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Quando ontem entrei no Palavras ao Poste, caiu-me tudo. Tinha preparado o meu texto desta semana e por momentos pensei que o meu colega Bruno Gomes se tinha antecipado no tema em questão. Felizmente, depois de ler, não só percebi que não falamos do mesmo como também que o meu artigo acabará por ser complementar ao dele, o qual merece a sua leitura (https://palavrasaoposte.wordpress.com/2014/06/09/mundial-dos-hospitais/).

Valdés, Arbeloa, Badstuber, Kyle Walker, Jetro Willems, Strootman, Montolivo, Thiago, Ribéry, Reus, Falcao, Gundogan, Grenier, Townsend, Van der Wiel, Lars Bender, Shirokov, Van der Vaart, Navas, Walcott, Giuseppe Rossi… Uff, uma lista tremenda aquela que o Bruno Gomes nos trouxe de ausências por lesão para o Mundial que se aproxima. A estes juntam-se incógnitas como Cristiano Ronaldo, Diego Costa, Suárez, Neuer, Vidal, Lahm ou Schweinsteiger.

Diego Costa foi substituído em Camp Nou e na final da Liga dos Campeões do Estádio da Luz.

Não será a primeira vez que grandes jogadores falham certames importantes por lesão. Mas não pode ser só uma coincidência o número pavoroso de baixas para o Mundial deste ano. Assim como não é uma coincidência que alguns dos jogadores que mais e melhor jogaram na temporada que agora terminou são aqueles que estão agora em dúvida (Ronaldo, Diego Costa e Suárez foram, junto de Ibrahimovic, os melhores de 2013/14) ou confirmados de fora (Reus, Ribéry…).

Mais do que azar ou coincidências, há um factor que tem contribuído de forma inegável para este avolumar de lesões: os jogadores jogam em doses cada vez mais desumanas, sobretudo na fase final e decisiva da temporada.

Luís Suárez (Uruguai e Liverpool) também chega ao Mundial diminuído fisicamente.

Pressionados por fenómenos extra-futebol – como os casos das transmissões televisivas ou a vontade de fazer crescer a emoção da ponta final – os responsáveis pelas grandes ligas de clubes europeus aceitam calendarizações absurdas, desorganizadas, assimétricas e que prejudicam o grande ‘player’ da indústria (o jogador)… prejudicando também o espectáculo. Sim, o espectáculo – esse que querem potenciar com doses extra de emoção na ponta final das competições – acaba também ferido de morte. Basta ver o exemplo da final da Liga dos Campeões jogada há semanas no Estádio da Luz. Nesse jogo, que deveria ser o culminar de uma época fantástica para as duas melhores equipas europeias e suas estrelas, acabou por ser um jogo nalguns momentos mal jogado e ao qual as duas grandes estrelas chegaram para lá do limite físico: Cristiano Ronaldo arrastou-se em campo; Diego Costa aguentou apenas 9 minutos, mesmo depois do tratamento de choque que recebeu.

No prolongamento da Liga Europa houve tudo menos futebol. As pernas não deixaram.

Na Liga Europa a situação foi muito semelhante. O Benfica chegou ao encontro com várias baixas por lesão (o Sevilha tinha menos, conseguiu poupar) e ambas as equipas se arrastaram em campo no prolongamento, claramente exaustas com o vertiginoso acumular de jogos (que no caso do Benfica se prolongava desde Janeiro, com jogos a meio da semana e ao fim de semana). Também as ligas internas nos trouxeram exemplos de limites físicos ultrapassados: o Real Madrid abdicou mesmo de lutar pela La Liga e o Chelsea quebrou na ponta final.

São, portanto, as equipas com mais sucesso aquelas que acabam a sofrer mais com este fenómeno. Vai dizer o leitor que isso é normal. Mas não é! É óbvio que quem vai seguindo nas competições em que está inserido vai acumulando mais jogos. Mas também não é menos verdade que muitas das equipas que chegaram ao final da temporada de rastos estiveram paradas durante semanas seguidas nos meses de Outubro, Novembro ou Dezembro. É aqui que reside o problema! Temos o caso de Portugal, que nos é mais familiar. Na fase inicial da época, temos até casos de duas e três semanas sem competição para muitos clubes. Mas a partir de Janeiro começa a loucura, com semanas e meses consecutivos de jogos ao fim de semana e a meio da semana, sobretudo para as equipas com sucesso interno e europeu. Em Portugal, arrisco dizer que cerca de 2/3 dos jogos são feitos no último terço do calendário. Lá fora, mais do mesmo. Sofre o jogador, sofre o espectáculo.

É, por tudo isto, natural que cheguemos ao Mundial 2014 com muitas selecções a meio-gás. As fases finais das grandes competições europeias de clubes vão ser cada vez mais isto: equipas no limite, craques presos por arames. E as fases finais das competições de selecções terão cada vez mais ausências e serão cada vez menos interessantes, uma espécie de descompressão que só vai sendo colmatada pela vontade dos jogadores em brilhar nestes palcos. Será também perfeitamente natural que os grandes craques destas competições sejam jogadores talentosos mas com menos minutos nas pernas. Não é de esperar grandes feitos de Ronaldo, Suárez, Diego Costa, Robben ou Iniesta (Messi é uma incógnita, nalguns momentos parecia poupar-se). Se o conseguirem, depois de tudo o que jogaram nestes últimos tempos, merecem a minha ovação de pé.

Não é a primeira vez que escrevo em defesa do jogador de futebol. Nunca é demais recordar que não são máquinas. O fabuloso anúncio da Nike (http://www.youtube.com/watch?v=Iy1rumvo9xc) até nos mostra que, felizmente, ainda temos em campo gente de carne e osso, com dor, com mazelas mas também com feitios e génios próprios. São eles que fazem deste desporto algo tão espectacular. Que se proteja o jogador para que se possa proteger o espectáculo.

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Joni Francisco

 

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One thought on “Quem protege os jogadores?

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