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Eu realmente gosto de conviver com pessoas de outros países. Ao início pode parecer estranho, já que os nossos hábitos, costumes e manias pertencem a planetas distantes. Contudo, na minha óptica, é a miscigenação que faz a força. Povos isolados e fechados em si limitam-se à sua cultura e dificilmente adquirem conhecimentos de outros prismas.

Se diversas vezes nós portugueses, nos auto-criticamos imenso porque somos um povo mais falador do que activo ou porque vivemos no mundo do fado e da saudade, é de louvar a nossa capacidade – ainda que inicialmente involuntária – de nos misturar de peito aberto e sem receios com outros povos.

A abertura com que sempre o fizemos permitiu-nos alargar horizontes e redescobrir-nos individualmente enquanto homens e enquanto nação. Essa mistura reflete a essência de ser português: aventureiro, arrojado e acima de tudo totalmente aberto para abraçar e beber novas latitudes. A união cultural reflecte o que de melhor as diversas tribos universais têm para oferecer e se muitas vezes descobrimos feitos do campo da surrealidade, noutras somos agraciados com ensinamentos que perdurarão para a vida.

Estando neste momento ausente de Portugal – mais precisamente em Moçambique – convivo diariamente com pessoas de várias nacionalidades. Esta ligação a diversos estrangeiros e o facto de já não residir, há muito, por estas bandas faz com que certas coisas a que estava acostumado no passado me choquem sobremaneira no presente: galopantes desigualdades sociais, falta de saneamento básico, ausência de um eficiente sistema educativo, etc…

É engraçado quando ao trocar ideias com nacionais – por exemplo – percebemos que os moçambicanos têm um feriado específico para as mulheres de Moçambique ou que quando os feriados calham num fim-de-semana são por lei celebrados na segunda-feira, transformando os habituais dois dias de pausa semanal num trio. Uma coisa que na nossa cabeça lusitana não faz sentido.

O que também não faz sentido na cabeça de europeus evoluídos e de ninguém com bom senso é o nosso sistema judiciário, onde ladrões gananciosos que saqueiam bancos e colocam famílias inteiras em risco vêem os seus crimes passarem ao lado enquanto anseiam no conforto do domicílio pela amiga prescrição. Quem pagará estes assaltos são os mesmos do costume com a complacência habitual. Somos pacíficos, mas mais do que isso somos bananas. Falamos muito mas efectivamente não conseguimos descortinar uma forma de controlar quem nos gere e colocar a nossa latina trafulhice num campo de honestidade e valores.

Mais do que mudar de atitude necessitamos de mudar de mentalidade e neste processo a efervescência organizacional de certos países europeus – e não só – pode vir a ser essencial para nós. Esta conexão entre culturas é a única forma de estruturalmente mudarmos e reagirmos da melhor forma às adversidades. Ninguém é melhor que ninguém, mas todos podemos ser ligeiramente superiores se trocarmos conceitos e saberes. Como um dia os outros necessitaram muito de nós, hoje talvez precisemos deles. Alguém que nos ensine a reagir, pois também me sinto abananado. Já rompi as palavras para soltar o desabafo. O que me resta fazer?

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SONY DSCBruno Gomes

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