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Quem me costuma acompanhar (pff…) sabe da minha aversão à histeria com as redes sociais e os aglomerados virtuais ruidosos. Com aqueles ajuntamentos comedeiros de utilizadores de internet disfarçados de pessoas reaccionárias e com forte espírito crítico.

Quando hoje ligamos as TVs e olhamos para os telejornais (se é que alguém ainda faz isso), percebemos como a reacção e a participação se fazem quase única e exclusivamente por via dos facebooks e dessas coisas todas.

O que é que isso significa? Que hoje as pessoas participam e reagem muito mais do que antes, quando havia muito pouca gente a falar. São hoje muito mais opinadeiras do que há dez anos atrás. Gostam de mais coisas mas também odeiam, na mesma proporção. Falam sobre palermices que jamais falariam quando não faziam likes e dont likes. E por isso são mais histéricas.

Quando se é histérico o sangue fervilha a alto vapor, transborda por todos os lados. Os olhos ficam arregalados, as bochechas inchadas, e o coração bate mais rápido. Fala-se muito alto, repete-se muitas vezes a mesma coisa. E contagia-se os que estão à nossa volta.

É o que acontece nas redes sociais, praça moderna das maiores e mais intensas manifestações de protesto e indignação. Jamais, em toda a história, qualquer doutrina revolucionária foi acolhida por tantos e tão fervorosos seguidores. Seja pelo motivo mais estrambólico que for.

Assim, ao mínimo pedido de uma qualquer Pêpa a querer uma mala (provavelmente a primeira vez na história em que não foi feito o trocadilho), pode rebentar um autêntico motim. Explosões e confrontação de opiniões numa arena digital carregada de soldados aguerridos.

Quem diz a Pêpa, diz outra e outros. Alvos da ira e da fúria da malta da net, que quando lhe salta a tampa não são nada meigos. Insultam, diminuem, provocam e achincalham personagens que na maioria dos casos nunca viram nada vida.

Como o mais absurdo dos temas é levado a sério, há combates e conflitos a nascer todos os dias, alimentados pela comunicação social. A “revolta” e a “indignação” são meras acendalhas de uma fogueira que quase todos querem atear.

No cruzamento dos “Eu acho que…”, há sempre um que dominante, massificado, comercial, digamos assim. Aquele por que todos alinham, que reúne por isso mais adeptos. Depois há os do contra, os acirrados, os que têm alergia a unanimidades e estão sempre prontos a dizer que não, ou que sim, dependendo dos argumentos. Gostam de entrar no combate e divergir da maioria, mesmo que muitas vezes não saibam sequer o que defendem.

Indignam-se os cibernautas, indigna-se uma sociedade. O barómetro dos povos mede-se na internet, já não há dúvidas sobre isso. Megabytes de indignação que servem para atestar o estado de alma de um país, de um planeta. E isso é tudo menos bom…

Era mesmo só isto. Estamos todos cada vez mais irritantes, cada vez mais histéricos e cada vez mais insuportáveis. Cada vez mais mais. O pior é que isto é como diz o outro – “é só conversa”.

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André Cunha Oliveira

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One thought on “A irritante indignação

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