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A desilusão da pesada derrota sofrida diante da Alemanha foi quase há uma semana mas ainda se mantém bem viva no espírito dos portugueses. O início do tão mediatizado Mundial não podia ter sido pior para a equipa das quinas e o fantasma da Espanha, igualmente goleada na jornada inaugural e eliminada no segundo encontro, paira agora sobre as cabeças dos chamados conquistadores. Mas deixemo-nos de conversa fiada, de desculpas esfarrapadas em torno do árbitro ou do joelho magoado do CR7: Portugal foi humilhado pela Alemanha simplesmente por ter sido muito inferior ao seu adversário e, acima de tudo, por Paulo Bento não ter feito as opções corretas. Mas ainda nada está perdido.

Não querendo abordar os treinos ligeiros em horários de temperaturas amenas e abertos e milhares de pessoas e o excesso de folgas concedidas aos atletas, a seleção sucumbiu aos pés dos alemães muito pelos jogadores que estiveram (ou aparentaram estar) em campo. Ao sempre estático e inoperante Hugo Almeida na frente de ataque, acrescentaram-se três centrocampistas macios no ataque à bola e posicionalmente perdidos nos processos defensivos. Curioso foi ver os nossos meios de comunicação classificarem Miguel Veloso como o melhor elemento deste tridente intermédio, quando na verdade foi a partir da sua falta de agressividade e da sua incapacidade anular as investidas ofensivas do adversário que todo o futebol da nossa seleção desabou como um castelo de cartas.

A infantil expulsão de Pepe aos 37’ ajudou à festa e a solução de recurso de Bento deu a machadada final nas aspirações portuguesas naquela partida. Até ao intervalo foi Raul Meireles a ocupar lugar do luso-brasileiro a defesa central, ao invés de ser o já rotinado Miguel Veloso a viajar para aquela posição. No recomeço da partida, Veloso ficou no balneário e Ricardo Costa entrou para o eixo da defensiva: que mensagem se transmite a uma equipa que está a perder por 3-0 quando se tira um médio para se colocar em campo um central?

Para além de ter sido ineficiente em termos táticos, a decisão foi terrível também em termos psicológicos para os 10 que continuavam em jogo. Bento demonstrou que estava com medo de levar mais e os seus jogadores, melhor que ninguém, captaram a mensagem. Não seria melhor ter recuado Miguel Veloso e poupado assim uma substituição de forma a poder lançar mais tarde alguém fresco para o ataque? Perdido por um, perdido por mil, e pior que ser derrotado é sê-lo sem se ter feito tudo para vencer.

Mas como se não chegasse, a pesada derrota frente à Alemanha deixou vastas mazelas nos nossos jogadores e são quatro os indisponíveis para o jogo com os Estados Unidos da América. Perante as contrariedades, Paulo Bento irá obedecer à sua teimosia e colocar o pastelão Miguel Veloso no meio-campo e o permeável André Almeida à esquerda, quando a melhor solução passaria por colocar Veloso a lateral e William Carvalho no comando como médio defensivo. Na frente, talvez a titularidade seja mesmo de Éder, apesar de aos olhos do selecionador o jamais mortífero Postiga seja quase sempre merecedor de mais uma oportunidade.

No que concerne à seleção dos EUA, é uma equipa assumidamente defensiva que vai utilizar a estratégia de se encostar na sua defensiva e tentar, a conta-gotas, adiantar-se no marcador através de uma jogada de contra-ataque ou de uma bola parada. Foi assim que a formação de Jürgen Klinsmann se apresentou frente ao Gana, e quem viu o jogo sabe que a superioridade técnica dos africanos só não se traduziu numa goleada devido ao seu enorme desacerto no momento da finalização.

Perante as características do adversário e o facto de ter que ganhar para se manter na luta pela passagem aos oitavos-de-final, a postura da seleção nacional nesta segunda jornada da fase de grupos do Mundial só pode ser uma: entrar em força para chegar ao golo o mais rapidamente possível. Mal subam ao relvado, os jogadores norte-americanos têm que sentir que o ímpeto da seleção das quinas é insuperável e que o resultado do jogo não será outro que não a vitória de Portugal. Do nosso lado, cabe a todos os portugueses acreditar que até mesmo sem Rui Patrício, Pepe e Coentrão a nossa equipa é muito superior à dos Estados Unidos e que os três pontos estão perfeitamente ao nosso alcance. Depois, bem, depois será outra história, mas o que interessa neste momento é pensar no presente, e esse joga-se amanhã.

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