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Ontem no final da épica conquista da décima Liga dos Campeões pelo Real Madrid, foram as palavras de um jogador do Atlético de Madrid que me chamaram a atenção.

Filipe Luís, lateral esquerdo brasileiro, talvez o melhor na Europa – esta época na sua posição – questionou as opções de Scolari na selecção brasileira e mostrou o seu desagrado por apenas ter sido chamado para a lista de reservas do Mundial 2014: “Já não sonho com isso. Estou de férias. Muitas vezes, não sabemos qual é o critério do treinador na hora da escolha, mas vou ser um torcedor a mais da seleção brasileira.” – Disse o rojiblanco

Questionado se achava que merecia a convocatória foi claro: “ Eu (Merecia), Miranda, não tenho dúvidas de que mais jogadores mereciam. Não tem um critério claro, não vão os que merecem, simplesmente. Vai quem um treinador quer convocar. Não depende nunca do que você está fazendo no campo. Depende de um cara que está no comando e está tentando levar o que ele quer, o melhor para ele. A selecção neste momento não tem um critério claro. Não falo por mim, o Miranda foi o melhor zagueiro da Europa neste ano.” – Rematou o brasileiro.

Em época de convocação muitas decisões polémicas surgem nas listas finais. Se em Portugal é quase inegável a protecção da federação e do seleccionador a jogadores de certos empresários e de determinados clubes, há países onde a implicância dos treinadores afasta os melhores atletas das grandes provas.

Em termos de convocatórias existem várias especificidades que importa realçar:

1 – O treinador que convoca os jogadores da sua confiança e cria um núcleo duro de atletas com os quais tem afinidade ou já trabalhou. Comum no caso de Luiz Felipe Scolari que por exemplo preteriu Miranda e Filipe Luís – dois dos melhores da Europa na sua posição – para convocar Henrique – elemento com liderança de balneário e que conhece bem – e Maxwell mais experiente e com poucas possibilidades de ser titular. A pretensão de Scolari é ter um grupo coeso e com claros titulares e boas opções de banco que não levantem ondas e muito menos ponham em causa a titularidade dos 11 eleitos. Chamar Miranda ou Filipe Luís para ficarem no banco enquanto foram muito superiores a Marcelo e David Luiz não seria muito conveniente.

2 – Seleccionador que deixa de fora astros nacionais por desavenças pessoais ou más relações pessoais. Uma coisa é deixar um jogador como Bosingwa de fora, que apesar de talentoso não é um predestinado e outra é cortar o melhor jogador do país porque não se encaixa naquilo que o treinador pretende. É o caso de Didier Deschamps que abdicou de Samir Nasri em detrimento de vários elementos que consensualmente não reúnem a qualidade do atleta do Manchester City.

3 – Professor que convoca o seu núcleo duro e depois cede aos nomes de peso devido à pressão dos adeptos e da comunicação social, mediante os maus resultados. Exemplo clássico é Carlos Alberto Parreira que vendo o Brasil patinar nas eliminatórias do Mundial 94, deixou as desavenças com Romário para trás e chamou o baixinho com a estrita missão de fazer golos. O avançado do Barcelona marcou 2 ao Uruguai e levou o país ao Mundial. De brinde, foi absolutamente decisivo na competição que o país viria a vencer.

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Nasri e Tevez dois dos mais injustiçados ausentes do Mundial 2014

4 – Temos ainda um tipo raro de seleccionadores: aquele que convoca efectivamente todos os melhores jogadores – entenda-se com mais categoria e melhor produção nos clubes. Considera a qualidade futebolística acima de qualquer outra coisa (possíveis conflitos, estilo de jogo, estrutura táctica, más relações de balneário). Na teoria este tipo de convocação é aquela que mais sentido faz, mas por vezes revela-se negativa, devido às vaidades entre as várias estrelas, à pouca compatibilidade futebolística entre alguns jogadores e a pouca preocupação do seleccionador com as relações humanas e o ambiente de grupo. Quem não se lembra da desastrosa participação da Sérvia e Montenegro no Mundial 2006 devido às divisões políticas entre atletas. Obviamente que se olharmos só para o rendimento dentro de campo, jogadores como John Terry, Carlitos Tevez e Danny mereciam estar no Mundial.

Na minha óptica, a convocação deve ser feita recorrendo ao mérito individual de cada um, nos clubes e posteriormente na selecção – há atletas que rendem mais com uma camisola do que com outra e é importante ter isso em conta – desde que o grupo seja sempre respeitado e colocado pelos jogadores em primeiro plano.

Jogadores pouco ou nada utilizados, com lesões e que não tenham rendimento satisfatório ao longo da época não merecem marcar presença nas grandes competições, a não ser que o seu país não apresente soluções para o seu lugar – veja-se o exemplo de Hélder Postiga.

As opções secundárias devem ser feitas de acordo com o desempenho futebolístico também, sendo que os jovens com futuro devem merecer mais atenção para ganharem traquejo nas grandes competições e estarem preparados para as oportunidade que o tempo lhes trará.

Neste espaço de meritocracia devemos sempre abrir uma porta para os craques, aqueles que decidem. Por muito que não estejam num bom momento, na minha opinião, são os únicos jogadores que merecem ser excepção numa convocatória, com base no bom desempenho. Primeiro porque provavelmente não há no seu posto uma referência com o seu talento e depois porque os colegas sabem disso e facilmente entendem a necessidade de contar com esse jogador. Nani é um exemplo claro disso: fez uma época horrível, está claramente em má forma mas ninguém dúvida do seu futebol e muito menos aprovaria deixar de fora o melhor jogador português, depois de Cristiano Ronaldo.

Acredito que é necessário estabelecer critérios claros e ser transparente com os jogadores, até para que estes saibam com aquilo que podem ou não contar.

Como vimos existem várias formas de montar uma selecção. Sabendo sempre que a preferência de cada um é subjectiva, o que pergunto é simples: qual é a forma mais justa de seleccionar uma equipa? Convocar os melhores ou convocar aqueles que o treinador prefere? A selecção não é de interesse nacional? Não deverão os treinadores e jogadores enterrar o machado de guerra e por o país em primeiro lugar?

Já partilhei a minha, deixem também as vossas opiniões e um bom Mundial 2014 a todos!

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SONY DSCBruno Gomes

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