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Correndo o risco de ver uma vitória portuguesa no próximo domingo contrariar as minhas palavras e a onda de pessimismo à volta da Selecção Nacional, seria impossível, para mim, deixar de escrever sobre o desastre português da última segunda-feira.

Foi um jogo miserável mas jogos miseráveis acontecem a quase todas as equipas do mundo, num determinado momento da vida. Nem sempre se ganha, às vezes perde-se e joga-se muito mal. Acontece.

Sofrer um penalty nos minutos iniciais de um encontro, ver um jogador expulso e depois sofrer a infelicidade de ter uma série de jogadores  a sair de campo por limitações físicas é muito azar junto mas que mundial sim, mundial não, também lá acontece.

Mas depois do azar, de que todos somos vítimas, vem a incompetência. E aí não há como não visar Paulo Bento. Há dois anos, Portugal estreou-se no Euro 2012 com uma derrota frente à Alemanha, por 1-0. Dois anos depois, o mesmo adversário, o mesmo fracasso na ronda inaugural de uma grande competição. Mas desta vez agravado por números escandalosos que envergonham a equipa nacional.

Denominador comum? O mesmo treinador, exactamente a mesma estratégia e praticamente…o mesmo onze. Na Ucrânia, Rui Patrício, João Pereira, Pepe, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Miguel Veloso, João Moutinho, Raúl Meireles, Nani, Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga enfrentaram uma poderosa Alemanha sem, mais uma vez, conseguir esgrimir argumentos para a vencer. Talvez (com Paulo Bento nunca saberemos) influenciado pelos 4 golos de Postiga em toda a temporada, o seleccionador nacional decidiu-se pelo “goleador” Hugo Almeida e procedeu desta forma uma única alteração face ao onze escolhido há dois anos atrás.

Esta “teimosia” de Paulo Bento é aliás uma das imagens de marca do seleccionador, que em 2007/08, ao serviço do Sporting, conseguiu perder por três vezes contra o mesmo adversário (o Vitória de Setúbal), jogando em todas elas exactamente da mesma forma.

Dois anos volvidos (do último europeu) e novas gerações de jovens jogadores nacionais depois, é como se o tempo tivesse parado para ele. Mas não parou. E para muitos dos jogadores que continuam de pedra e cal no onze português, passou a alta velocidade. Para outros, o Mundial de 2014 coincide com momentos de menor fulgor das suas carreiras.

Por isso tivemos na passada segunda-feira uma equipa fisicamente estourada, sem ideias nem pulmão para fazer face aos talentosos jogadores alemães. Um meio-campo ofegante a jogar a passo no calor brasileiro, e um ataque com Cristiano Ronaldo a 50% das suas capacidades.

Em péssima forma, João Moutinho e Raul Meireles foram incapazes de jogar da única maneira em que são exímios: em alta rotação. Não roubaram bolas, foram ineficazes no jogo de pressão e falharam passes a um nível nunca antes visto. Desprotegeram Veloso (apesar de tudo em boa forma), e obrigaram o médio defensivo a um trabalho que não pode ser seu, dadas as suas características.

Ronaldo ainda conseguiu rematar, mas sem a velocidade de execução que o torna habitualmente imparável. Nani tentou agitar, mas Hugo Almeida foi desde logo um travão à sua euforia. Com menos um, Éder foi um combatente solitário na frente de ataque de Portugal.

O problema vem depois na segunda linha. Porque sem Coentrão, Pepe (Bruno Alves?), e com Moutinho e Meireles a pedirem para sair da equipa, não existem alternativas.

Não há lateral-esquerdo porque Paulo Bento resolveu deixar Antunes, Eliseu ou até Duda em terra. Há Neto mas também há Ricardo Costa que é o eterno garante de experiência (apesar de lhe faltar tudo o resto) da selecção nacional. Não há 8s (Rúben Amorim finalmente mostrou alto rendimento nesta temporada mas jogando numa posição mais recuada, no Benfica)porque Adrien, depois da magnífica época no Sporting, não serve nem para a lista de pré-convocados, segundo o seleccionador.

As convocatórias dos seleccionadores nacionais nunca são unânimes, já sabemos, mas existem casos puros de negligência. O da selecção portuguesa é um deles. Porque uma coisa é a falta de soluções do futebol português, outra é o esquecimento dos seus poucos protagonistas por parte de quem manda e toma decisoes.

Por consequência, Portugal terá de jogar com jogadores sem categoria, alguns adaptados e outros  fisicamente debilitados. Estará objectivamente mais fraco. Quem é o responsável? O mesmo que promoveu a chegada à selecção de jogadores que pouco justificaram essa chamada, mas cuja ligação ao empresário Jorge Mendes foi determinante para representar a Selecção A.

Carlos Mané e Ivan Cavaleiro: o primeiro, 17 jogos e 2 golos marcados na Liga Portuguesa; o segundo, 8 jogos e 0 golos marcados. O primeiro nunca foi chamado por Paulo Bento, o segundo não só foi várias vezes convocado como chegou a integrar a lista de 30 pré-convocados. Sim, Ivan Cavaleiro é representado por Jorge Mendes.

Assim como ele, muitos outros dos 23 convocados por Paulo Bento chegam ao Brasil sem que ninguém perceba muito bem como. No Domingo, alguns deles estarão a representar a selecção nacional, dando o máximo de si à equipa e procurando orgulhar os portugueses. Se falharem, será certamente porque não são capazes de fazer melhor, e se assim for é porque quem os chamou foi incompetente na leitura que fez do seu potencial.

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André Cunha Oliveira

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