Home

Se há um ano atrás me pedissem para fazer o simples exercício de enumerar duas mãos cheias de jovens talentosos que despontavam no futebol português, talvez chegasse ao final da primeira mão com falta de ideias. Mas no futebol as coisas mudam rápido. Muito rápido mesmo.

Já aqui dei nota, numa outra ocasião, da importância do relançamento das equipas B no panorama nacional. O salto sempre complicado dos escalões de formação para o futebol profissional ganhou uma almofada confortável, numa competição onde se pode separar o trigo do joio. Na temporada passada despontaram alguns talentos de inegável qualidade e este ano as coisas estão semelhantes (com a vantagem de, no caso do Benfica, a equipa B ser hoje, finalmente, um espaço maioritariamente para jovens da formação – grande parte deles portugueses).

Mas não foi apenas esse fenómeno da criação das equipas B que levou a uma alteração no paradigma das promessas do futebol nacional. Temos que nos habituar a uma realidade incontornável: somos poucos mas aqui nasce muito talento para a arte da bola.

Ora, para os mais atentos, não será surpresa se disser que hoje não terei qualquer tipo de dificuldade em encontrar essa dezena de jovens com um potencial tremendo. Em Portugal, são muitos os exemplos. William Carvalho é a melhor ilustração do que quero dizer. Há um par de meses atrás, ninguém daria nada pelo médio que andava perdido pela Bélgica. Hoje, ninguém duvida que temos ali potencial para o trinco da selecção nacional nos próximos 10 anos. Ainda no Sporting, nos últimos dias tem aparecido em destaque o extremo Carlos Mané. Depois de umas primeiras aparições algo tímidas, soltou-se e vai espalhando um pouco de magia numa equipa onde até falta alguma qualidade individual no 1×1. E na equipa secundária leonina estão a ser polidas outras jóias, com Iuri Medeiros à cabeça, numa lista onde posso incluir ainda Rúben Semedo, Christian Ponde e Filipe Chaby.

William Carvalho tem sido a grande revelação no Sporting desta temporada e já chegou à selecção nacional. A titularidade espera-o.

Voltando a mira para o outro lado da segunda circular, os nomes de André Gomes e Ivan Cavaleiro surgem em destaque. O primeiro tem talento e características para ser um caso sério no futebol europeu. Vendido ou não, se for aproveitado e bem acompanhado, será figura chave na selecção nacional por muitos e bons anos. Já Ivan Cavaleiro surge um pouco na onda do sportinguista Carlos Mané. O extremo encarnado parece ter menos talento inato mas jogo após jogo está mais maduro, mais solto, e parece cada vez mais preparado para dar um salto que talvez surpreenda muita gente. Mas é na equipa B das águias que está o nome que mais me entusiasma. Bernardo Silva, o rapazinho de pé esquerdo açucarado, não engana. Já devia estar na equipa principal e era capaz de apostar que no dia em que tiver uma oportunidade a sério, não mais sairá de lá (um pouco à imagem do que sucedeu com Jan Oblak). A número 10, a 8 ou mesmo descaído para uma linha, Bernardo deverá agarrar também o seu lugar na selecção nacional a seu tempo. E, continuando na equipa secundária encarnada, não esquecer nomes como Bruno Varela (uma surpresa este ano), João Cancelo ou Hélder Costa.

Bernardo Silva foi o craque do último campeonato nacional de juniores. Esteve em destaque no Europeu Sub-19 no Verão e, na primeira temporada como sénior, é apontado por muitos como o melhor jogador da Liga Cabovisão.

Mais a norte, confesso que não me entusiasmo muito com Ricardo, o jovem que chegou este ano ao Dragão proveniente do Vitória de Guimarães. Talvez a lateral possa dar jogador. Tiago Rodrigues, por seu lado, parece ter dado um passo maior que a perna e o regresso a Guimarães não tem sido famoso. Mas na equipa B azul e branca, há qualidade. Começando por Tozé, médio de remate fácil que tarda em aparecer na equipa principal. O lateral esquerdo Rafa entusiasma-me muito e os avançados Gonçalo Paciência e André Silva podem resolver a histórica necessidade de finalizadores da selecção. Precisam para tal, claro está, de oportunidades.

Mas não é só dos grandes que vive o futebol português. Em Braga, por exemplo, Rafa vai fazendo uma temporada extraordinária e tira-me do sério sempre que tenho o prazer de o ver jogar. Será que Paulo Bento convocará para o Mundial alguém como Rúben Micael e não a maior estrela actual dos bracarenses? Depois, para o centro da defesa, de Setúbal para Valencia saiu Ruben Vezo. Paulo Oliveira agarrou o lugar no eixo do Vitória de Guimarães. E Miguel Rodrigues é titularíssimo no Nacional.

Já vai grande o texto e ainda não cheguei à parte que mais me entusiasma. É que lá fora, o jogador português está a aparecer com uma qualidade incrível. Em Itália, Bruno Fernandes é cada vez mais aposta na Udinese e dá gosto ver a facilidade com que trata a bola, o engenho com que se livra dos adversários e o ‘descaramento’ com que visa a baliza sempre que pode, mesmo que à sua frente esteja um qualquer Di Natale a pedir o esférico. Já vai com 3 golos esta temporada e, jornada após jornada, é cada vez mais aposta de Guidolin. Em Inglaterra, Marcos Lopes (Rony) vai convencendo Pellegrini a dar-lhe minutos num plantel completamente recheado de super-estrelas. E sempre que tem tido oportunidade, mostra a sua qualidade. Em Manchester, acreditam nele. E em Liverpool, o fim de semana passado foi de estreia para João Carlos Teixeira na equipa principal, jovem médio atacante formado no Sporting CP. Nos cerca de 10 minutos que jogou, no terreno do Fulham, pegou na bola sem receio, esteve duas vezes perto de marcar e no final recebeu os elogios de Steven Gerrard. Brendan Rodgers gosta muito do miúdo. Bom para ele e para Portugal.

Bruno Fernandes joga cada vez mais na Udinese, na Serie A, depois de uma excelente temporada na Serie B no ano passado. Ainda não foi sequer à selecção Sub-21 e ficou de fora do Mundial Sub-20 do ano passado.

No meio de tudo isto, quase me esquecia do azarado (karma?) Bruma. Também ele merece estar nesta lista e será, sem grande surpresa, uma das grandes figuras do futebol português nos próximos tempos. O central Tiago Ilori é outro que tem estado mais apagado mas que verá chegar a sua oportunidade.

Dito isto, ainda há dúvidas de que o futuro da selecção nacional poderá ser risonho? É claro que pode. Tanta e tão boa matéria-prima para aproveitar. William Carvalho, Bernardo Silva, Bruma, Rony, Bruno Fernandes e Rafa são aqueles que, hoje, mais me entusiasmam. Destes, muitos serão craques. Tenho poucas dúvidas disso. Se metade dos atrás mencionados confirmar o que o seu talento aponta, o futuro da nossa selecção estará mais que garantido. Porque entre os outros, muitos vão surpreender pela positiva. E porque no meio de tudo isto nem quis entrar pelo que vai aparecendo nas camadas jovens. Porque também aí há muita qualidade, como provou o Sporting na NextGen ou vai provando o Benfica este ano na UEFA Youth Cup. Resta esperar que a selecção nacional se comece a abrir a alguns destes talentos. Em quase todas as selecções, dá-se oportunidade aos miúdos que despontam, colocando-os cedo junto dos conceituados. Não faz sentido que o 4º central da convocatória, o 3º guarda-redes, o 4º extremo, o 5º médio ou o 3º avançado sejam jogadores de 30 anos, com carreiras estagnadas.

GOSTOU DESTE ARTIGO? ENTÃO ENTRE EM https://www.facebook.com/palavrasaoposte, CLIQUE ‘GOSTO’ E ACOMPANHE OS ARTIGOS DIÁRIOS DO PALAVRAS AO POSTE! 

joni_desenhoJoni Francisco

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s