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Jorge Jesus considera-se o melhor treinador do mundo. Nas suas próprias palavras, não há ninguém que perceba mais de futebol do que ele próprio e nem mesmo José Mourinho, técnico português detentor de qualquer coisa como duas Ligas dos Campeões, uma Liga Europa, duas Ligas Italianas, duas Ligas Inglesas, duas Ligas Portuguesas e uma Liga Espanhola, o consegue superar. Numa entrevista concedida ao Jornal I, JJ afirmou que lhe falta apenas conquistar uma Liga dos Campeões para se consagrar efetivamente como the best in the world, algo que perante as suas amplas capacidades poderá estar já ao virar da esquina, não fosse o seu glorioso historial nas competições internacionais.

Jorge Jesus fundamentou o seu raciocínio com o argumento de que os treinadores portugueses são os melhores do mundo, sendo que dentro deste quadro dos técnicos nacionais só ele ou Mourinho poderiam ocupar o trono absoluto. Mas ele, Jorge Jesus, é muito superior ao atual técnico do Chelsea pelo facto de serem os próprios jogadores a lho garantirem. Andará JJ a perguntar aos seus antigos e atuais jogadores se o consideram melhor ou pior que Mourinho?

Mesmo aos olhos dos benfiquistas a falta de humildade de Jorge Jesus é difícil de engolir. O mundo do futebol sorri com o estilo exuberante de JJ e quase tudo lhe perdoa como se se tratasse de uma entidade divina, mas se os pontapés na gramática podem ter piada afirmações como esta que usam o termo de comparação para inferiorizar o mérito dos seus colegas de profissão em prol da sua autoaclamação têm que ser alvo de condenação. Dizer apenas que se considera o melhor do mundo seria visto como mais uma das suas brincadeiras vazias de sentido de realidade, mas invocar as supostas opiniões de seus ex-jogadores para justificar a sua superioridade relativamente ao Special One vai para além do aceitável.

A questão que aqui se impõe é apenas uma. No futebol tão importante como saber perder é também saber ganhar e Jorge Jesus, talvez por não ganhar tanto quanto gostaria, não o sabe. O treinador do Benfica já pediu que o avaliassem pelos seus resultados enquanto treinador, mas à mínima oportunidade coloca-se em bicos de pés para receber todos os louros referentes às conquistas do seu clube. Esquece-se que nos cinco anos que passou na Luz foram muitos mais os títulos que perdeu do que os que ganhou e que até Vítor Pereira conquistou em duas épocas tantos campeonatos como ele em meia década.

Jorge Jesus tem condições para fazer uma grande carreira internacional enquanto treinador e quem sabe até conquistar os grandes títulos do futebol europeu, todavia terá ainda que compreender melhor todos os fatores que envolvem o desporto rei para alcançar um patamar superior. A forma como se comunica com o exterior reflete muito da imagem que um treinador desenvolve para a opinião pública e neste aspeto Jorge Jesus tem ainda muito que aprender. Talvez o treinador português esteja mal aconselhado, mas o que é facto é que no campo comunicacional JJ tem sempre marcado a diferença apenas pela negativa. Os seus feitos enquanto treinador e a forma apelativa com que a equipa do Benfica joga acabam por passar para segundo plano à luz das declarações mais ou menos engraçadas, mais ou menos absurdas, que faz questão de proferir semanalmente.

Episódios como os três dedos a Tim Sherwood, o “limpinho, limpinho” com o Sporting ou agora o “sou o melhor treinador do mundo” denigrem a imagem de Jesus e demonstram que o técnico de 59 anos faz questão de exibir o lado mais negro do seu carácter nos momentos das grandes vitórias. Para os benfiquistas Jesus é hoje bestial mas amanhã, depois de um ou outro desaire, poderá passar a besta, e nessa altura estes seus comportamentos pouco profissionais jogarão a seu desfavor e para seu próprio arrependimento.

Diogo Taborda desenho

Diogo Taborda

One thought on “I’m the best in the world

  1. Concordo com oq ue dizes sobre o Jorge Jesus. É demasiada presunção ou mesmo narcisismo. Gosto das comparações com Mourinho. Só faltou referir que há um ponto em que Mourinho está acima de qualquer treinador de futebol: no narcisismo em que a variante do Mourinho é (só pode) ser patológica.

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