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Luís Suárez é o nome do momento, mas infelizmente pelos piores motivos.

O herói uruguaio voltou a perder a cabeça num momento negativo de jogo e com uma dentada no italiano Chiellini acabou banido do Mundial. A suspensão de Luisito foi exemplarmente pesada: 9 jogos afastado da selecção, 4 meses afastado de toda e qualquer actividade relacionada com o futebol (só retorna ao Liverpool em Outubro), impedido de entrar em qualquer recinto desportivo durante todo este período e multado em 100 mil francos suíços (cerca de 82 mil euros).

Depois do incidente com Rooney no Mundial 2006, Ronaldo passou a ser perseguido pelos media ingleses que o acusavam também de ser um simulador constante.

Depois do incidente com Rooney no Mundial 2006, Ronaldo passou a ser perseguido pelos media ingleses que o acusavam também de ser um simulador constante.

Admito gosto muito de Suárez. A sua valia futebolística é inegável e a sua entrega e atitude competitiva, incomparáveis. Não acredito muito nas teorias da conspiração dos media ingleses que constantemente perseguem o uruguaio como em outros tempos perseguiam Ronaldo e tantos outros. Mas as dentadas desesperadas quando as coisas não lhe correm de feição são totalmente indesculpáveis e revelam um problema sério.

Provavelmente algo relacionado com a infância conturbada do uruguaio, perdido entre as ruas de Montevidéu onde trabalhava lavando carros para ajudar a mãe solteira a sustentá-lo e aos cinco irmãos. A ligação precoce ao álcool e a ausência total do pai moldaram uma história que tinha tudo para dar errado mas felizmente deu certo.

Não sou perito em psicologia nem nada que se pareça mas acredito que mais do que ser banido por tanto tempo, Suárez precisa de ajuda.

Defendo uma multa severa – 82 mil euros para um atleta de topo são tostões – mais jogos afastado da selecção – até porque o incidente aconteceu com a Celeste vestida e o Liverpool não merece uma punição tão pesada – e acima de tudo um obrigatório acompanhamento psicológico com trabalho social envolvido. É um desperdício para a sociedade não utilizar o mediatismo de Suárez em boas causas sociais.

Punir um milionário futebolista com uma multa irrisória e bani-lo até dos estádios – nem assistir a futebol pode – durante tanto tempo, é patético e demonstra que a insuspeita FIFA está pouco preocupado com uma possível reincidência comportamental do jogador. A instituição presidida por Joseph Blatter têm a sua imagem publicamente desgastada e está a tentar moralizar-se em cima do mediático Suárez.

O facto de prejudicar o seu clube por tantos meses mostra uma certa prepotência que nestes casos não deveria prevalecer. Se o que ocorreu com o uruguaio tivesse ocorrido a algum jogador menos mediático ou igualmente mediático mas bem visto na comunicação social provavelmente o tratamento seria outro.

Ao longo do tempo temos assistido a incidentes tão graves ou piores cometidos por atletas até reincidentes – como Suárez – e a FIFA assiste impávida à ausência de penalizações credíveis por parte das respectivas confederações abstendo-se de interferir. Não o faz porque supostamente não é da sua esfera mas ao punir desta forma o avançado Liverpool acaba por interferir de prolongadamente nos domínios da liga inglesa.

Emerson Sheik, avançado do Corinthians, na final da Libertadores 2012 mordeu a mão de um central argentino depois de lhe ter desferido duas cotoveladas. Os lances passaram ao lado do árbitro e os representantes da Comebol e da FIFA que com certeza assistiram à partida e visionaram os vídeos não fizeram nada. 

O jogador passou incólume e continuou nos últimos anos da carreira a pontapear adversários, a agredir colegas de profissão e com as atitudes antidesportivas que marcaram o seu percurso. É apenas um exemplo entre milhões em várias competições importantes que continuam a ser ignorados pela idónea FIFA porque não têm a visibilidade moralista que o caso Suárez permite.

Luisito precisa de uma punição severa, mas necessita essencialmente de ajuda. A forma como está a ser crucificado e achincalhado em praça pública não contribui de maneira nenhuma para a sua regeneração.

Nem toda gente tem a mesma educação, temperamento e cabeça fresca em momentos de tensão e é preciso preparar aqueles que subiram a pulso sem este tipo de formação. Cabe a todos os uruguaios e aos responsáveis do Liverpool amparar e reeducar Suárez.

A forma como tem sido consagrado pelos conterrâneos é bonita, mas não é a mais indicada para lidar com o caso. Protecção excessiva estraga os filhos e o povo uruguaio não está a ajudar o seu. O jogador errou, deve reconhecê-lo – e não desculpar-se da forma absurda que fez -, deve ser severamente punido mas com limites que respeitem a pessoa e que permitam recuperar o atleta excepcional e regenerar um cidadão que claramente precisa de apoio.

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SONY DSCBruno Gomes

One thought on “Culpado ou Inocente?

  1. Totalmente de acordó Bruno! Já chega a FIFA andar sempre com dois pesos e duas medidas.. Realmente o que Suárez precisa é de um psiquiatra urgentemente…

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