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Nas décadas de 80/90 nenhum clube foi tão dominante no cenário europeu como o Milan de Van Basten, Riijkaard e Gullit. O tridente holandês escoltado por líderes como Baresi, Donadoni ou Ancelotti e prodígios do nível de Albertini e Paolo Maldini tornou-se temível e consagrou treinadores como Arrigo Sacchi e Fabio Capello. O emblema de Milão representou nessa altura, aquilo que nos últimos anos tem sido o Barcelona: o bicho papão a abater, aquele adversário que quando está bem é implacável e mesmo não estando em forma é o oponente que todos desejam evitar.

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Na década de 2000 os rossoneri estenderam o seu domínio valendo-se da sua maior pujança financeira e visão de mercado. Foram várias as contratações a adversários directos que enfraqueceram os rivais e tornaram a equipa de Berlusconi soberana. Nomes como Inzaghi, Stam, Seedorf, Pirlo, Nesta ou Rui Costa são bons exemplos deste género de transacção. A aposta em jovens de grande potencial vindos a baixo custo de mercados menos dispendiosos como Shevchenko, Dida e Kaká tornaram a equipa italiana num exemplo de gestão.

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Acontece que os anos passam, os jogadores envelhecem e é necessário um constante processo de renovação que em Milão nunca existiu. Por muito experiente que fosse o plantel rossonero, faltava gás para competições mais longas e desgastantes como o campeonato italiano. Nos jogos decisivos a qualidade e experiência faziam a diferença e foi dessa forma que em 2007 o Milan venceu o seu último título europeu. Aquela geração em Itália já não reinava mas a sua capacidade de decisão fazia a diferença nos duelos europeus. Quem não se lembra dos confrontos intensos com o Liverpool ou as vitórias categóricas sobre o Manchester United de Ronaldo e Ferguson.

Já nessa época era insistente a aposta directiva rossonera em trintões com algum presente e pouco futuro como Vieri, Oddo, Zambrotta ou Favalli. O Milan foi perdendo o trilho da renovação e os tiros mais caros foram saindo pela culatra, desde Pato a Ronaldinho.

Hoje a realidade é negra e da equipa que encantou o Mundo não existe pedra sobre pedra. E os grandes responsáveis directivos pela construção dessas equipas vitoriosas continuam no clube. Estranhamente parecem ter desaprendido e vivem hoje à sombra das glórias do passado. A forma ineficiente como geriram a queda da Juventus no inferno da segunda divisão mostra bem a incompetência que tem reinado em San Siro. O Milan não conseguiu criar uma hegemonia e aproveitar a crise da Vecchia Signora e em pouco tempo a equipa de Turim voltou ao controlo do futebol italiano, enquanto que os rossoneri continuam à deriva.

A ausência de referências de balneário levou ao resgate de um agora diferente Kaká. Já não tem as arrancadas de outros tempos e numa equipa tão mutilada, sozinho não resolve. Depender de um irresponsável Balotelli não me parece uma solução séria e investir quase todo o orçamento em Matri quando se tem Pazzini, El Shaarawy e Robinho e só se alinha com um 9, mostra o desnorte para aqueles lados. Quem não tem muito, deve dar tiros certeiros e nisso Roma e Nápoles estão a dar uma lição. O renascimento destes emblemas pode afastar ainda mais o Milan dos lugares de destaque do futebol italiano

Em Milão é urgente despachar medianos como Saponara, Birsa, Zaccardo, Silvestre, Constant e Amelia. Jogadores em final de ciclo como Mexès, Robinho (no verão o Santos ofereceu 7 milhões que dariam quase para comprar Gervinho ao Arsenal) e Essien (que contratação onerosa e sem futuro foi esta?) deviam sair. Havendo boas propostas, Emanuelson, Muntari, Pazzini, Nigel de Jong e Zapata deveriam ter a porta de saída aberta. A reforma tem de ser total e para voltar a um patamar aceitável o Milan deve primeiro tentar criar um onze forte e aproveitar alguns dos atletas razoáveis e com potencial que tem para construir o plantel.

Dos bons jogadores em final de contrato já escaparam Halilovic, Fernando, Matuidi, Xabi Alonso, Pirlo ou Akinfeev, mas ainda há tempo de fechar óptimas contratações como Martin Montoya, Sagna, Marc Bartra, Musacchio, Victor Valdés, Manuel Fernandes e Jeremy Ménez.

As dispensas de clubes endinheirados como Manchester City, Real Madrid (faz sempre óptimos saldos), Chelsea, PSG e até o Tottenham merecem especial atenção. Nomes como Morata, Coentrão, Casemiro, Micah Richards, Dzeko, Kolarov, Maurício Isla, Rodwell, Nani, Ashley Young, Javi Garcia, Van Ginkel, Lukaku, Lamela, Gylfi Sigurdsson, Shaquiri, Capoue, Holtby ou Chadli podem agitar o mercado a preços convidativos e é necessário estar atento. A mescla entre este tipo de atletas e jovens em ascensão como Dória, Adam Maher, Iturbe e Gabriel – todos já apontados ao colosso italiano – pode ser a salvação para um clube que necessita de tratamento de choque: cultural e geracional.

Ariedo Braida, eterno directo desportivo já caiu. Galliani, se não se reciclar, pode estar muito perto de tombar também. Se o Milan continuar a torrar fortunas mensais com consagrados em fim de carreira e voltar a optar por contratações sem critério, corre sério risco de se afundar ainda mais na tabela da Serie A. Tenho muitas dúvidas de que Seedorf seja o homem certo para reverter todo este cenário, mas duvido piamente que sem a construção quase total de um novo plantel de raiz, voltemos a ver o AC Milan pelo menos a disputar troféus nas próximos 2/3 épocas. Esperemos pelo Verão, ele tem a palavra.

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SONY DSCBruno Gomes

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