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A época está a terminar e já estou triste. Estou antecipadamente triste. As vitórias seguem-se a um ritmo alucinante para nós, Benfiquistas, mas em mim cresce um certo desespero ao perceber o que aí vem. O que vem com o sucesso. O que vem com a qualidade. O que vai acontecer aos craques da Luz.

Não é de hoje. Nos últimos anos, felizmente, habituei-me a ver jogadores gigantes com o manto encarnado vestido. Aimar, Saviola, David Luiz, Ramires, Di Maria, Fábio Coentrão, Matic… Tenho saudades de todos eles. E já tenho saudades de Garay. De Gaitán. De Rodrigo e de Markovic.

Tenho que estar preparado, eu sei. Ter jogadores desta qualidade neste clube (e, sobretudo, nesta liga) tem os seus limites. Muitos chegam a prazo. Todos acabam por sair, pela porta grande. Deixando um vazio no coração de cada um de nós. Deixando aquele sentimento que aponta para uma inevitabilidade cósmica: a de não encontrar ninguém do mesmo nível como substituto. Mesmo que a realidade mostre algo bem diferente (com dedo de Jorge Jesus, honra lhe seja feita), perdemos sempre a esperança de encontrar um central tão bom ou melhor que David Luiz. Um médio box-to-box tão bom quanto Ramires. Um lateral esquerdo tão bom como Coentrão. Um 10 tão bom como Aimar. Ou um extremo tão bom como Di Maria. Quando Garay sair, ficará o lugar de Garay e ninguém me convencerá que encontraremos alguém do mesmo nível. E Gaitán? Há sequer alguém tão bom quanto ele no mundo do futebol? “Nico, tens noção de que se não houvesse Messi e Ronaldo, serias o melhor do mundo?”.

Com o perdão de Garay e Luisão – dois monstros no eixo defensivo encarnado –, a época do Benfica teve até agora quatro momentos. O momento Matic. O momento Enzo Pérez. O momento Gaitán. E o momento Rodrigo. Vá, três momentos porque o momento Gaitán anda de braço dado com o momento Rodrigo. E ainda dura, para regozijo da urbe encarnada. Matic já partiu. E mesmo que tenha sido a prova provada de que não há insubstituíveis (Fejsa, Amorim e até André Almeida mostraram-no), tremo só de pensar em ver partir Garay. E Rodrigo. E Gaitán. Sobretudo Gaitán… Os craques trazem vitórias. As vitórias, títulos. Os títulos, reconhecimento. E o reconhecimento fá-los partir.

No fundo, sei que não tenho medo de ficar sem substitutos à altura. Quem tem jogadores como Salvio no banco tem que se sentir seguro em relação ao futuro a curto prazo. No fundo, sei que não tenho medo. Mas vai custar vê-los partir. Os ‘nossos meninos’ que aqui se fizeram homens. Gaitán que chegou em estado selvagem e é hoje toda uma orquestra dentro de campo. Garay que chegou depois de uma travessia no deserto em Madrid e que aqui mostrou toda a sua qualidade. Rodrigo que chegou envolvido num negócio estranho, que ainda há meses era assobiado, e que hoje parece um avançado de classe mundial. Teremos que nos habituar a vê-los noutras paragens. Com aquele aperto no coração, fruto de tantas boas recordações e de tantos momentos de felicidade que nos deram. Aquele aperto com que vejo Matic com o azul de Londres. Ou deveria sentir-me feliz por poder continuar a vê-lo na BenficaTV, como sugeriu Hélder Conduto?

O sucesso e a qualidade, afinal, custam muito. Ao adepto mais emocional do futebol português custa ainda mais. Porque ele sabe que é efémero aquele momento. Em Alvalade todos sabem que estes serão os últimos momentos de William Carvalho com a camisola verde e branca. No Dragão teme-se a partida de Jackson. Resta-nos aproveitar estes últimos jogos. Muito provavelmente os últimos minutos destes craques nos relvados portugueses. Vou deliciar-me com cada uma das arrancadas de Rodrigo. Com cada uma das ‘colheres’ de Nico Gaitán. E com cada um dos cortes cirúrgicos de Garay. Depois, se tudo correr bem, festejarei. Mas festejarei como o fiz em 2009/2010. Com um aperto. Com a certeza de que depois daquele dia, dias difíceis de engolir virão. O dia das capas de jornais dos craques com outras camisolas. O dia da mensagem de despedida na BenficaTV. O dia da partida.

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Joni Francisco

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One thought on “E depois do adeus?

  1. Pois, eu tb estou triste com as vitórias do teu clube, mas as minhas razões de estar triste não tem haver com o post em questão!
    P.S. – Só agora apercebi-me da “mentira” do teu último post!
    Cai que nem um patinho!

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