia dúzia de meses. Um diário desportivo que, na opinião da massa adepta sportinguista, tem lesado gravemente o nome do clube e lançado uma autêntica campanha de perseguição aos seus jogadores e aos seus responsáveis directivos. Uma campanha que já foi inclusivamente denunciada por Bruno de Carvalho, há dias atrás numa entrevista à RTP.

A paciência ter-se-á esgotado na edição desta publicação do passado domingo, após o épico encontro da equipa de Alvalade com o Arouca, do qual saiu vencedora por 2-1 com um golo marcado por Islam Slimani. A indignação dos adeptos verde-e-brancos surge associada à capa dessa mesma edição em que, ao natural destaque dado à vitória e ao avançado argelino, são evidenciadas frases com uma forte carga de polémica e  de sentido depreciativo face ao clube leonino e aos seus jogadores, de alguma forma retiradas do contexto em que essas declarações foram proferidas.

Para  uma frase provocatória de Bruno de Carvalho dirigida ao Presidente do FC Porto («Ele fala porque tem de olhar para cima»),  é escolhido o título “Bruno de Carvalho goza com Pinto da Costa”; à resposta de Slimani à pergunta “gostaria de jogar mais?” é atribuída a declaração «Tenho de jogar mais»; e por fim à  explicação de Leonardo Jardim acerca da substituição de William Carvalho por Eric Dier, a propósito das características do trinco e do médio Adrien Silva, é descontextualizada a sua resposta e colocada secamente a declaração «Adrien a lançar é melhor do que William Carvalho».

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Capa do “Jornal X” após o triunfo do Sporting em Arouca.

Sem querer entrar na discussão à volta das intenções e dos objectivos desta capa, assim como na possível malícia inerente à escolha da estrutura da mesma, o que parece é que do ponto de vista jornalístico o seu conteúdo é manifestamente infeliz, senão vejamos: para começar, nessa partida, o Sporting tinha sofrido o primeiro golo ao cabo de 758 minutos com a baliza inviolável; Slimani tinha marcado o seu quinto golo da época como suplente; o Sporting, com aquele triunfo, tinha subido provisoriamente à liderança do campeonato e garantido o seu sexto triunfo fora de casa, o melhor registo (àquela data) no campeonato.

Posto isto, quer-se com isto dizer que havia um conjunto de informações e factos relevantes que mereciam e justificavam muito mais uma chamada de capa do que as frases escolhidas e entretanto desvirtuadas para a primeira página daquele jornal.

Capa do Jornal X após o triunfo do Benfica sobre o Marítimo.

Capa do “Jornal X” após o triunfo do Benfica sobre o Marítimo.

Maior rigor teve esta publicação na capa do dia seguinte, em que o grande destaque vai para a vitória do Benfica, líder do campeonato. Nesta primeira página, não se vislumbra qualquer ruído ou dúbias interpretações na análise à informação presente: título chamativo e eloquente –“Rodrigão”-, e informação limpa e relevante – “Espanhol soma 9 golos desde a lesão de Cardozo” e “Início forte mantém Benfica isolado”. Simples, sem inventar, como se exige – sempre. Neste mesma capa vem presente aliás o dado já mencionado e ao qual deveria ter sido dado destaque no dia anterior: “Islam Slimani, o suplente mais eficaz da Europa”. Too late.

Esta capa, que provocou a ira dos sportinguistas, surge na sequência de um conjunto de episódios a envolver o nome do Sporting e que tem colocado o novo Director desta publicação sobre brasas. Acreditam os adeptos do clube leonino que este antigo comentador de uma estação de televisão do mesmo grupo económico tem procurado denegrir e achincalhar o Sporting. A revolta é de tal ordem que nas redes sociais têm-se multiplicado movimentos e petições para que o dito jornal seja impedido de entrar em Alvalade. Para este sábado está também marcado um protesto, subscrito por mais de 4 mil pessoas no Facebook, para que este Director e os seus Jornalistas nunca mais possam entrar no recinto sportinguista.

Um Director que desde sempre foi conotado com o Benfica e que nas muitas intervenções de que foi dispondo ao longo de anos e anos na Comunicação Social nunca pareceu muito preocupado em contradizer esses “boatos”, aproveitando-se  destes espaços de opinião para emitir pontos de vista por norma desfavoráveis ao clube de Alvalade. Muitas têm sido as denúncias de adeptos e grupos do Sporting aos ataques deste senhor aos leões. Não se sabe se a sua relação com o clube encarnado já terá ou não sido assumida, mas o like na sua conta pessoal do Facebook à página “Planeta Benfica” parece não deixar grande margem para dúvidas…

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Director do “Jornal X” desenhou um cenário de crise no Sporting e condenou o resto da época da equipa leonina. (Fonte: Cortina Verde)

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Há dois atrás, apelidou Ricardo Sá Pinto de “aberração da natureza”.

Ainda antes da polémica capa com Islam Slimani, a cobertura do Jornal X ao polémico encontro Sporting x Nacional (0-0), no qual o árbitro Manuel Mota anulou um golo limpo ao avançado argelino, foi feita com recurso ao humor e trocadilhos com a época natalícia, e com uma clara relativização de um dos lances mais controversos de todo o campeonato. Uma vez mais sem querer descortinar quais as intenções por detrás desta linha editorial, aconselhava-se, porém, maior prudência e rigor na análise a esta partida, muito contestada pelos leões. Não que se devesse emitir qualquer juízo de valor sobre o lance em questão (nem sequer atacar de forma explícita a equipa de arbitragem, como é apanágio na imprensa desportiva portuguesa), mas abordar um encontro que teve os níveis de repercussão que teve com o título “Três Reis Magos”, em alusão ao empate pontual entre os três grandes no primeiro lugar da liga, não é, no mínimo, sensato. A liderança inédita ripartida merecia obviamente ser alvo de destaque, mas a arbitragem desastrosa do juíz de Braga acabava por se soprepôr ao empate técnico dos três grandes.

"Três Reis Magos" foi o título escolhido pelo Jornal X para cobrir o encontro Sporting x Nacional, após a polémica arbitragem de Manuel Mota.

“Três Reis Magos” foi o título escolhido pelo “Jornal X” para cobrir o encontro Sporting x Nacional, após a polémica arbitragem de Manuel Mota.

Mas o grande foco do celeuma da administração de Bruno de Carvalho e dos sócios do Sporting para com esta publicação prendeu-se com um “erro” relativamente à interpretação das leis e do regulamento da LPFP no que diz respeito aos critérios de desempate em caso de igualdade pontual na tabela classificativa. O jornal em causa, por meio do seu Director, defendeu-se, afirmando que estas mesmas regras, que afirmam que o critério do confronto directo só é válido no final do campeonato, quando todas as equipas já jogaram entre si, e até lá é a diferença de golos que serve de desempate, não fazem sentido, mas na realidade o que acaba aqui por não ter qualquer nexo é que um jornal desportivo se veja em posição de poder concordar ou discordar com estas definidas pelo Órgão que tutela e rege o futebol em Portugal. Por consequência, o Jornal X resolveu inventar uma classificação “à sua maneira”, indo contra todos os princípios de rigor e objectividade que regem o trabalho dos jornalistas. Nesta tabela, o Benfica subia para líder e o Sporting para segundo, como mostra a capa do dia 2 de Dezembro, sob a manchete “Cheira bem”.

A 2 de Dezembro, o Jornal X colocava o Benfica em 1.ºlugar por achar que os critérios de desempate definidos pela LPFP "não fazem sentido".

A 2 de Dezembro, o “Jornal X” colocava o Benfica em 1.ºlugar por achar que os critérios de desempate definidos pela LPFP “não fazem sentido”.

Porém, embora agravada desde a entrada deste novo Director, a actuação da publicação em questão para com o Sporting já vem de trás. Uma linha editorial “excêntrica” e cheia de títulos coloridos e divertidos, a que outras pessoas “preferem” chamar de “sensacionalismo”. Nós cá, não temos nada que ver com isso, mas não deixamos de nos lembrar daquele célebre “apagão” do símbolo do Sporting Clube de Portugal da touca do nadador do clube Alexis Santos, aquando da quebra do recorde de 100 metros costas. O na altura Director do jornal não teve outro remédio senão pedir desculpas ao clube de Alvalade, classificando este erro de “primário”, mas ao mesmo tempo mostrando-se incapaz de explicar o inexplicável…

Símbolo do Sporting na touca do nadador Alexis Santos desapareceu na edição digital do "Jornal X".

Símbolo do Sporting na touca do nadador Alexis Santos desapareceu na edição digital do “Jornal X”.

Mais recentemente, outra capa “extravagante” deste diário desportivo de Lisboa punha em primeiro plano o avançado holandês ex-Sporting Ricky Van Wolfswinkel numa perspectiva em que dava a entender estar a mostrar um gesto ofensivo à plateia de Alvalade. Com o título “É triste” e a legenda “Foi desta forma que Van Wolfswinkel comemorou o golo leonino”, o jornal apresentava uma imagem em que parece haver uma deturpação e manipulação total dos reais acontecimentos após a partida Sporting x Genk (1-1) para a Liga Europa. Na edição online, o mesmo diário insistia com a ideia escohendo outra perspectiva do momento que dá a entender um gesto que imagens frontais demonstram não ter existido.

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Uma capa do “Jornal X” que muita tinta fez correr…manipulação?

Mais uma perspectiva do gesto de Van Wolfswinkel escolhida pelo Jornal X.

Mais uma perspectiva do gesto de Van Wolfswinkel escolhida pelo “Jornal X”.

É aliás longo o historial de “alfinetadas” e capas provocadoras do jornal ao clube leonino. Uma das mais conhecidas, nos últimos anos, provocou uma onda de fúria dos simpatizantes verde-e-brancos, numa altura em que os leões viviam uma grave crise de resultados. Depois de um empate surpreendente  e uma série de sete encontros sem vencer, sob a batura de Carlos Carvalhal, os génios criativos da redacção criaram a manchete “É Carvalhal ninguém leva a mal”, brincando com os resultados desastrosos da equipa leonina, o desempenho do técnico bracarense e a época festiva do ano. Num clube que vivia em convulsão, estes “ataques” eram por isso mais que frequentes e a passividade das direcções leoninas um padrão de comportamento.

"É Carvalhal, ninguém leva a mal"...

“É Carvalhal, ninguém leva a mal”…

Outra das capas polémicas ainda sem o actual Director teve lugar no final de época de 2012/2013, numa altura em que o Sporting disputava os lugares europeus e se preparava para enfrentar o Benfica na Luz. A três dias do derby, o Jornal X escreveu “Jesualdo na corda bamba”, aproveitando o período de indefinição que se vivia em Alvalade. O Sporting acabaria por perder 2-0 na Luz e o “Jornal X” fazer manchete com “Já cheira a título”. O final da história já todos sabemos…

"Jesualdo na corda bamba", noticiava o "Jornal X" a três dias do derby com o Benfica.

“Jesualdo na corda bamba”, noticiava o “Jornal X” a três dias do derby com o Benfica.

A indignação para com este diário desportivo assumiu, todavia, maiores proporções mais recentemente, extravasando o Universo Sporting. Cristiano Ronaldo venceu a segunda Bola de Ouro da carreira, tornando-se no primeiro português a alcançar tal feito, e foi naturalmente notícia em todo o Universo, sem excepção…perdão, com uma única excepção, o “Jornal X”, que preferiu dar destaque a um rumor de mercado (pelos vistos sem qualquer fundamento) e a deixar para segundo plano a notícia do momento. Uma escolha editorial sem qualquer ponta de justificação e que aqui sim merece ser questionada. Não é a primeira vez que o Jornal X escandaliza o país com capas deste género, mas a do dia 14 de Janeiro de 2014 ultrapassa todos os limites. E que exigiria uma óbvia tomada de posição, que não vamos aqui dizer qual seria, por parte do seu Director.

Jornais de todo o Planeta deram destaque à coroação do português Cristiano Ronaldo como melhor futebolista do Mundo...à excepção do "Jornal X".

Jornais de todo o Planeta deram destaque à coroação do português Cristiano Ronaldo como melhor futebolista do Mundo…à excepção do “Jornal X”. (Foto:nosofadesigmund.blogspot.pt)

"Neto perto do Benfica" foi a manchete escolhida pelo "Jornal X" no dia  14 de janeiro de 2014. Ronaldo ficou para segundo plano.

“Neto perto do Benfica” foi a manchete escolhida pelo “Jornal X” no dia 14 de janeiro de 2014. Ronaldo ficou para segundo plano.

No enquadramento da realidade deste jornal, é obrigatória a referência a outra publicação pertencente ao mesmo grupo económico e que tem seguido uma linha editorial similar ao “Jornal X”. As mesmas pessoas presentes num e noutro espaço, o mesmo tipo de ataques, o mesmo tipo de insinuações. Colunas de opinião partilhadas e amizades usadas ao serviço dos que querem atacar, de um lado, e proteger, do outro. Um paralelismo encontrado na estação de televisão antes casa do actual Director do “Jornal X”, e de um portal desportivo dirigido por um jornalista seu amigo e camarada. Ambos “filiados” igualmente ao mesmo grupo económico. No final, uma grande camaradagem entre todos e um conjunto de ligações perigosas e questionáveis entre pessoas e jornais sem grande simpatia pelo clube de Alvalade. Como se viu numa das últimas conferências de imprensa de Leonardo Jardim, em que o treinador foi alvo de chacota com uma música que apelidava o treinador do Sporting de “mentiroso”. Uma vez mais o pedido de desculpas da Direcção de Informação deste canal não conseguiu explicar o inexplicável…

 Certo é que o novo Director do “Jornal X” partilha com o anterior um dos períodos mais complicados da história da publicação. O colapso nas vendas e receitas, ocorrido sensivelmente desde 2009 e acentuado nos últimos tempos, com despedimentos associados de dezenas de jornalistas com outras dezenas de anos de casa, agravou a vertente comercial e o desrespeito pelas regras deontológicas do jornalismo. O exercício da profissão ao serviço de crenças e convicções pessoais tem prejudicado de sobremaneira a publicação e retirado a pouca credibilidade de que vinha gozando ao longo dos últimos anos. Independentemente do clube visado, têm sido demasiado graves os erros cometidos, as falhas no que diz respeito ao rigor e  à objectividade no tratamento da informação e os ataques pessoais dirigidos a determinados protagonistas do desporto em Portugal. Com o tempo, muito mais do que os clubes, será sem sombra de dúvidas este jornal e os seus jornalistas os maiores prejudicados com esta total falta de profissionalismo.

 

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14 thoughts on “Informar desinformando

  1. Se o director do “jornal X” não esconde a sua côr, deixa-me que te diga, que também não és melhor que ele, pois também não despes a camisola para comentar imparcialmente!!! Essa do golo anulado frente ao Nacional é demais! Num lance em que há duas infracções;primeiro de Montero e depois de Slimani, dizeres que é um lance “limpo”….!!!

  2. Muito bem escrita, esta crónica. E Obrigado por terem ilustrado o texto com as imagens, e por terem tido o cuidado de poupar o nosso olhar retirando o nome desse pasquim, que como todos sabem é o Rascord.
    Talvez um unico ‘senão’: faltou terem-se referido também àquilo que a rádio TSF fez – será que também pertence ao referido grupo económico? – aquando de um jogo Sporting- benfica, quando na sua página online, na ficha do jogo adulterou o emblema do SCP retirando de lá o leão e substituindo-o por 2 lagartos. Isso, em minha opinião é ainda mais grave do que o photoshp que o Rascord fez à touca do Alexis Santos, porque se atreveram a desvirtuar uma marca que tem o lettering registado, e isso devia ser criminalizado.
    Cumprimentos, e parabéns pela objectividade da crónica.

  3. Só pergunto ao comentador Pedro, que falta do Slimani viu ele no lance do dito golo anulado. Inspirou com tanta força que puxou o jogador do Nacional???? Foi isso??

  4. Muito bem , qualquer pessoa se apercebe da má fé desse jornalzeco que noutros tempos me merecia respeito, atualmente devia e podia mudar de nome , em vez do Rascord , punha o nome de Lampião .

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