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Jorge Jesus voltou mais uma vez a elogiar acintosamente o mau trabalho de uma equipa de arbitragem, depois de a sua equipa ser claramente favorecida. Foi assim com o clássico “limpinho, limpinho”, com a terrível arbitragem de Duarte Gomes no derby da Taça e infelizmente em outras oportunidades. Este vício de elogiar o erro ou proteger o árbitro quando se é favorecido, não é exclusivo de Jesus: é a expressão de toda a classe profissional do futebol português. Em sentido contrário apenas me recordo de Paulo Bento, num jogo da Taça da Liga após um golo em fora de jogo de Vukcevic.

Praticamente todas as principais figuras da nossa praça já fizeram esta triste figura, obviamente que de forma menos descarada. Quem não se lembra de Paulo Fonseca a criticar duramente a arbitragem frente ao Estoril e na semana seguinte recusar-se a comentar o penalti fantasma com que o Porto derrotou o Guimarães? Primeiro não tinha visto e precisava de repetição, uma semana depois teve-a e recusou-se a falar. Em todas os espaços onde rola uma bola em Portugal, isto acontece. Cito estes dois casos porque são obviamente de figuras em lugares muito mais mediatizados. Quem acompanha emblemas e personagens menos relevantes perceberá que padecem do mesmo defeito.

Não vem mal nenhum à Terra admitir que fomos beneficiados e que o árbitro errou em prejuízo do adversário. Reconheço que seja difícil fazê-lo, mas defendê-lo do erro evidente é cinismo – quando acontece o inverso somos os primeiros a atacar – e presenteá-lo com elogios quase coloca em causa – desnecessariamente – o carácter do orador. Antes de elogiar o “excelente trabalho” da equipa de arbitragem, JJ ainda soltou outra pérola à portuguesa: “Onde estou não tenho noção da jogada. Não sei se a bola bate nalgum jogador do Benfica e coloca o jogador do Belenenses em posição regular. Na Luz também empatámos 1-1 com um golo em fora de jogo. As coisas são o que são.”

JJ não viu a jogada e nem sabe se existe fora de jogo, de qualquer forma já está a desculpar um eventual erro deste árbitro com um outro ocorrido na primeira volta. Um clássico nacional, do qual discordo veemente. Se depois de um erro, eu “corrigir” esta falha com novo erro, teremos não um, mas dois erros. Se este efeito acumulativo perdurar teremos sempre mais e mais erros e mais e mais discussões. Não posso defender a falha do presente com os deslizes do passado. Se queremos progredir não acredito que esse seja o caminho.

Percebo perfeitamente que o adepto irracional, emotivo e vibrante cegue com estas coisas e até ache justo que depois de prejudicada, a sua equipa seja favorecida. O adepto de uma forma geral quer ganhar e pouco mais. Se for com erros de arbitragem ele sempre terá argumentos vazios para defender a vitória na discussão de café. Faz parte do fanatismo de ser adepto.

O que é inadmissível é que pessoas com cargos de relevo e importância acrescida tenham esta mentalidade provinciana de desculpar os favorecimentos do presente com os assaltos do passado. É desrespeitador, falso e revela falta de postura, até porque quem venceu tem de ter o discernimento que no derrotado exaltado e irritado, normalmente, já não existe. JJ falhou ao desculpar um erro com outro e ainda borrou mais a pintura com os elogios a quem o favoreceu. Começa a tornar-se habitual, mas não é exclusividade sua. Enquanto esta atitude prevalecer nos torneios nacionais, teremos um campeonato medíocre onde árbitros que apitam exemplarmente derbies têm quase a mesma pontuação que colegas que transformam penaltis em livres indirectos.

PS: Qual será a nota do árbitro que inexplicavelmente invalidou este golo nos últimos minutos ao Vitória de Setúbal: https://www.facebook.com/photo.php?v=847370641955288&set=vb.116840608341632&type=2&theater

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SONY DSCBruno Gomes

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6 thoughts on “Ladrão que rouba ladrão…

  1. E as alterações à regra do fora-de-jogo que entraram em vigor esta época? Porque estava pelo menos um jogador do Beleneses em fora-de-jogo posicional, de modo a interferir na jogada, o Benfica não foi beneficiado. Mas como é tudo uma questão de interpretação, cada um puxa a brasa à sua sardinha…

  2. O que é inadmissível, ainda por cima num adepto do Benfica, é um adepto atacar o JJ por dizer a verdade e defender que o árbitro errou quando a decisão foi a correcta face às leis existentes.

  3. Boa tarde Bruno.
    Como habitual vim espreitar o Palavras ao Poste e como também é habitual concordo com mais um artigo escrito por si.
    Posto isto, apenas discordo do seu “P.S.”. Já vi e revi o lance e é um lance muito caricato, mas o arbitro não invalidou o golo do V. Setúbal inexplicavelmente. É bem visível, no video, que através dos seus gestos o arbitro justifica a sua decisão com um possível arco da bola que a fez transpor a linha final. Tendo em conta que o único video que vi até agora do lance foi aquele que o Bruno “postou”, acho injusto dizer-se que ocorreu erro do arbitro (dou portanto o beneficio da dúvida à equipa de arbitragem). Pode ter errado, pode ter acertado…mas não me parece que seja uma decisão inexplicável, uma vez que o arbitro a explica através dos gestos (e não tem que o fazer).

    • É visível que o fiscal apenas assinalda o fora-de-jogo no segundo momento, ou seja, alegadamente por o jogador do Belenenses, posicionalmente, interferir com a visibilidade de Oblak. Contudo, nas mesmas imagens, é visivel que o jogador – ao contrário do que esse gráfico sugere – que não está à frente, mas sim laterlmente ao guarda-redes no Benfica, que tem visibilidade total sobre o momento do remate. Não é um lance fácil, mas o árbitro errou. Assim como – e apesar de estar nas regras de jogo – a expulsão é forçada. Bem sem que houve algum exagero do jogador – até porque o lance é muito discutível – mas muito raramente, e por uma questão de bom-sendo são expulsos jogadores deste modo. E claro que isto funciona sempre no mesmo sentido (clubes grandes). Quer isto dizer que não foi apenas aquele lance mas a forma como todo o jogo foi conduzido. Mas o futebol português é isto mesmo. E quem ontem chorava pelas arbitragens à Porto, hoje defende acerrimamente quando lhes toca o favorecimento. Basta ver este mesmo Belenenses. Na primeira mão o árbitro decidiu, nas palavras de Jesus, desta vez foi “uma excelente arbitragem”….

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