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A vida é feita de escolhas. Opções por vezes certas e noutros casos erradas, o importante é ter coragem de as tomar e assumir de peito aberto, tanto o erro como o acerto. O curto caminho profissional de André Villas-Boas está cercado de decisões difíceis, erradas, acertadas ou controversas.

Ao abandonar o posto de observador da equipa técnica de José Mourinho no Inter de Milão e rumar à Académica – que lutava pela permanência – AVB revelou ousadia e coragem. A aposta de risco correu bem, essencialmente pelo bom futebol da Briosa e pela valorização de jogadores já que ao nível de resultados, esteve longe de ser brilhante.

O trabalho simpático e os métodos inovadores utilizados em Coimbra, aliados sobremaneira ao carimbo de qualidade by Mourinho, trouxe o interesse de diversos emblemas. AVB revelou nesse momento alguma deselegância e falta de compromisso – nada de anormal no mundo do futebol – ao ignorar um pré acordo que tinha assinado com o Sporting para mais tarde rumar ao Porto. Se a forma como se desenvencilhou do caótico leão de José Eduardo Bettencourt não foi éticamente bonita, foi no fundo muito inteligente.

No Porto teve um dos melhores plantéis da história do futebol português, reforçado de forma astronómica com grandes jogadores como James Rodriguez, Otamendi ou João Moutinho. Ganhar títulos no Porto como a Liga Nacional e a Taça de Portugal não é nenhum feito extraordinário dadas as qualidades habituais dos plantéis portistas e a cultura de vitória do clube. A vitória na Liga Europa, onde os dragões nunca chegaram a enfrentar um oponente no mínimo do seu valor pode ter precipitado a carreira de alguém que apesar de vitorioso, ainda tinha muito a provar.

O grande mérito de AVB no Dragão foi a incrível recuperação de elementos que pareciam condenados ao fracasso de azul e branco, como Guarín, Belluschi ou Sapunaru. A forma pressionante, atractiva e ofensiva como a equipa jogava aliados às humilhações constantes impostas ao rival Benfica, levaram a um endeusamento do “Special Two” – rótulo pesado que a opção por rumar ao Chelsea mostrou ser excessivo.

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AVB saiu de Londres, duas vezes, pela porta dos fundos

A decisão de rumar a Stamford Bridge foi um erro colossal. AVB foi ingénuo. Um clube que gasta 15 milhões de euros num treinador tem no mínimo de lhe montar um plantel de acordo com as suas ideias. No Chelsea isso não aconteceu e Villas-Boas mostrou uma incapacidade gritante em colocar um plantel envelhecido e mais físico que técnico a jogar de acordo com as suas características. A aposta foi errada e AVB mostrou estar tenro e pouco preparado para lidar com um desafio desta magnitude. As comparações com o inimitável Mourinho também não ajudaram e do fracasso londrino, abriu-se uma porta para o outro lado de Londres.

A escolha pelo Tottenham foi ambiciosa. O clube estava consolidado no 4º posto da Premier League e queria mais. Na primeira época Liga Europa e Taça de Inglaterra – que estavam ao alcance – escaparam por entre os dedos, mas na Liga Inglesa apesar da ausência de melhorias classificativas, o quarto lugar foi conservado. AVB voltou a mostrar capacidade em potenciar talento e colocou Gareth Bale na linha dos melhores do mundo. Mesmo ausente da Champions, o Tottenham investiu uma fortuna em jogadores de grande valor e muitos apostavam nos Spurs na corrida ao título. A verdade é que AVB teve dificuldades em acelerar o processo de adaptação dos novos reforços e em formar um onze base – tantas eram as opções.

Os maus resultados foram se acumulando e a incapacidade em dar a volta ao texto levaram a mais um despedimento inevitável. A saída de André Villas-Boas pedia a entrada de um treinador de créditos firmados e a opção por Tim Sherwood revela que a política desportiva do Tottenham, também não foi demasiado ponderada: não faz sentido gastar uma fortuna na formação dum plantel para não dar tempo ao mentor do mesmo de desenvolver o seu projecto. Esta demissão só elimina de vez a teoria de que na Premier League há muita paciência com o trabalho dos treinadores – Isso é passado.

Depois de mais este percalço, as portas dos grandes emblemas de Inglaterra parecem estar encerradas durante muito tempo para AVB. Em Itália o Milan seria um dantesco desafio para aferir as suas reais capacidades mas fora os rossoneri nenhum emblema de topo italiano ou espanhol abriria portas ao mini Mourinho. Talvez o Mónaco com todo o seu potencial financeiro fosse uma opção interessante para AVB, mas creio que nunca seria melhor escolha do que aquela que tomou.

O Zenit é neste momento um tubarão dentro do aquário da Liga Russa. Tem um super plantel, uma cultura de exigência e uma disponibilidade financeira ao nível dos melhores clubes da Europa. A herança de Spalletti não é demasiado pesada, já que este conquistou títulos internos com o seu futebol pragmático e defensivo e na Europa sempre revelou dificuldades em fazer brilharetes. Nos últimos anos a tentação de colocar o Zenit a praticar um futebol atraente e atacante foi fatal ao italiano que falhou redondamente, deixando escapar o domínio nacional.

Com a qualidade técnica da equipa russa AVB não terá dificuldades em aplicar o futebol de posse que tanto gosta. O título russo já este ano só depende do Zenit e apesar de não ser uma vitória fácil, está perfeitamente ao alcance de Hulk e companhia. Com dois ou três reforços de peso, Villas-Boas pode tornar o emblema de São Petersburgo num rival de peso também no cenário europeu.

Num campeonato pouco competitivo e com domínio claro do seu clube, André vai ter tempo e espaço para errar, evoluir e aprender como treinador. Um processo longo durante o qual somará títulos com alguma tranquilidade e ganhará finalmente traquejo para voos maiores. Se tudo isto realmente irá suceder, só o futuro dirá. Mas de uma coisa não tenho dúvida: esta foi das escolhas possíveis, a melhor de AVB.

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SONY DSCBruno Gomes

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