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Já passa mais de mês e meio desde a fatídica madrugada que levou a vida a seis jovens no Meco, mas o tema está mais vivo que nunca em jornais e televisões. Testemunhos de familiares, amigos e conhecidos das vítimas começam a brotar em cada meio de comunicação social e um vasto leque de suposições vai surgindo no que concerne ao que realmente se passou naquela praia. No que aos factos diz respeito, sabe-se que da tragédia resultaram seis mortos e um sobrevivente e que a casa onde os jovens estavam alojados foi arrumada e limpa por alguém no dia seguinte ao acontecimento. E onde estava a Polícia?

A Polícia, bem, a Polícia parece ter-se deixado atordoar pela força das ondas. Esta é uma história real, mas se se tratasse de um mero episódio de CSI seria claro que as autoridades competentes vedariam desde logo o acesso à residência com o intuito de conservar eventuais provas que se constituíssem como pistas para se perceber o que realmente se passou posteriormente. Mas tal não aconteceu e versões contraditórias dizem que o único sobrevivente, acompanhado por um familiar ou pela Polícia Marítima, se incumbiram de arrumar a casa e recolher os pertences de todos os falecidos.

Esfumou-se desta forma uma das poucas formas de edificar a reconstituição daquilo que se passou naquela madrugada. Nenhum dos sete elementos levou o telemóvel consigo o que impossibilita a vistoria a eventuais comunicações que tivessem sido feitas minutos antes de o mar os engolir, o cenário onde os jovens se encontravam antes da tragédia suceder foi adulterado sem que fosse analisado pela Judiciária com o rigor que se exigia e agora só as palavras do único sobrevivente poderão desvendar a verdade daquela noite.

Não significa isto que se tenha tratado de um crime punível por lei, mas a verdade é que mesmo que realmente o tenha sido as autoridades dificilmente terão forma de o descobrir e, ainda menos provável que isso, de o provar. O jovem estará certamente a sofrer na pele as consequências daquela noite, o arrependimento já se terá apoderado do seu espírito e o sentimento de culpa, mesmo que não tenha sido ele o causador de tão trágico episódio, nunca mais largará a sua mente, criando uma sombra que o acompanhará por muito tempo. Do polo oposto estão ao pais das vítimas que se limitam a implorar pela verdade e no centro de toda esta teia está a Polícia Judiciária que tem agora o dever de a arrancar, de uma forma ou de outra, à única pessoa que a pode relatar.

Esta é uma história ainda com muito por contar e que tem tudo para acabar com um final infeliz muito por culpa de uma Polícia que não soube explorar as ocorrências desde o primeiro momento da maneira mais acertada. O jovem sobrevivente terá tudo a ganhar em revelar o que se passou naquela madrugada e é certo que tem muito para explicar, mas as autoridades terão poucos argumentos para verificarem se a versão corresponde à verdade ou não. E pior que isso é a possibilidade de que se as coisas azedarem e o rapaz for construído arguido, este ganha automaticamente o direito de não proferir nem mais uma palavra sobre o assunto, protegido por uma legislação tantas vezes inconsequente e desigual. E no final, com ou sem debate público sobre as praxes e diretamente do Meco para o Mundo, tudo ficará na mesma.

diogo-taborda-desenho-e1360007654750Diogo Taborda

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