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A última jornada do campeonato português foi rica em polémicas e depressa surgiram as generalizações habituais, as reacções a quente e inflaccionadas pela clubite e as teorias mais rocambolescas. Há uns belos anos – pelo menos desde que me recordo de ver futebol – que a visão dos adeptos dos três grandes sobre as polémicas não coincide. Benfiquistas e Sportinguistas teimam em não ver o que é evidente. Portistas veem, aceitam, orgulham-se e ainda atiram areia para os olhos mais esbugalhados.

Os adeptos do FC Porto, reconfortados com títulos em massa, vão defendendo a honestidade das suas conquistas atirando culpas aos seus rivais. Negar que torcem por um clube que joga grande parte da época nos bastidores é algo cada vez mais difícil. E, por isso, recorrem ao célebre argumento do “nós somos corruptos mas os outros também são”, aliado a um certo orgulho por ser Pinto da Costa quem “corrompe melhor”. Nos tempos mais recentes, tem sido o Benfica e os seus dirigentes os alvos dos adeptos dos dragões, não fosse o clube da Luz o grande rival das últimas temporadas. Dizem eles que Luís Filipe Vieira é como Pinto da Costa (ou, pelo menos, tenta ser), tenta fazer como ele, mas mesmo assim não consegue ganhar títulos. Só que, quem não tem a memória curta nem menos idade do que eu, estará certamente recordado de que quando foi o Sporting campeão, quando o Benfica andava nas ruas da amargura, rapidamente se criou uma certa onda que apontava para um Sporting dominador nos bastidores. Muitos adeptos Benfiquistas, sempre com a mira apontada ao grande rival de Lisboa, juntaram-se ao coro de indignados, qual ovelhas de um rebanho. A ideia que se quis criar acabou por ficar junto dos mais fervorosos: o Sporting foi duas vezes campeão em três anos porque naquela altura mandava. Nada mais errado. Tinha era melhor equipa. Muito melhor equipa. E há vezes em que isso consegue mesmo fazer a diferença. Porque não basta ser melhor, tem que se ser muito melhor.

Ora, no seguimento dos casos da última jornada, surgiu novo capítulo na nova onda criada para distrair os menos atentos. Na passada jornada, o Benfica foi beneficiado numa grande penalidade. O Sporting foi prejudicado, também numa grande penalidade. E rapidamente os adeptos leoninos se agarraram à ideia de que o Benfica manda nisto tudo. Manda o Benfica e manda o FC Porto. Uma união tão bem sucedida que leva os títulos para o norte e os melões para a Luz.

É aqui que quero chegar. Que o futebol português está atolado em corrupção até aos olhos, ninguém de nós duvida. Afinal, num país onde ser corrupto é quase tradição e os mais mafiosos são idolatrados, outra coisa não seria de esperar. Mas façamos um exercício simples. Existe corrupção? Sim. A corrupção no futebol decide títulos? Sim, aqui e noutros países, como já ficou provado. No final, ganham os corruptos ou os outros? Os corruptos, pois claro. Se um clube ganha 20 campeonatos em 25 possíveis, cabe na cabeça de alguém que divida o Sistema com outro clube? Com o Benfica, que ganhou dois campeonatos em 25? Com o Sporting, que ganhou outros dois no mesmo número de edições? Ou com o Boavista, que ganhou a outra edição?

Que o Benfica, o Sporting, o Boavista ou o Melhada tenham sido corruptos noutras fases da história, não duvido. Não coloco as mãos no fogo por ninguém. Nem sequer pela direcção actual do meu clube (ou, sobretudo, por estes). Mas não tenho a mínima dúvida que no futebol português há um clube que manda há 30 anos. E como nas raras vezes que festejo, festejo aquele título e não os 30 e tal campeonatos do meu clube, incomoda-me muito mais o presente. É que há clubes que só recebem, que quase protestam quando os árbitros têm a lata de não os beneficiar. Já os outros clubes recebem aqui para dar ali. Têm um penalti favorável hoje mas já tiveram outros por marcar. E amanhã, se necessário, perdem o campeonato com um fora-de-jogo de metros, um penalti inexistente. No momento decisivo, o Sistema não falha. Desde que vejo futebol, nunca falhou. Tivemos, isso sim, anos em que não conseguiu colmatar as diferenças de qualidade entre planteis. E assim, cabe ao dominador a simples tarefa de chegar vivo à fase final da prova. E é uma tarefa tão simples, como fica quase sempre evidente nos inícios de temporada, sobretudo quando houve mudança de treinador e é necessário um empurrãozinho (André Villas-Boas ou Paulo Fonseca que o digam).

Ainda não falei dos adeptos Benfiquistas mas, neste assunto em particular, acho que são em geral muito semelhantes aos do Sporting. Porque a rivalidade entre os dois clubes ainda é a maior do nosso futebol e do nosso desporto. Não nego que já ouvi muito bom benfiquista dizer que o Sporting manda muito, sobretudo depois de um jogo em que o clube de Alvalade é beneficiado. Custa-me sempre um pouco ouvir porque sei que enquanto assim for, difícil será derrubar o Sistema. Mas as rivalidades são mesmo assim.

Seja quem for o vencedor do derby deste domingo, uma coisa é certa: qualquer um dos dois ainda terá muito que penar para ser campeão. Se der para ser o mesmo de sempre, se Paulo Fonseca não continuar a dar tiros nos pés (já agora, a direcção também – aquela venda de Lucho…?), o factor decisivo voltará a ser o mesmo. Haverá nova dose de melão a caminho de Lisboa (quiçá dose dupla) e muita outra ‘fruta’ com os destinatários do costume.

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joni_desenhoJoni Francisco

One thought on “Os alhos e os bugalhos

  1. Caro Joni,

    Não é menos verdade que o clubismo doentio, acaba por cegar e enviesar a coerencia dos articulistas e fazedores de opinião.

    Sobre a corrupção e a “batota”, os habituais argumentos usados para mascarar a incompetencia de alguns, ou menosprezar o mérito de outros, já ultrapassou fronteiras, vejamos, o FC Porto nos ultimos 25 anos ganhou 4 Taças Europeias, “só” o dobro das conquistadas por Benfica e Sporting em conjunto, e conquistas essas com mais de 50 anos, mas também sabemos que essas Gloriosas conquistas de um Clube de uma pequena Cidade do Norte, de um pequeno País periférico da Europa do Sul, tiveram o beneplácito quer da arbitragem, da UEFA, e personificada talvez em Platini…

    Porque afinal o sistema não dorme, deixo alguns dados,
    o Anexo III do Regulamento das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, através do ponto 7 do Artigo 9.º, prevê essa situação. Diz o seguinte, passo a citar:

    “Quando um clube esteja impedido de realizar jogos no seu estádio, devido a aplicação de sanções desportivas ou disciplinares ou por razões de falta de condições do terreno de jogo, será o mesmo realizado no estádio do adversário”. À luz das regras, como jogo oficial da competição Taça da Liga que era, este ponto não foi cumprido, tendo-se assistido a uma série de ações de dirigentes dos clubes envolvidos e até da própria Liga.

    O Benfica, com o beneplácito da Liga, mudou o local da realização do encontro para outro estádio sem consultar o Gil Vicente!

    Este facto foi estupidamente branqueado pelos media, e com que interesses?

    Em contraste tanto brado deram os 2 minutos de atraso do FC Porto Maritimo, e isto quando o Sporting na ultima Jornada do Campeonato 2006/07 começa a 2ª parte do Sporting Belenenses com 5 minutos de atraso, em relação ao FC Porto D Aves, recordo que o Sporting estava dependente de uma “escorregadela” do FC Porto para espreitar o título!

    Pois bem, a Liga depois dos sinais manifestos de incompetencia e compadrio que revelou no Benfica Gil, não homologou o Porto Maritimo? Meia Final adiada, e quem é o grande beneficiado? O Benfica joga amanhã no “batatal” de Penafiel, depois com o Sporting dia 9, e vir ao Dragão passados 3 dias (dia 12), e depois voltar ao Norte a Paços de Ferreira dia 16, e de seguida jogar com o PAOK na Grécia dia 20, é um calendário muito sobrecarregado e poderia comprometer a temporada, e eis que a Liga “amiga” a bem do “nacional benfiquismo” achou por bem adiar o Porto Benfica de 12 de Fevereiro!

    Joni termino com a palavra VERDADE e respectivo significado :

    ver·da·de
    (latim veritas, -atis, verdade, sinceridade, realidade)

    substantivo feminino

    1. Conformidade da ideia com o objecto, do dito com o feito, do discurso com a realidade. ≠ ERRO, ILUSÃO, MENTIRA

    2. Qualidade do que é verdadeiro. = EXACTIDÃO, REALIDADE

    3. Coisa certa e verdadeira. ≠ ILUSÃO, MENTIRA

    4. [Por extensão] Manifestação ou expressão do que se pensa ou do que se sente. = AUTENTICIDADE, BOA-FÉ, SINCERIDADE ≠ MENTIRA

    5. Princípio certo. = AXIOMA

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