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Paulo Fonseca chegou de mansinho ao Dragão.  Aterrou de leve, ainda embevecido pela humildade dos campeões. Como todo bom treinador portista, vestiu logo o papel de capacho e pau mandado da direcção para verbalizar anormalidades que justifiquem as suas incapacidades técnicas. Infelizmente, desde Co Adriaanse que não se vê alguém que pense pela própria cabeça e não seja moço de recados no banco azul e branco.

Não é uma novidade. Normalmente quando o Porto tem de olhar para cima – mesmo que ligeiramente – a guerra com o Sul ressurge e respinga para todos os lados. Começando pela imprensa, que apesar de ser sempre tão afável com a estroutura (imaginem se o sumiço de Izmaylov fosse de outras cores) é acusada de um ataque concertado. Passando pelos os organismos que gerem o nosso futebol – criticados oficialmente quando na verdade passam a vida de mãos dadas com o azul em marisqueiras de Matosinhos. A cereja no topo do bolo são as arbitragens sempre tão prejudiciais ao FC Porto – aliás, ver o Porto queixar-se dos árbitros é o mesmo que ver o Bibi a queixar-se da pedofilia. Esta cassete riscada que se vende no mercado azul costuma dar frutos e em Maio cá estaremos para confirmar o que escrevo.

Nenhum portista que se preze idolatrou o reinado de Vítor Pereira. Mas é inegável que o seu Porto tinha qualidades e uma identidade definida: equipa intensa e competitiva, seguríssima defensivamente e compacta. Pecava exclusivamente por ausência de criatividade, inoperância ofensiva e pela dependência excessiva da magia individual de alguns atletas ou de alguma Proencilla. Em termos discursivos, Pereira era mais do mesmo: um fantoche comunicacional mandatado a  classificar um campeonato como sujo e Calabotiano – quando ia atrás – e competitivo e higiénico quando passou à frente.

A história de Fonseca é similar. A humildade inicial era tanta que ao trocar a Mata Real pelo Dragão, foi assaltado na última jornada e nem sequer prestou queixa. Os tempos passam e as pessoas mudam. O Fonseca humilde e capaz deu lugar ao primeiro Fonseca que conheci: uma personagem televisiva frágil e com debilidades óbvias, que não conseguia fazer frente aos seus adversários e era lançado às feras pela parceira – qual estroutura. O final da história era ligeiramente diferente: a esposa de Fonseca apesar das limitações do marido – que seria derrotado de forma evidente –  dava-lhe sempre um voto de confiança: “O Fonseca arrebenta” – dizia ela.

Apesar das constantes insuficiências demonstradas, Paulo está destinado ao sucesso e o caminho é cada vez mais curto – nem que seja à boleia na Mota de algum talhante ou atropelando a verdade desportiva com as artimanhas do costume. O importante é ganhar, custe o que custar. As futuras vitórias de Paulo são o que o separa das iminentes derrotas do velho Fonseca. Aliás, é a única dissemelhança entre os dois, já que o treinador também foi agraciado com provas de fé e juras de amor: “Se a época acabasse hoje teria renovado com Paulo Fonseca.” – afirmou de forma “sincera” o poderoso líder azul e branco.

Apesar de jogo sim, jogo não os centrais azuis darem brindes dignos das distritais, o meio campo andar cheio de invenções e persistir a aposta na banalidade de Licás e Josués, – em detrimento do talento de Kelvin e do renegado Iturbe – a culpa da apatia futebolística do Porto é dos árbitros. Logo eles tão prejudiciais ao Dragão e tão decisivos em favor dos rivais. Imaginem que o apito amigo andava realmente de costas voltadas com os azuis e brancos: com a qualidade de jogo que estes têm apresentado, em que posição não estariam?

O fantoche de banco do momento teve uma declaração feliz este sábado, depois de um pénalti para lá de suspeito – num jogo que estranhamente começou e terminou bem depois da hora – ter dado a vitória dos titulares azuis contra os suplentes maritimistas: “Foi uma vitória à Porto.” – Sem dúvida. Com todos os ingredientes com que se constrói o sucesso em Portugal: suspeição, trafulhice, ilegalidade, impunidade e um camião de lata e arrogância. Apreciei particularmente a encenação de desprezo para com a Taça da Liga. É que da forma vergonhosa como forçaram – e festejaram – esta passagem às meias-finais parecia que se batiam pela Liga dos Campeões.

Na Luz, o Porto mais banal dos últimos anos, foi sendo salvo pelo amigo do apito que bem tentou mas não conseguiu contrariar a gritante incapacidade azul. Para ficar bem na foto, o Sr. Juiz esperou o jogo estar resolvido para proteger o Benfica e não ser acusado dos favorecimentos habituais.  Uma arbitragem covarde que espelha bem como funciona o nosso futebol. A indignação foi tanta que Fonseca demorou uma semana (!!) a queixar-se da equipa de arbitragem. Deve ter reflectido imenso e chegado a esta brilhante conclusão sozinho.

Já o vi não ter duvidas em lances longínquos na sua área e depois dizer que precisa da repetição em lances na área dos outros. Curiosamente depois de a ter, recusa-se a comentar até para desgosto de alguns amigos. 

Pois é, pela vitória perdem-se princípios e ignoram-se valores. As incoerências crescem, revelam-se vertentes e nascem dúvidas. Ajudem-me, já não sei se o Fonseca arrebenta ou está arrebentado.

PS: No dia em que o FC Porto for afastado de uma competição nacional por irregularidades, a selecção nacional do Sri Lanka vai celebrar o seu octacampeonato mundial de futebol.

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SONY DSCBruno Gomes

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6 thoughts on “Fonseca Arrebenta

  1. gostava ja agora de saber quando é que o benfica foi afastado de uma prova por irregularidades…
    quando jogou no algarvE?
    quando mudou o jogo para o restelo sem o aviso previo de 10 dias com concordancia dos 2 clubes?
    ah..ja sei… o benfica nao comete irregularidades.. o benfica é superior… é grande..é glorioso… é cheio de gente boa e impoluta….

  2. Caro Bruno,

    Vou “aspar” porque a afirmação nem é minha : “PS: No dia em que o FC Porto for afastado de uma competição nacional por irregularidades, a selecção nacional do Sri Lanka vai celebrar o seu octacampeonato mundial de futebol.»

    Agora vamos recordar alguns jovens incautos que se recusam a ver ou a enxergar o obvio. O FC Porto ganhou nas ultimas 10 temporadas 3 T Europeias e 1 T Intercontinental. isto é, ganhou mais Taças Internacionais, do que Benfica e Sporting na sua longa história, e conquistas do tempo das “caravelas quinhentistas”, coisa com mais de 50 anos. Com Vieira como Presidente do Benfica, ultimas 11 temporadas, nunca o F C Porto ganhou tanto cá dentro, como lá fora. Portistas e benfiquistas convergem de opinião em relação a Vieira, se os benfiquistas o idolatram e quase beatificam, os Portistas adoram-no e querem prestar-lhe um tributo com o Dragão de Ouro, como sócio da década do FC Porto!

    Recordo noutro contexto, que o “adjunto” Vítor Pereira entre Outubro de 2011 e Fevereiro de 2012, teve resultados penosos, desde o empate no Dragão com o Benfica, a derrota no Chipre com o modesto Apoel do Manduca, eliminação precoce na Champions, a goleada com o City já na L Europa, goleada em Coimbra para a T Portugal (Se o “adjunto” em Coimbra saiu escoltado por Pinto da Costa, Fonseca recentemente e no mesmo Estádio também foi escoltado ), a derrota em Barcelos entre outros maus resultados. Tudo e todos, sócios/adeptos do FC Porto pediam a cabeça do “adjunto”. Certo é que o “adjunto” Vítor Pereira foi Bi-Campeão, com merito, mas com a preciosa ajuda dos “Proenças” da SAD do Benfica, sempre deligentes e “competentes”, entregaram 2 Campeonatos ao FC Porto, num misto de competencia do FC Porto, e incompetencia da Estrutura do Benfica, questiono se essa Estrutura exista mesmo no Benfica…

    P Ferreira FC Porto, e a nuvem de suspeição sobre esse jogo. Relembro que na semana anterior, o Paços de Fonseca “carimbou” em Coimbra com um empate o 3º lugar, e a inédita participação no play off da Liga dos Campeões. Na semana seguinte, as festas, as comemorações, o relaxamento na semana do Paços Porto eram más conselheiras. O FC Porto havia ganho ao Benfica nos descontos, e assumiu contra todas as expectativas mais optimistas a liderança, e o Campeonato estava dependente de uma vitória em Paços de Ferreira. A equipa fechou-se no “casulo”, não falou, concentrou-se nesse jogo, e ganhou naturalmente. Sim, não houve GP sobre James, mas quem de nós sem repetição, afirmaria que Ricardo rasteirou James fora da area?

    Depois, recordo que o FC Porto jogou 15 jogos como visitante na Mata Real, ganhou 10, empatou 3 , e perdeu 2 jogos, isto é, a estatistica ditava que o FC Porto era favorito natural, e que a vitória faria do FC Porto Campeão, e o Paços “jogava a feijões…” , considero portanto estapafurdia as teorias conspirativas que se criaram sobre esse jogo, mas também é verdade que a máquina de propaganda do Benfica ao criá-las, evitou colocar a nu a incompetencia dos “Proenças” da SAD do Benfica!

    O Benfica não, não morreu na praia, o Benfica morreu mesmo com o Estoril Praia, e depois de ter festejado o Campeonato nos Barreiros, seguida de extraordinária conferencia de Imprensa do João Gabriel, oportuna e com o timing mais ajustado!

  3. Basicamente o que esse teu triste coment quer dzr é que os fins justificam os meios. Relê esta citação:”Pois é, pela vitória perdem-se princípios e ignoram-se valores.” Deixo te aqui umas cenas q n deves conhecer, talvez agora mudes de opinião como pessoa justa e honesta q tu deves ser.

  4. Boa tarde,

    Antes de mais, sou portista.

    Também eu queria o Vítor Pereira fora daqui e também eu já o “perdoei”. É inevitável, porque os defesas que antes eram de aço agora parecem de palha e o discurso que antes era ridículo, agora seria um bálsamo para a alma tendo em conta o que se passa hoje em dia.

    Posto isto. Sim, o Porto foi várias vezes beneficiado pelas arbitragens. Contudo, é ridículo também criar teorias da conspiração sobre como Artur Soares Dias “esperou” que o Benfica já estivesse a ganhar para prejudicar um bocadinho o Porto. Os benfiquistas têm (com todo o respeito) o “complexo Calimero” e acham que são sempre eles os prejudicados. Não se iludam: com ou sem teorias da conspiração, tanto Porto como Benfica foram, nesse dia, prejudicados — e é exactamente por isso que ninguém tem, a respeito desse jogo, o direito de atacar o árbitro (inclusivamente Pinto da Costa, que fez uma triste figura a tentar a proeza!).

    Quanto ao penalty do ano passado na Mata Real, subscrevo o que disse o Paulo Oliveira: todos precisámos da repetição para ver que não era dentro da área. Não era penalty, certíssimo. O Porto foi beneficiado, certíssimo também. No entanto, repito, era um lance de análise complicada.

    Em relação ao jogo da Taça da Liga, não vou alertar para alguma falta de nível nas suas palavras no fim do parágrafo em questão, pois não vale a pena incorrer por tais caminhos. Apenas digo: o meu tio, treinador de futebol e benfiquista, analisou o lance da seguinte forma: “quem percebe o mínimo de futebol vê bem que aquilo é penalty.” Lance dúbio? Apenas a olho nu e no correr do jogo, pois a partir em que se vê a repetição, não deveriam restar dúvidas.

    Não posso deixar de concordar plenamente, todavia, quando refere que Paulo Fonseca, obediente e ridículo fantoche da Direcção do meu clube, tem tido um discurso “cegamente” estapafúrdio e penoso, querendo mascarar as péssimas — reitero, péssimas — exibições da equipa com as arbitragens. A defesa mete água por todos os lados, o meio-campo não opera e do ataque nem se fala. Com Vítor Pereira, o futebol não era o mais bonito, mas tinha uma identidade. Posse, segurança defensiva, jogo dominante e “à campeão” (na medida em que não deixava o adversário tocar na bola, circulando-a sempre no meio-campo contrário) um rendilhado pensativo algo maçudo, é certo, mas que tinha a sua impressão digital e sabia respeitar a identidade dos próprios jogadores: James era muitas vezes o 10 da equipa, Fernando jogava sozinho, etc.

    Aqui, além do futebol horrível, há também um claro desrespeito pela identidade dos jogadores. Lucho não é um 10 nem um box-to-box. Fernando não pode, de todo, jogar com alguém ao lado. Isto para citar apenas alguns exemplos. Ainda para mais, relegar Kelvin para a equipa B, mandar Iturbe embora e mesmo manter Ghilas (que pode ser extremo) no banco, quando se tem elementos como Varela e Licá a espalhar a sua mediocridade em campo, é risível. E depois, com todo o desrespeito pelos jogadores e os próprios adeptos, decide dar a estes o eye-candy e dar cinco minutos por jogo a elementos como Ghilas, Kelvin e Quintero, talentos em potência que correm o risco de estagnar nas mãos de Fonseca.

    Além disso, há também desrespeito pela atitude de campeão (um campeão nacional que vai a Alvalade defender é de rir) nem pela vontade de vencer — porque não a há, pura e simplesmente, por mais que me queiram convencer do contrário.

    Paulo Fonseca tem de partir. Agora ou no fim da época, não pode ficar aqui para a próxima época, nem que seja campeão. O Porto, melhor equipa de Portugal, perdeu a sua identidade.

    Em suma, o Porto já não joga, precisamente, “à Porto”. Jogamos à Paços de Ferreira, quando muito. Nem isso, se calhar.

  5. Seja muito bem-vinda ao “Palavras ao Poste”. Obviamente que não concordo com muitos dos seus pontos de vista, mas devido ao cariz respeitador e de múltiplas opiniões de que é feito este blog, merece todo o meu respeito e consideração. Muito obrigado pela sua participação e contamos vê-la mais vezes por cá.

  6. Gostaria apenas de referir que concordo que o Porto tem sido marginalmente ajudado pelas arbitragens. E que tal facto me envergonha. E ainda que o Porto não mereceu, de todo, ganhar o campeonato anterior. Aquele golo aos 92′ caiu-nos do céu (que posso dizer?, o Kelvin é daqueles talentos que podem decidir um jogo de um momento para o outro — e ainda bem). Contudo, o Benfica não foi campeão na época passada pela sua própria incompetência, pois começou a festejar o campeonato quando este não estava ainda ganho.

    Digo mais: se este ano não ganharem, só se terão a eles próprios para culpar. Digo isto apoiando-me em dois factores. Primeiro, o facto de o Sporting estar a lutar pelo título mostra quão mal os outros dois estão. Segundo, com o Porto tão mal, o Benfica só não está muitos prontos à frente porque não jogou no início da época como está a jogar agora: bem. Neste preciso momento, o Benfica é, de longe, a melhor equipa portuguesa. Deveria, pois, fazer jus a tal estatuto e ser campeão. Espero que o seja; pode ser que ajude o meu Porto a livrar-se de vez do Paulo Fonseca.

    Tenho confiança cega em que ele se vai se não formos campeões.

    Desde já um obrigada pela simpática resposta, também eu espero contribuir mais vezes com os meus comentários.

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