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Reconhecer o erro não é ser fraco porque errar é o melhor caminho para aprender. Hoje falo-vos de erros, mais propriamente dos meus erros. Hoje escrevo em jeito de pedido de desculpa. Jorge, desculpa lá este tolo que tanto desconfiou de ti e da tua capacidade de regeneração. Estava errado Jorge, conseguiste-o e mereces a minha vénia por isso.

O título que dou a este texto começa logo por ser um semi-erro. Dizer que sou ‘só’ do Benfica acaba por ser quase contraditório. Porque as palavras ‘só’ e ‘Benfica’ não combinam, nunca podem surgir juntas na mesma frase. Ser ‘só’ do Benfica já é ser-se muito, ser-se de muito. É quase como dizer que sou ‘só’ perfeito. Se da segunda não estou totalmente certo (embora tenha cada vez menos dúvidas disso), da primeira ninguém me vai desviar. Sou e serei sempre ‘só’ do Benfica. Não sou de Luís Filipe Vieira. Nem de Jorge Jesus. E todas as vezes que alguém me pareça um obstáculo ao caminho do meu Benfica para o sucesso, cá estarei para apontar armas. Foi o que aconteceu no início da temporada. Não vou negar que estava contra a continuidade de Jorge Jesus no comando técnico dos encarnados. Não o nego porque não me envergonho de o ter pensado. E não o nego porque basta recuar no tempo, aqui no Palavras ao Poste, para encontrar textos onde defendia com unhas e dentes a saída do técnico que agora tudo pode ganhar. E porque é que o fazia? É essa a questão essencial. Fi-lo porque me parecia demasiado evidente que Jesus estava a mais, sobretudo porque me parecia demasiado evidente que este tinha perdido o controlo do balneário (recorrendo aos casos de Cardozo no Jamor e de Enzo em Amesterdão). Jesus mostrou que eu estava errado. Felizmente que o fez porque isso significou que o essencial – o meu Benfica – seguiu o trilho dos títulos.

Mas, ao contrário do que muitos querem fazer crer, a performance do Benfica nesta época não é uma vitória para quem sempre acreditou em Jorge Jesus nem é uma derrota para quem dele duvidou. Não há Benfiquistas melhores que outros, não há um medidor de Benfiquismo. Sempre acreditarei que todos queremos o mesmo, a vitória do nosso clube. A(s) conquista(s) desta época são para o descrente. São para o lunático que sempre acreditou, mesmo depois do desastre nos Barreiros. São para o emigrante que percorreu milhares de quilómetros para ver o seu clube. São para o emigrante que não o pode fazer mas que não perdeu um único minuto de Benfica. São para Eusébio e Coluna. São para o adepto que faleceu em pleno estádio, no jogo da consagração. São para o jovem que me partiu os óculos aquando do festejo do primeiro golo de Lima ao Olhanense. São para mim, para ti, para todos os que sofrem ou para aqueles que ‘somente’ aparecem para os festejos.

Jorge Jesus não era o pior técnico do Mundo em Maio passado. Nem é o melhor do Mundo nos dias que correm. Com um campeonato ganho em quatro possíveis, aqui o apelidei de “técnico mais perdedor da história do Benfica”. Estava certo, os números provam-no. Com o título deste ano – onde tem enorme mérito – soma dois em cinco possíveis. Continua a ser pouco para um clube como o Benfica mas mostra um sinal aparente de retoma aos tempos de glória que há muitos anos parecia distante da Luz. E, admito, sabe-me a pouco porque fico claramente com a sensação de que o Benfica poderia estar a celebrar o tri-campeonato, o quarto campeonato em cinco anos de Jorge Jesus. Jorge, esta mantenho: aqueles dois títulos perdidos para Vítor Pereira foram fracassos. Ponto final.

Jesus vai aprendendo com alguns erros mas outros fazem parte da sua personalidade. Nalguns casos, levam-no a acções que muito me desiludem. As picardias com adversários (a mais recente com Tim Sherwood) não me causam comichão. Já as faltas de respeito a lendas vivas do clube, como Shéu Han ou Rui Costa, não podem cair em saco roto. Jorge, eu não me esqueço. Assim como não esqueço que dois dos momentos-chave da época surgem caídos do céu: a entrada de Jan Oblak e a saída de Oscar Cardozo. O jovem guardião esloveno só conseguiu tirar o lugar a um decepcionante Artur quando o então titular brasileiro se lesionou. Alguém tem dúvidas que Artur continuaria hoje o titular indiscutível sem aquela lesão em Olhão? Já a dupla Rodrigo-Lima, que hoje se mostra tão forte no processo ofensivo mas também (talvez sobretudo!) na forma da equipa se posicionar sem bola, apenas surge porque Cardozo começou a época depois dos outros e depois andou quase toda a temporada a contas com problemas físicos. Por muito respeito que tenha (e tenho) por Artur e Cardozo (sobretudo por este último), o sucesso desta temporada passou, e muito, pela saída de ambos do onze titular. Que foi forçada, não promovida por Jorge Jesus.

Jorge Jesus que me desculpe por tanto ter desconfiado da sua capacidade em levantar a cabeça de uma equipa que tudo perdeu há tão pouco tempo. Tirar-lhe mérito nessa tarefa é ser desonesto. Jorge Jesus que aceite o meu muito sincero obrigado pela felicidade que me deu com a conquista deste título. O que desejo é que Jorge Jesus me cale muitas mais vezes porque isso significará muitas vitórias para o meu clube. Agora, é ganhar o que falta ganhar. E não esquecer que para o ano começa tudo de novo, tudo do zero. Dispensam-se as sobrancerias e as arrogâncias de há quatro anos. Lá estou eu a ser pessimista. Jorge, cala-me outra vez!

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Joni Francisco

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One thought on “Sou ‘só’ do Benfica

  1. Todo o meu respeito e consideração por este texto. Eu não sou “do Benfica”. Sou Benfiquista e isso às vezes (mais do que muitas) também me leva à irracionalidade. Talvez eu tenha sido tão como irracional ao defender tanto a continuidade do Jorge Jesus (mesmo após a derrota com o Marítimo), como tu o terás sido ao defenderes exactamente o contrário. Mas como a paixão por um clube de futebol (no nsso caso, pelo Benfica) é um poço de irracionalidades, bora mas é dar largas a tudo o que nos leva a dizer com todo o orgulho “Eu sou Benfiquista” !
    P.S. Acredito que o próprio Jorge Jesus também se sentiu à determinada altura apanhado por essa irracionalidade de se ser apenas Benfiquista, ou seja provou um pouco da Mística! 🙂

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