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Já aqui tinha escrito neste espaço sobre os perigos das euforias desmedidas e os anúncios de alegados fins de ciclo que tantas e tantas vezes foram sendo feitos ao longo das últimas semanas, fruto do clima de festa que se ia vivendo e respirando.

É perigoso porque, apesar de sustentado em sinais e factos concretos, é ainda assim muito mais o manifestar de um forte desejo do que propriamente uma verdade de La Palisse. É verdade que nos últimos anos temos vindo a assistir a uma evidente deterioração da famigerada “Estrutura” do FC Porto, uma palavra que aliás andou desde sempre colada ao clube portista. Pinto da Costa tem errado muito e acertado pouco, tem “visto” as contas do clube azul e branco a derrapar e como se já não bastasse as dificuldades em lidar com a perda de impunidade de que foi gozando durante grande parte do seu mandato são nesta altura um desafio ao qual a tal estrutura não tem sabido corresponder.

Tudo isso é verdade, e há que saber reconhecê-lo, mas as vitórias recentes do FC Porto não deveriam permitir sequer uma ponta de relaxamento da parte de Sporting e Benfica, que escaldados pelo passado têm de ser obrigatoriamente os primeiros a desconfiar da degradação dos azuis e brancos.

Apesar de tudo, e tal como os adeptos da cidade invicta fazem questão de relembrar, falamos de um Porto até há umas duas ou três semanas atrás tri-campeão nacional. Falamos de um Porto que depois de várias conquistas internacionais, foi capaz de regressar às finais europeias e vencê-las, ao contrário de outros (Benfica e Sporting), recorrentes vencidos que na hora das decisões cederam sempre ao peso da pressão da vitória.

A forma como estas equipas do FC Porto foram sendo montadas está mais do que escalpelizada, pelo que não vale a pena agora ir por aí. O ponto é: embora com sinais de deslumbramento e perda de qualidades, a estrutura liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa mostrou até há pouco menos de um ano que estava viva e, não só pronta para a guerra, como preparada para a vencer.

O melhor que Sporting e Benfica têm a fazer, para não se deixarem uma vez mais serem ultrapassados, é por isso não subestimar uma equipa directiva e desportiva que durante anos lhes foi passando a perna com a sagacidade de quem está sempre um passo à frente de todos os outros.

Muitos foram os comentários de adeptos e jornalistas, embalados pela onda gigante das últimas semanas, a criticar a escolha de Julen Lopetegui para novo treinador do FC Porto, antevendo novo fracasso e apontando o cliché do desconhecimento do campeonato português como uma das dúvidas em relação ao sucesso do espanhol em Portugal.

Por agora, todas estas opiniões não passam disso mesmo, de bitaites, e ninguém pode ser capaz de adivinhar se Lopetegui vai ou não conseguir devolver os azuis e brancos aos triunfos. Mas uma coisa é certa: enquanto Benfica e Sporting continuam a tentar perceber quem vão contratar para liderar as suas equipas na próxima época, o FC Porto tem já nesta altura um treinador (falta saber há quanto tempo o tem), e todo o planeamento certamente alinhavado de uma temporada que será decisiva para o futuro do clube.

Leonardo Jardim está de saída de Alvalade, sobre Jorge Jesus permanecem dúvidas sobre a sua continuidade na Luz, e por agora são poucas as certezas sobre o futuro das duas equipas. Muitos jogadores estão praticamente fora do plano traçado para a próxima temporada, mais que os que parecem estar de saída do Estádio do Dragão, até pela desvalorização que muitos dos seus activos sofreram com a campanha nefasta de 2013/14.

Como de costume, muitos são os alvos de grande valia no mercado apontados aos dragões, que apesar do apertar do cinto não perderam ainda toda a sua apetência em encontrar pérolas reluzentes do futebol sul-americano. Qualidades que agora, com Lopetegui, podem ser exploradas no futebol de formação espanhol, novo ponto de observação e recruta.

Há por isso que perceber que o percurso descendente do FC Porto não o pode colocar como favorito para a próxima temporada, é verdade, mas tal não quer dizer que os azuis e brancos não voltem a vencer. Por muito que os fins de ciclos sejam repetidamente anunciados, quando às vezes se ganha qualquer coisa.

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André Cunha Oliveira

 

 

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