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Há pessoas que têm bom falar, que contagiam os outros na hora do discurso, e os seduzem, arrancando-lhes a atenção  de uma conversa que neste caso pode durar largos minutos, horas até.

Depois, há pessoas que jamais conseguem ser convincentes, que em tempo algum são capazes de dominar e persuadir alguém acerca do que quer que seja.

Por fim, há pessoas que têm pontos negros na cara. Bom, na verdade todos os temos, uns mais escondidos, outros mais visíveis, não há ninguém que deles consiga escapar. O problema é que há pontos negros e pontos negros. E há certos pontos negros que baralham uma conversa e complicam a vida, e de que maneira, aos que deles são portadores. E que estragam tudo.

Uma boa higiene diária não basta para aniquilar esta terrível raça. Para muita gente, são necessários procedimentos redobrados para manter uma pele facial asseada e por isso muito mais favorável ao sucesso no mundo do trabalho e na vida pessoal em geral.

“O quê? Qual a relação?”  – toda, e perfeitamente conectada. Um indivíduo pode até ter toda a predisposição para construir discursos articulados e coerentes, pode até ter uns lindos olhos azuis e uma tez jovem e luminosa, mas a simples presença de um ponto negro no canto direito do lábio superior, dando a impressão de estar pronto a explodir a qualquer momento, desvia toda e qualquer atenção para si mesmo, quebrando a persuasão do discurso, a sedução do convencimento e inclusive a credibilidade das palavras e da personalidade que se procura afirmar.

Um ponto negro na cara acaba com qualquer um, logo à partida. É como digo, não há brilhantismo intelectual que o valha. Porque por mais que se diga, por mais olhares que se atire, por mais insinuante que se seja, o ponto negro há-de estar lá sempre para acabar connosco.

É claro que o drama dos pontos negros não existiria se por cá não andasse gente que repara nestas coisas e que escreve sobre elas. Gente que finge que está a ouvir e a interessar-se de sobremaneira pelo que o chamado “hospedeiro de pontos negros” vai dizendo, quando na verdade tem os seus olhos postos sobre a presa, uma enorme e nojenta bola viscosa de sebo.

Mas sejam estes observadores mais ou menos picuinhas, o certo é que os pontos negros não são uma coisa bonita de se ver. Banalizam-se se forem multiplicados por muitos numa só face, mas ganham toda uma visibilidade se se reduzirem a apenas um.

Um ponto negro solitário tem muito mais força do que vários em harmonia, espalhados um pouco por toda a parte, desde a testa e passando pelo nariz, até aos lábios e a uma das bochechas. Um ponto negro isolado num elegante semblante torna-se até incompreensível aos olhos de muitos destes observadores: “Por que é que ele não tira aquilo? Raios, aquela porcaria não está ali a fazer nada.”

Tanta é por vezes a incredulidade que à surpresa segue-se a tentação pela mais estranha das perguntas: “Não te importas que eu te tire este ponto negro? É que ele está-me a fazer imensa confusão.

Há ainda quem, desprovido de tamanha coragem, opte por operações de remoção mais drásticas e directas, como aquelas pessoas que apontam as miras das suas unhas durante a noite e acabam por extrair de surpresa a amigos e companheiros, num ápice, a tal banha de gordura acumulada e completamente repugnante.

Esta tentação é ainda maior nos casos das senhoras e dos senhores que carregam consigo estas autênticas carraças da pele, sem que ninguém lhes consiga sequer tocar. É como que um tesouro precioso que estes homens e mulheres gostam de ostentar, e do qual não abdicam. Há pessoas que transportam pontos negros há décadas, algumas delas já nem se lembram que os têm. É tipo uma tatuagem.

Mas há também quem não os suporte, quem faça de tudo para os manter longe da epiderme. São os caçadores de pontos negros, pessoas incapazes de sair à rua com lixo na cara. Que não fazem outra coisa, quando estão em casa, que não seja passar os dedos pela cara à procura de proeminências sebáceas perturbadoras da harmonia facial.

Há também inúmeros casais de namorados que se entretêm e estabelecem uma interessantíssima interacção removendo os pontos negros um do outro, prova inequívoca de amor e uma demonstração de afecto e entreajuda entre dois apaixonados. E sobretudo uma prática saudável.

É por isso que numa época onde a imagem é tudo, vale a pena fomentar a caça ao ponto negro. Institui-la, incentivá-la,cultivá-la… para bem dos rostos limpos e imaculados, sem ruído e badalhoquice a atrapalhar.

É que há pontos que podem fazer toda a diferença, e um negro, encravado numa cara, pode muito bem fazer cair a nódoa, por melhor e mais consistente que seja o pano. Toca a trabalhar nisso rapaziada e raparigada, os washoffs estão com desconto em cartão no Pingo Doce.

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André Cunha Oliveira

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