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Pep Guardiola há só um e quando Tito/Jordi Roura assumiu a equipa do Barcelona as diferenças – apesar de não serem colossais como com Tata Martino – foram imediatamente notórias. A última temporada sob o comando do treinador argentino foi desastrosa do ponto de vista desportivo mas essencialmente porque os catalães perderam a sua identidade de jogo e apagaram-se enquanto equipa.

O sucesso recente do Barça assentava em dois pressupostos básicos:

1- Explorar ao máximo as qualidades da equipa para se sobrepor aos rivais – reter a bola, jogar ao primeiro toque, criar desiquilíbrios através de várias movimentações e acima de tudo não deixar o adversário ter bola.

2 – O perfeccionismo e a organização com que a equipa técnica de Guardiola estudava o jogo e com que os catalães trabalhavam – por exemplo, apesar de ser uma equipa baixa, o Barça raramente sofria golos de bola parada e era comum marcar alguns. O posicionamento dos 3 elementos acima do 1,90m da equipa (Piqué, Abidal e Busquets) em ambas as áreas e a exigente organização defensiva não permitiam veleidades aos adversários e rendiam, de vez em quando,uns tentos aos blaugrana.

Luís Enrique foi escolhido para reencontrar a identidade perdida durante o mandato do desorientado Martino. Lucho regressa a uma casa onde foi muito feliz com uma missão difícil mas com dinheiro em caixa e um grupo de grande qualidade.

Na Catalunha muito se fala numa possível revolução. Nomes de peso e muita qualidade como Alexis Sanchez, Xavi, Pedro, Adriano, Dani Alves e Fábregas surgem como prováveis saídas do clube. Cuadrado, Agüero, Marquinhos, Mathieu, Koke, Llorente surgem como as grandes ambições barcelonistas na imprensa internacional.

Desconhecendo o que se passa no balneário azul-grená e na cabeça dos jogadores, discordo deste desmanche na equipa.

O plantel tem muito valor pequenos ajustes seriam mais adequados. Percebo a possível saída de Dani Alves, apesar de ser um dos poucos com época positiva – mais uma vez bem no plano ofensivo – sempre defendeu de forma permissiva, mas Abidal equilibrava a equipa – já passou da casa dos 30 e ainda pode render um bom encaixe financeiro. Montoya pode ser uma óptima alternativa e Alves não seria uma perda assim tão significante.

Apesar do sub-rendimento de Xavi, Fábregas tarda em roubar-lhe o lugar.

Apesar do sub-rendimento de Xavi, Fábregas tarda em roubar-lhe o lugar.

De Xavi apenas não percebo como continua como um indiscutível quando nas últimas duas épocas, pouco ou nada produziu. Fábregas é jovem, custou um balúrdio e tem qualidade de sobra para ser o seu sucessor.  Vendê-lo em vez de lhe dar oportunidades reais como titular- não como falso 9, extremo ou 12º jogador – pode revelar-se um erro fatal. Com mais minutos e uma grande injecção de confiança pode vir a ser o craque dos tempos do Arsenal.

Outro negócio sem sentido é a provável saída de Alexis. O chileno está totalmente adaptado ao Barça, é um dos principais craques da equipa, fez uma grande época – inclusive melhor do que o dispendioso Neymar – e merecia mais minutos no onze titular.

É evidente que mesmo sem saídas o Barcelona precisa de pelo menos 1/2 centrais e 1 ponta de lança. Um super central ao nível do velho Puyol é necessário desde que o grande capitão começou a sofrer lesões, e um central/lateral esquerdo seria ideal para competir com Jordi Alba e oferecer a compleição física à defesa que o espanhol e Adriano não conseguem.

Um homem de área é uma lacuna enorme deste Barça e precisa urgentemente de ser colmatada para oferecer alguma versatilidade ao previsível jogo ofensivo dos catalães.

Tudo isto são constatações óbvias mas mais do que isso alguns ingredientes serão necessários para o Barça reencontrar o seu caminho: menos problemas fora de campo – a morte de Tito e a louca transferência de Neymar afectaram os jogadores na última época; organização – especialmente nas bolas paradas e no processo defensivo que este ano foi vergonhoso; movimentação ofensiva – na última temporada o processo atacante foi sempre estático, sem ideias e um apático Messi acabou perdido no meio das defesas adversárias; e acima de tudo pressão.

A grande diferença do super Barça de Guardiola para todas as grandes equipas da história do futebol mundial estava na pressão alta exercida à saída da grande área do adversário: o Barça não deixava o oponente jogar, recuperava rapidamente a bola e criava a partir dai uma teia com o esférico que desconcentrava os rivais e ao mínimo deslize, se revelava fatal. Ter bola é um desígnio que as equipas de Cruyjff e Rijkaard cumpriram igualmente com sucesso mas defender tão bem e pressionar tão competentemente só as de Pep Guardiola.

Voltar a fechar os caminhos para baliza blaugrana através da pressão incessante – num estilo quase Simeónico – é o principal desafio de Luis Enrique. Apesar da qualidade técnica do meio campo barcelonista, todos se doavam taticamente e o processo defensivo iniciava-se com os homens da frente, massacrando constantemente os defensores contrários. Se Lucho conseguir motivar as tropas e incutir a unidade entre os sectores do onze blaugrana, então terá novamente sucesso.

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SONY DSCBruno Gomes

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