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Portugal é um país de desavergonhados sem vergonha. Desavergonhados por não terem a vergonha de roubar, corromper, mentir e aldrabar às claras, como se ninguém visse. Sem vergonha por continuarem a fazê-lo, por insistirem em roubar, corromper, mentir e aldrabar e por persistirem em acusar de dedo em riste os outros. Foi este o pensamento que revoltou o meu espírito quando li esta semana que o FC Porto interpôs uma queixa contra o Sporting por alegada coação sobre os árbitros. Logo o FC Porto, bom samaritano que ao longo de tantas décadas lutou em prol de uma arbitragem justa e isenta. Que falta de vergonha.

Viu bem, caro leitor: que falta de vergonha. Um clube que ao longo dos 32 anos do legado de Pinto da Costa beneficiou de consequentes arbitragens vergonhosas para conquistar inúmeros títulos desprovidos de qualquer valor moral vem agora pedir… justiça. Uma acusação sem pés nem cabeça que pode muito bem ser anulada por um mero excerto de 20 segundos das escutas do Apito Dourado. Se o que Bruno de Carvalho fez é coação, como podem ser classificados brindes como a fruta, o café com leite e as viagens ao Brasil oferecidos aos árbitros em fraternais encontros entre bons amigos?

E num curto raciocínio de um parágrafo voltamos ao ponto de partida desta análise, uma nação de desavergonhados sem vergonha. A questão aqui é que existiu um reinado absolutista de mais de três décadas, caracterizado pela vigência soberana dos princípios da corrupção e da impunidade, que agora se está a desmoronar como um castelo de cartas. A retórica agressiva e destemida de Bruno de Carvalho constitui-se como uma força de combate ao enraizado poder nortenho e, apesar de o Sporting não possuir o peso de outros emblemas nacionais nos bastidores do futebol nacional, irá vencer a soberania de Pinto da Costa pelo cansaço. Episódios do desnorte portista vão-se suceder e o futebol nacional tomará outro rumo, para regalo de todos os verdadeiros adeptos do desporto rei e desconsolo daqueles que estão habituados a ganhar fora das quatro linhas.

Quando o equilíbrio for conquistado nem que seja em termos razoáveis, aí veremos se esta falta de vergonha é estrutural ou se apenas existiu durante este (longo) período do nosso futebol. Até lá tudo é possível, este é um jogo do vale tudo e a qualquer momento poderá surgir uma jogada, mais ou menos oculta, capaz de mudar o decurso de toda a história. Certo é apenas que enquanto a justiça e a isenção não foram valores fundamentais desta atividade desportiva, desavergonhados sem vergonha seremos todos nós por continuarmos a tolerar esta situação.

diogo-taborda-desenho-e1360007654750 Diogo Taborda

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2 thoughts on “Desavergonhados sem vergonha

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