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Dentro de algumas horas encerrar-se-á o mercado de transferências de Janeiro, um dos períodos mais conturbados da época que por variadas vezes se revela decisivo na definição do resto do calendário das principais equipas europeias. É uma altura de redefinição de plantéis, de corrigir o que de menos bem correu na primeira parte do campeonato e melhorar, em função das oportunidades, o grupo de jogadores que cada equipa tem à sua disposição.

No entanto, e apesar de ocorrer em época de saldos, é um mercado onde raramente são encontradas pechinchas e boas oportunidades de negócio. Porque o ano futebolístico vai a meio, e todos os objectivos estão ainda por cumprir, e porque a margem de valorização dos maiores activos segue igualmente ainda a 50% da sua capacidade, havendo ainda várias semanas para aumentar o impacto e o valor no mercado.

Mas com o Mundial à porta existem riscos, para os jogadores e para os clubes, que não podem ser assumidos. A venda de Juan Mata, internacional espanhol que se vinha sentando no banco de suplentes de Stamford Bridge por José Mourinho nas últimas semanas, é um exemplo disso mesmo, com o antigo jogador do Valência a optar por sair para o Manchester United para garantir uma vaga no Rio de Janeiro, no próximo verão.

Noutro plano, Janeiro é um mês em que o risco pode também dar lugar ao sucesso três meses depois. Quando se luta taco a taco com várias equipas por um único objectivo, às vezes um simples bom jogo aéreo pode fazer a diferença – quando a máquina funciona, e funciona bem, mas precisa só de uma pequena peça para trabalhar a um ritmo mais elevado.

Em Portugal, as máquinas dos três grandes vão trabalhando dentro dos padrões normais, embora umas carburem manifestamente mais rápido que outras. Há quem precise de muitas peças, há quem precise de apenas uma, mas de qualidade.

No Benfica, como é habitual, os motores vão começando a arrancar e a funcionar em pleno, com resultados muito satisfatórios e demonstrativos da qualidade do material existente. Mas com a perda da motherboard Nemanja Matic, não se sabe ao certo como reagirá a equipa quando dela os adversários mais forem exigindo. Sem o elemento que naquele conjunto era capaz de fazer tudo, cabe às peças que ficaram conseguir cumprir com eficácia e qualidade a sua parte. Achou a estrutura encarnada que não precisava de ninguém para suprir a saída do sérvio, e a qualidade do seu plantel assim parece fazer crer.

Em Alvalade paga-se menos por cada peça, apesar do rendimento igualmente produtivo. Subsistem, porém, muitas dúvidas quanto à capacidade de reacção da máquina nos jogos decisivos, quando for preciso partir para cima e arriscar, passar pelos adversários e marcar golos. De facto, à águia não faltam asas para poder voar, quando assim for preciso. Por isso mesmo, pedia-se ao leão, neste mercado de Janeiro, a procura por garras que lhe permitam lutar de igual para igual e impedir o voo da formação de Jorge Jesus. Maior virtuosismo e capacidade de decisão, no ataque, mais capacidade de assumir o risco no meio. Dois reforços diferentes que dessem a Leonardo Jardim a possibilidade de assumir o tal risco nos jogos decisivos que se avizinham.

A estrutura do Sporting quis, ainda assim, dar prioridade à resolução dos excedentes do seu plantel, conseguindo simultaneamente conservar os principais jogadores (aparentemente também sem propostas de relevo) de uma equipa que se mantém na luta pelo título. Será o pé esquerdo de Shikabala suficiente para elevar os leões a outro patamar? As características do egípcio cumprem uma das necessidades do onze, é verdade, mas nas alas continua a faltar o tal jogador que possa decidir campeonatos, uma vez que Andre Carrillo ainda não consegue assumir esse papel.

No Dragão a máquina nunca chegou a demonstrar estar de boa saúde. Não se pode dizer que não funciona, é verdade, mas também não oferece garantias. Falta um elemento no meio-campo e várias soluções no ataque, numa equipa com grandíssimos jogadores misturados com outros sem nível para representar o FC Porto. Regressou Ricardo Quaresma que, apesar da histeria da imprensa desportiva do Norte, não deixa de ser mais uma evidência das reais dificuldades dos azuis e brancos em apostar nos valores que até há bem pouco tempo foi sendo capaz de trazer para a cidade invicta. Quaresma é uma solução de recurso que mais não é do que o reflexo da incapacidade da estrutura azul e branca em garantir a aquisição dos jogadores que a equipa realmente precisa. Continuam por isso os dragões carentes de magia na frente de ataque, de craques que acompanhem a classe e a eficácia de Jackson Martínez, e sem o tal médio que consiga assumir o jogo da equipa. A ajudar a tudo isto permanece Paulo Fonseca, o engenhocas de serviço que vai conseguindo a proeza de não conseguir pôr a render as boas peças que ainda estão pelo Dragão. Porque, convenhamos, o onze-base deste FC Porto não deixa de ser forte, e mesmo sem alternativas no banco, era equipa para estar no topo, e a jogar o dobro do que joga.

No mercado das restantes equipas, destaque para Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e Belenenses. Os bracarenses corrigiram os problemas na defesa com as chegadas de kadú e André Pinto, e ainda reforçaram o meio-campo e ataque com Rodrigo Battaglia, Rusescu e Erick Moreno. Grandes cartadas de António Salvador e Jesualdo Ferreira que deverão empurrar a equipa para a luta pelo quarto lugar com Estoril e Vitória de Guimarães. Logo a seguir o Vitória de Setúbal também foi certeiro e levou para o Sado Ózeia, João Mário, Betinho e Zequinha, aumentando objectivamente a qualidade do seu plantel que lhe permite garantir com mais tranquilidade a manutenção. Os homens do Restelo, em zona de despromoção, não quiseram também perder tempo e garantiram os reforços Gonçalo Brandão, André Geraldes, Bruno China, Roland Linz e o regresso de Rambé (ex-melhor marcador da II Liga), procurando desta forma abandonar o estatuto de pior ataque da primeira liga. Juntamente com o Olhanense, que com as chegadas de Sampirisi, Obodo, Santana, Paulo Sérgio e Davide Moscardelli (ainda por confirmar) reentra na luta pela permanência, são duas equipas que poderão competir agora com outras armas no resto do campeonato e dificultar a vida ao Paços de Ferreira, que não conseguiu melhorar substancialmente o seu grupo de jogadores. O Arouca, apesar de mais tranquilo, pode também ter mais dificuldades em manter-se acima da linha de água nesta segunda volta.

Nas restantes equipas, muito poucas alterações de relevo no que toca a saídas e a entradas. Terminado este mercado, resta esperar pelo próximo e rezar por uma valorização dos que ficaram, sob pena de toda a planificação da nova temporada ir por água a baixo.

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André Cunha Oliveira

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