Home

Rendo-me às qualidades evidentes do treinador José Mourinho. Pelo seu historial vitorioso, pela forma como se conecta aos jogadores e pelas suas valências técnico- tácticas, Mou está um passo à frente do seu tempo. Há quem inclua à lista das suas qualidades, os famosos mind-games. Em alguns casos concordo, mas na maioria discordo e acho excessivo. Gosta de bola na relva, não na sala de imprensa.

Neste regresso a Inglaterra o Special One encontrou um plantel recheado de talento e experiência. Uma equipa de muito valor com nomes que já actuavam juntos há alguns anos (Ivanovic, Terry, Lampard, Cech, Mata, Torres, David Luiz, Ramires, Torres) e talentos com pouco tempo de casa (Hazard, Oscar, Moses, Lukaku), a quem Mourinho tratou de adicionar mais alguns craques como Schurrle, Eto’o, Willian, Matic e Salah.

Mesmo que o treinador português aprecie mais jogadores com outro grau de maturidade e no auge do seu potencial futebolístico, é inegável que em Inglaterra apenas o Manchester City tem um plantel comparável – na minha opinião superior – ao do Chelsea. Com um plantel desta qualidade e principalmente depois dos reforços de Janeiro, o mínimo que se pode pedir a Mou é que pare de chorar e lute sem medo por títulos. Até porque não estamos a falar de um treinador qualquer, mas sim do líder mais vitorioso da história do futebol!

Se nas taças internas o Chelsea já foi eliminado, ainda tem óptimas possibilidades nas duas competições mais importantes: Liga dos Campeões e Premier League.

Desde o início da época que Mou insiste numa postura de outsider, de equipa inexperiente e modesta, sempre com aquela choradeira de que se ganhar algo será um feito colossal. Um discurso gasto e facilmente perceptível, que já cansa e roça o ridículo. Uma velha táctica de atirar a pressão para os rivais, em especial o City, que é constantemente visado nas conferências de imprensa em Stamford Bridge. Atacar os azuis de Manchester e agradecer aos céus por qualquer vitória que o pobrezinho Chelsea alcance tem sido o apanágio de Mou. A meu ver erradamente.

Não digo como Wenger que Mou tem medo de falhar – apesar da razão estar do lado do Special One, esta resposta foi excessiva.  Acredito apenas que a sua forma de pressionar os adversários e arranjar desculpas para eventuais fracassos está gasta e demasiado useira. Devia preocupar-se mais nas partidas do campo e abandonar as disputas nas salas de imprensa porque já ninguém tem paciência para as suas guerrilhas sem nexo. O último ano em Madrid foi exemplo disso mesmo: a imagem de Mou estava demasiado desgastada.

Estas picardias com os pacatos Pellegrini e Wenger, as queixas constantes da arbitragem – como na derrota para o City na Taça de Inglaterra, onde a sua equipa não criou uma chance de golo- e as implicâncias com os jornalistas ingleses podem recriar o desgaste vivido em Madrid e encurtar novamente a sua estadia em Londres. Este campeonato está muito equilibrado, cheio de equipas a perder pontos e à mercê da regularidade e consistência do velho Mourinho.

Portanto chega de dizer que o Arsenal é mais candidato ao título que o Chelsea. Os gunners que há anos têm planteis deficitários e nem sequer fazem mossa na luta pelo título, continuam a ter um plantel fraco e estão como podemos constatar a ter um ano excepcional. O Liverpool, que Mou aponta como um claro candidato ao título é uma equipa que há anos não compete por trofeus, quanto mais vencê-los. Além disso está desde o ano passado – ao contrário do Chelsea que já tem uma base – a construir quase de raiz uma equipa nova.

Mou está tão atordoado que até o facto do “beneficiado” City jogar depois serve de vantagem para os citizens: “O City joga depois das outras equipas que lutam pelo título, por isso é mais fácil. Eles sabem se os adversários perderam, venceram ou empataram e isso é uma vantagem”. Então e o Chelsea por jogar primeiro não coloca pressão sobre os adversário que jogam depois?

Não, o Chelsea nas palavras do Special One é um pobre desgraçadinho: “Deixem-nos em paz. Não é para nós (luta pelo título). Temos é de tentar ganhar o próximo jogo e essa não é a nossa luta (título) “.

Chega de joguinhos, basta de guerras de palavras. Com o plantel experiente e talentoso que tem à disposição, o melhor treinador do mundo deve parar de chorar e colocar os milhões que o russo investiu a render, sem atritos e guerras infindáveis. No final que ninguém duvide que caso a vitória sorria ao velho Mou – como eu acredito – este feito de valor vai ser catalogado pelo próprio como um autêntico (falso) milagre.

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO
ENTRE EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’
ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

SONY DSCBruno Gomes

Advertisements

2 thoughts on “O Falso Milagre de Mourinho

  1. Mourinho é muitas vezes excessivo nos confrontos verbais com os adversários, como foi agora com Wenger, sem dúvida. Porém, essa é também uma das características que torna o seu personagem tão diferente, tão apaixonante, e também tão odiado. A história do futebol está cheia de treinadores vencedores, mas nenhum foi sequer parecido com o português. Como disse, será o personagem que o fará um ícone deste desporto, de quem nunca ninguém se esquecerá. Em relação ao discurso estratégico para atirar pressão para cima do City, não deixa de ser verdade que a equipa de Pellegrini tem um leque de jogadores fortíssimo (em qualidade e quantidade) reunido há vários anos e com todas as qualidades que se exigem neste nível: técnicas, físicas, experiência acumulada e idade. O que diz Mourinho em relação à fase de maturação destes jogadores, superior à dos adversários, é também verdade. Numa conf.imprensa após a vitória no Etihad ele enquadrou uma vez mais o seu discurso dizendo que não afastava o Chelsea da luta pelo título, mas que num primeiro ano à frente da equipa e num confronto com as armas do City, um projecto consolidado há 3/4 anos e entregue de bandeja ao novo treinador, não podia assumir que parte na frente quando tem um rival poderosíssimo com muito mais chances de vencer, com muito mais armas. É um discurso lógico, talvez não apelativo nem sedutor, mas lógico. E coerente. Depois, o que de experiência têm alguns jogadores do Chelsea, não têm por outro lado em capacidade física, muitos deles (Terry,A.Cole, Lampard…) na fase terminal das suas carreiras. Não têm dois bons jogadores por cada corredor defensivo (num deles nem sequer um), ao contrário dos citizens, e não têm um único goleador (basta comparar os números dos seus três avançados juntos com apenas um dos 3 super PL do City – façamo-lo só com Agüero, por exemplo). Um ataque formado por Torres, Etoo e Ba já não podia ser na teoria comparado com Agüero, Dzeko e Negredo, e os números desta época vieram reforçar ainda mais essa ideia. O City, com um bom treinador, teria por esta altura já uma larga vantagem para com os rivais. Agora, há que dizer que o plantel do Chelsea é fortíssimo e superior a Arsenal e Liverpool (os reds têm um goleador fantástico, que os blues não têm, e isso tem ajudado a equilibrar as contas). E tem um treinador mais forte. Por isso, se não ganhar esta época, terá de vencer na próxima. Utilizar e aproveitar o argumento de que existe um rival mais forte, quando isso ainda por cima corresponde à verdade, não é choradeira nem sinal de tremideira, é inteligência, pura e dura.

  2. Mourinho sempre foi isso mesmo, um treinador que joga mais fora de campo do que dentro das quatro linhas. Por isso disse um dia Guardiola que o portugues era “el puto amo” fora de campo, remetendo qualquer discussão e resposta para dentro do rectângulo de jogo. Agora, em Inglaterra, ataca o City e Pellegrini usando a mesma táctica que falhara diante o Barcelona. Fala dos milhões do City mas esquece-se do investimento no seu Chelsea nos últimos 15 anos; criticou o futebol “à séc.XIX” do West Ham por jogar com um bloco defensivo excessivamente recuado, mas não teve o mesmo sentimento quando com o seu Inter de Milão se deslocou a Camp Nou numa meia-final da Liga dos Campeões.
    Agora, em Inglaterra, continua insistentemente a dizer que o Chelsea não é candidato ao título, quando tem uma equipa que mistura a experiência de Cech, Terry, Cahill, Lampard ou Etoo, com a juventude e vigor de David Luiz, Hazard, Oscar ou Willian. Para Mou, o Chelsea não é candidato por ser ainda pouco consistente, mas coloca clubes muito menos consistentes como Arsenal ou Liverpool à frente da equipa de Abramovich.
    É certo que o City estará uns furos à frente, mas neste momento o Chelsea é a única equipa que pode travar o melhor clube de Manchester da actualidade.
    Mou joga à defesa para poder defender-se em caso de derrota no campeonato, ou elevar os seus feitos ao panteão da imortalidade em caso de vitória, um pouco à semelhança do que fez no primeiro ano em Madrid onde conquistou “gloriosamente” uma Taça do Rei com um investimento de mais de 220 milhoes de euros.
    E aqui reside o problema de Mourinho. Desgastar-se de tal maneira e expor-se a guerras com jogadores, treinadores, advesários (e às vezes internos), adeptos, árbitros, responsáveis federativos, da UEFA e até da FIFA, que acaba por sair prejudicado na avaliaçao da sua enorme qualiidade tecnico-táctica. Por mais títulos que vença, enquanto não transmitir os valores básicos do futebol (fair-play e respeito perante adversários) jamais poderá ser um exemplo para a imagem do futebol e, consequentemente, o melhor do mundo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s