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Não será fácil para o Benfiquista comum lidar com o mercado de transferências que se aproxima. A extraordinária temporada a nível interno, culminada com a conquista das três competições em que esteve envolvido, e uma prestação quase perfeita na Liga Europa, fazem do Benfica e dos jogadores encarnados alvos muito apetecíveis no feroz mercado europeu.

Aos já vendidos Rodrigo e André Gomes, seguir-se-ão outros. Um autêntico desmembramento de uma equipa de campeões. Não espero menos do que isso. Ao Benfica faz bem ser campeão, faz bem ganhar a taça e faz bem ganhar a taça da Liga. Mas ao Benfica faz falta muito mais. Falta ganhar títulos de forma consecutiva, em anos consecutivos. Falta ser bi-campeão. Tri-campeão. Falta ser campeão mais vezes do que vice ou terceiro classificado. E isso torna-se difícil quando se destrói uma equipa campeã.

Foi o que aconteceu no Verão de 2010 ao Benfica campeão no primeiro ano de Jorge Jesus ao leme. Se é verdade que se tornava quase impossível segurar todas as joias da coroa, não é menos verdade que nesse Verão todos os sectores do onze campeão foram enfraquecidos, com saídas de elementos importantíssimos. Receio que este ano seja ainda pior. O titular Rodrigo e o suplente André Gomes estão vendidos. E o primeiro tem mesmo que ser substituído por alguém de qualidade inquestionável. Garay vai sair e também ele precisa de um substituto de topo, o que não parecem ser os casos de Jardel (de quem gosto muito) nem de Lisandro (sobre o qual tenho boas expectativas mas desconfio da sua complementaridade com Luisão). Estas saídas são as certas. Muito provável parece ser também a não continuidade de Siqueira, o homem que finalmente nos dava garantias para a esquerda. Não me parece que o Benfica esteja disponível para investir sete milhões num lateral da sua idade, sem possibilidade de retorno. É pena porque desconfio que os mesmos sete milhões acabarão gastos em vários nomes de qualidade dúbia e para posições mais que preenchidas. Para o sector recuado resta ainda a dúvida Sílvio, que também é um bom lateral esquerdo mas que deverá regressar já com a competição do próximo ano bem avançada. Significa isto que a saída de Siqueira obrigará o Benfica a recorrer ao mercado. E todos sabemos a pontaria (ou falta dela) que tem reinado na escolha dos elementos para essa posição específica.

Confesso que estou pouco preocupado com a situação de Enzo Pérez. O argentino já não vai para jovem e o Benfica não o venderá por tuta e meia. Estou quase certo que ficará, felizmente. E a partida de André Gomes não deverá ser difícil de colmatar, seja com elementos já no plantel, seja com elementos da equipa B. E do pouco que vi do recém-contratado Pavel Dawidowicz, gostei. E Gaitán? Bem, pensar na saída de Gaitán custa porque este joga enormidades. É capaz de, sozinho, resolver um jogo num golpe de génio. É o jogador mais talentoso do nosso campeonato e a sua saída seria sempre uma perda importante. Mas se pensarmos que o Benfica tem Markovic e Salvio, fica a ideia que acabaria por ser uma saída mais fácil de resolver do que as de Garay, Rodrigo ou Enzo Pérez.

Por fim, Cardozo também deverá partir. E isso significará a entrada de um outro avançado, se possível com características bem distintas das do paraguaio. Já se percebeu que grande parte do sucesso do Benfica desta temporada passou pela mobilidade dos avançados. Regressar à fórmula do pinheiro seria dar um passo atrás. Resumindo, é tempo de dizer adeus a Garay, Siqueira, Rodrigo e André Gomes. Será muito provavelmente tempo de dizer adeus a Cardozo. E chega! Que venha alguém com o perfil de Michy Batshuayi para o lugar de Rodrigo e um central rápido e de qualidade para o lugar de Garay (que compensava a falta de velocidade com uma leitura de jogo impressionante). O outro avançado terá que ser no mesmo registo de Lima ou Rodrigo mas pode perfeitamente chegar de um mercado mais periférico, a um preço mais acessível. E que se engane o presidente do Granada no negócio Siqueira. Temos excedentes para dar e vender, pode ser que alguns possam entrar no negócio. Era importante manter Siqueira para não destruir a defesa por completo.

Chega de festa. É tempo de preparar a próxima temporada. Jogar a Supertaça ainda em êxtase colectivo será meio caminho andado para o fracasso. Chegar ao final de Agosto ainda com saídas e entradas por definir também não ajuda. Que 2010-2011 sirva de lição para aquilo que não deve ser feito.

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Joni Francisco

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2 thoughts on “Destruir depois de ganhar?

  1. Desde que fique o Manel e o pai dele… 🙂 Não creio que se vá destruir nada. A equipa principal será certamente diferente, mas há jogadores com o chamado “peso no balneário” e que já adquiriam a chamada mística benfiquista que ficam. Teremos que nos habituar a ver a equipa sem Garay, sem Rodrigo, sem Cardozo (eventualmente). Pior seria se nos tivéssemos que habituar a ver a equipa a não ganhar, coisa que seguramente não vai acontecer. Como medida profilática, ler imprensa desportiva o mínimo possível ou mesmo nenhuma! 🙂

  2. Porra! As coisas que tu sabes! Deves trabalhar no CM, não?
    São só especulações tolas e disparates banais.
    Isso é tudo “wishful thinking” ou apenas dor de côto?

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