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Passou uma semana sobre o sufrágio do passado domingo e só o tsunami que se seguiu num dos principais partidos envolvidos fez perceber que no dia 25 de Maio houve meia dúzia de portugueses a dirigirem-se até às urnas para preencher boletins de voto.

As eleições europeias, como de costume, passaram-nos completamente ao lado e o nós aqui presente serve para assinalar isso mesmo, uma gigantesca nota de culpa de um país que insiste em ficar à margem do contexto  da sua própria flagelação.

Mas esta culpa não pode morrer solteira, e a abstenção de 66,09 % de Domingo não se explica apenas pelo desinteresse geral dos portugueses por Bruxelas, já que o seu  distanciamento  foi proporcional à negligência dos candidatos dos principais partidos pelas temáticas europeias.

De Europa pouco se terá falado nas últimas semanas, numa campanha que serviu mais de pré-época para as Legislativas de 2015 do que para outra coisa. Dos candidatos a deputados europeus não houve muito mais para além de tiradas inúteis como “tudo faremos para sair do Euro”, não fosse alguém pensar que estávamos a falar de eleições internas.

No desigual campeonato partidário, PS e PSD estrebucharam e trocaram os habituais galhardetes numa competição sem púbico nas bancadas. Da campanha eleitoral ficaram as imagens televisivas de caranavas partidárias passeando em ruas vazias de gente e confiança nos políticos, sobretudo em algumas cidades do norte.

No final, surpresa das surpresas, a vitória sorriu ao partido da oposição, com uma margem que ainda assim não serviu para assustar o líder dos últimos anos e que depois de um primeiro mandato vivido sempre no limbo se prepara agora para enfrentar a próxima volta com outros argumentos, previsivelmente sem recurso às palavras “cortes” e “austeridade”.

Uma vitória pouco convicente que, ao que tudo indica, fará cair o timoneiro campeão das últimas eleições, a fazer lembrar aquelas chicotadas psicológicas a treinadores vitoriosos. Entre um Seguro e um Costa, não se sabe muito bem o que mudará na equipa rosa, nem ninguém parece encontrar diferenças substancias entre os dois.

É uma vez mais a forma a prevalecer sobre o conteúdo, a elegância e cordialidade de Costa a sobrepôr-se à arrogância de Seguro. Para já é neste campo que se situa o debate, simplificado e reduzido a chavões. Seguro, o fraco líder. António Costa, o conciliador. Pouco mais do que isto.

Nenhum dos dois se mostrou aliás muito preocupado com o futuro europeu de Portugal nem com o esclarecimento dos portugueses, não se comprometendo com absolutamente nada, no caso o ainda secretários geral do PS.

Para eles e para todos os outros, os olhos estavam virados para 2015. Com isso perdeu-se mais uma oportunidade de debater o futuro de Portugal na Europa, de lutar pelo seu espaço e dos outros elos mais fracos numa união cada vez mais divida e desigualitária, onde os grandes vivem e os pequenos sobrevivem.

Mas tudo isso é coisa pouca quando comparada com a obsessão do poder e a luta partidária. Sem soluções, sem alternativas, sem debate e sem discussão, as pessoas simplesmente não se deram ao trabalho de ir votar. E esse é o sinal mais grave e assustador para a democracia portuguesa.

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André Cunha Oliveira

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